Abandono animal: frei chama a atenção para a 'cultura do descarte'

  • 10/04/2026

Com 4,8 milhões de animais vulneráveis no Brasil, especialistas e religiosos defendem que a proteção aos bichos é extensão do respeito ao Criador

Thiago Coutinho
Da redação

Cachorro de rua deitado no chão de concreto, com expressão cansada, em ambiente urbano desfocado.

Cão abandonado repousa em rua, retratando situação de abandono animal /Foto: Canva

Estimativas do Instituto Pet Brasil apontam que existem 4,8 milhões de cães e gatos vivendo em situação de vulnerabilidade no país. Desse total, pouco mais de 201 mil estão sob os cuidados de ONGs. Esta diferença abismal evidencia a dificuldade de amparar todos os animais vulneráveis e o limite do trabalho voluntário.

A Igreja demonstra uma preocupação profunda com a vida que habita a Casa Comum, como definiu o Papa Francisco na encíclica Laudato si’. Em um dado ponto, Francisco afirma que “tudo está interconectado”. Sendo assim, o abandono de animais domésticos reflete uma “cultura do descarte” que agride não apenas o animal, mas o próprio equilíbrio social e espiritual da comunidade.

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“O Papa, profeticamente, afirma na Encíclica que cada ser criado é uma ‘carícia de Deus’; cada ser foi amado por Deus antes de ser criado e, portanto, porta um valor em si, e não somente um valor instrumental e utilitário”, alerta o frei Gilmar Zampieri, OFMCap.

O frade, no entanto, lamenta a cultura econômica hegemônica, que trata tudo como descartável. “Essa lógica alcança tanto humanos quanto a natureza e os animais. As coisas têm preço; a dignidade é que estabelece direitos. Sem ela, os seres tornam-se descartáveis como um produto que já não satisfaz”, pondera.

Aumento de casos de crueldade animal

O Brasil registrou um aumento exponencial na crueldade contra animais nos últimos anos. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que os registros de maus-tratos subiram 1.400% desde 2021. Apenas em 2025, foram 4.919 novas ocorrências — uma média de 13 por dia, alta de 21% em relação ao ano anterior.

Redes de conscientização

Paróquias podem atuar como redes de proteção, transformando o “carinho com a criação” em ações concretas de castração e adoção responsável. “A forma mais concreta seria criar conselhos do meio ambiente e da questão animal nas paróquias, articulados com a sociedade civil”, aponta Frei Gilmar.

Além disso, é urgente educar as novas gerações sob a premissa do cuidado com a Criação. “Crianças e jovens têm uma sensibilidade apurada. Nas nossas comunidades de fé, o que falta é formação que fundamente uma mudança de paradigma”, deduz o frei.

Adoção consciente

A vendedora Sheila Aparecida da Silva adotou seu primeiro gato há dez anos. Pouco depois, acolheu uma gata de rua prenha. “Infelizmente, perdi meu primeiro gato vítima de um cachorro, e a gata de rua teve um fim triste pela maldade humana. Os filhotes dela ficaram comigo e estão ao meu lado há nove anos”, recorda. Sheila afirma que sua trajetória com os animais é cercada de muito “amor e encontros”.

Sobre esse aspecto, Frei Gilmar recorda a Laudato Si’: a espécie humana não é soberana para submeter a natureza ao seu bel-prazer. “Na Criação não há hierarquia, há complementaridade. O lugar de destaque do humano é o lugar ético de ser o continuador da obra da Criação, com zelo e proteção”, finaliza.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/abandono-animal-frei-chama-a-atencao-para-a-cultura-do-descarte/


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