Agosto Dourado: amamentar vai além da nutrição do bebê

  • 05/08/2026

Pediatra Camila Matuoka explica como a rede de apoio familiar e médica transforma a experiência da amamentação em um processo sustentável

Thiago Coutinho
Da redação

A foto mostra uma mulher segurando um bebê no colo, acariciando uma de suas mãozinhas e amamentando este bebê

O ato de amamentar fortalece o vínculo entre mãe e filho / Foto: Canva

O leite humano é uma fonte completa de alimento e contém tudo de que o bebê precisa. Além de nutrientes essenciais para o seu crescimento e desenvolvimento, ele protege contra infecções respiratórias e diarreias, contribuindo para reduzir o risco de doenças como hipertensão, diabetes e obesidade ao longo da vida. Com base nessa premissa, a campanha Agosto Dourado dedica-se à promoção, proteção e apoio ao aleitamento.

Além do impacto na saúde física, o leite materno auxilia no desenvolvimento emocional e na construção do vínculo entre mãe e filho nos primeiros meses. “A amamentação vai muito além do alimento”, afirma a pediatra Camila Salles Lopes Matuoka. “Durante esse momento, o bebê encontra acolhimento, segurança, cheiro, voz e contato com a mãe — experiências que favorecem a construção desse laço e contribuem para o desenvolvimento emocional.”

Esse vínculo, no entanto, não é desenvolvido apenas com a amamentação. “Ele é construído no olhar, no colo, no carinho, na presença e na forma como o bebê é cuidado. Existem mães que, por diferentes motivos, não conseguem amamentar, e isso não as torna menos mães nem as impede de construir uma relação profundamente segura e afetiva com seus filhos”, ressalta a médica.

Nem tão simples

O ato de amamentar não é tão simples quanto parece em um primeiro momento. Muitas mulheres enfrentam dor, fissuras, baixa produção ou até a impossibilidade de amamentar. Como, então, a pediatria lida com essas diferentes realidades para apoiar a mãe — física e emocionalmente — e evitar que a frustração se transforme em culpa?

“Antes de tudo, é preciso acolher essa mãe. Apesar de muitas pessoas acreditarem que amamentar é algo instintivo, a realidade é que dor, fissuras, dificuldades na pega e até a necessidade de complementação são situações frequentes”, detalha Camila. “Como médica, meu papel é identificar o que pode ser ajustado, orientar com base em evidências e apoiar essa família sem julgamentos. Quando a amamentação exclusiva não é possível, isso não representa um fracasso. O mais importante é garantir a saúde do bebê e o bem-estar materno, porque cuidar da mãe também é cuidar da criança”, pontua.

Doação

A doação de leite materno é um dos pilares mais bonitos dessa rede de apoio, mas ainda gera dúvidas. O leite doado para bebês prematuros ou internados em UTIs salva vidas.

“Como pediatra e neonatologista, acompanho de perto o impacto do leite humano na vida dos bebês prematuros e internados na UTI neonatal”, assegura a especialista. “Ele reduz o risco de infecções, favorece a maturação do intestino, diminui a chance de complicações graves, como a enterocolite necrosante, e pode, literalmente, salvar vidas.”

A doação de leite não é só um ato que pode ajudar na vida do bebê, mas também uma grande demonstração de generosidade. “A mãe que produz além da necessidade do seu bebê pode procurar um Banco de Leite Humano, onde receberá orientações sobre a coleta e o armazenamento. Muitas vezes, uma pequena quantidade de leite é capaz de fazer uma enorme diferença na recuperação de um recém-nascido vulnerável”, observa Camila.

Responsabilidade compartilhada

Para as mães que estão atravessando essa fase agora — seja com facilidade ou enfrentando dificuldades —, é preciso reforçar que a amamentação deve ser uma responsabilidade compartilhada.

“A amamentação não deve ser uma responsabilidade apenas da mãe. Ela precisa de uma rede de apoio”, explica a médica. “A família pode ajudar acolhendo, dividindo as tarefas e evitando cobranças. Já a equipe de saúde deve orientar de forma individualizada, identificar dificuldades precocemente e oferecer apoio sem julgamentos. Quando mãe, família e profissionais caminham juntos, a experiência se torna mais leve e sustentável. Afinal, cuidar da mãe também é uma forma de cuidar do bebê”, finaliza.

A campanha Agosto Dourado é realizada no contexto da Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM), promovida entre os dias 1º e 7 de agosto em mais de 120 países. É uma das principais iniciativas globais de incentivo à amamentação. Em 2026, o tema oficial da 35ª SMAM é “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona”. O objetivo é avaliar o impacto da amamentação na nutrição, na segurança alimentar e na redução da pobreza, fortalecendo as redes de apoio em toda a sociedade.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/brasil/agosto-dourado-amamentar-vai-alem-da-nutricao-do-bebe/


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