Amor de Cristo pelos pobres nos impele a rejeitar o egoísmo, afirma Papa
- 21/05/2026
Leão XIV recebeu novos embaixadores junto à Santa Sé em audiência nesta quinta-feira, 20; em seu discurso, pediu por diplomacia que pense no bem comum
Da Redação, com Vatican News

Foto: Maria Grazia Picciarella/SOPA Images via Reuters Connect
“Em uma época em que se busca a paz por meio das armas como condição para afirmar o próprio domínio, há uma necessidade urgente de retornar a uma diplomacia que promova o diálogo e busque o consenso em todos os níveis: bilateral, regional e multilateral”.
Em sua audiência com os novos embaixadores extraordinários junto à Santa Sé nesta quinta-feira, 21, o Papa Leão XIV recordou a essência de sua missão enquanto diplomatas: construir pontes e promover o diálogo e o multilateralismo. O Pontífice recebeu o grupo de representantes de Serra Leoa, Bangladesh, Iêmen, Ruanda, Namíbia, Maurício, Chade e Sri Lanka por ocasião da apresentação das cartas credenciais.
Unidade
Às vésperas da Solenidade de Pentecostes, a ser celebrada no domingo, 21, o Santo Padre expressou sua esperança de que uma visão de unidade possa inspirar o mundo da diplomacia. Desta forma, as relações construtivas entre as nações florescerão por meio de uma sincera abertura, da promoção do respeito mútuo e de um senso compartilhado de responsabilidade.
“Em um momento em que as tensões geopolíticas continuam a fragmentar ainda mais o nosso mundo, é necessário torná-las mais representativas, eficazes e orientadas para a unidade da família humana”, frisou Leão XIV. Nesse sentido, os embaixadores junto à Santa Sé desempenham um papel crucial, que é criar “uma preciosa ponte de confiança e cooperação” com os países representados.
Aos diplomatas, o Papa confiou a missão de revigorar um diálogo motivado por uma busca sincera de caminhos que conduzam à paz. Isso exige que as palavras voltem a expressar realidades claras, sem distorções nem hostilidades. “Só assim se poderão evitar os mal-entendidos”, enfatizou, “só assim se poderão superar as incompreensões e reconstruir a confiança no contexto das relações internacionais”.
Rejeitar o egoísmo
Tal diálogo “cortês e claro” deve ser acompanhado por uma “profunda conversão do coração”, acrescentou o Pontífice. A disposição de deixar de lado os interesses particulares em nome do bem comum deve animar o serviço dos diplomatas e fortalecer as organizações internacionais por meio de um espírito de solidariedade.
Recordando a exortação apostólica Dilexi te, o Santo Padre apontou que nenhuma nação, sociedade ou ordem internacional pode definir-se como justa e humana se medir o próprio sucesso em termos de poder ou prosperidade. “O amor de Cristo pelos últimos e pelos esquecidos nos impele a rejeitar toda forma de egoísmo que torna invisíveis os pobres e os vulneráveis”, expressou.
Por fim, Leão XIV garantiu suas orações para que os esforços comuns contribuam para renovar o compromisso no âmbito das relações bilaterais e multilaterais e ajudem a chamar a atenção para aqueles que, à margem de nossas sociedades, são frequentemente esquecidos.
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