Arquidiocese anuncia causa de beatificação de Dom Estêvão Bittencourt
- 12/05/2026
Iniciativa de abertura começou em 2015 e ganhou novo impulso agora, com a aprovação do Capítulo e do Conselho da Abadia; Mosteiro de São Bento assume o papel de autor da causa
Da Redação, com Arquidiocese do Rio de Janeiro

Dom Estêvão Bittencourt / Foto: Arquidiocese do Rio
Durante a última reunião do Conselho Arquiepiscopal do Rio de Janeiro (RJ), o arcebispo metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta, anunciou a abertura da causa de beatificação do monge beneditino Dom Estêvão Bittencourt.
O anúncio foi detalhado pelo vigário episcopal para a Vida Consagrada e delegado arquidiocesano para a Causa dos Santos, Dom Roberto Lopes. Ele destacou não apenas os aspectos formais do processo, mas também a relevância espiritual, intelectual e pastoral do religioso.
Dom Estêvão é apresentado como alguém profundamente identificado com a capital carioca, onde nasceu, viveu e desenvolveu sua missão. “Era possível perceber até no jeito de falar o quanto amava profundamente o Rio de Janeiro”, afirmou Dom Roberto. Tal ligação com a cidade se refletia também em sua dedicação à Igreja local, onde atuou intensamente até os últimos dias de sua vida.
O processo da causa
Segundo Dom Roberto, a iniciativa de abertura da causa não surgiu de forma repentina. Em 2015, houve uma primeira tentativa de encaminhar o processo, precedida por estudos iniciais e mobilizações internas. Apesar disso, dificuldades estruturais e administrativas impediram o avanço naquele momento.
Agora, com a aprovação do Capítulo e do Conselho da Abadia, a causa ganha novo impulso. O Mosteiro de São Bento assume oficialmente o papel de autor da causa, cabendo à Arquidiocese do Rio de Janeiro conduzir as etapas iniciais em comunhão com Roma. “É hora de começar a articular a documentação e preparar o envio para que seja avaliada a possibilidade da abertura oficial”, explicou o vigário episcopal.
Sobre Dom Estêvão
Nascido como Flávio Tavares de Bittencourt, em 16 de setembro de 1919, Dom Estêvão passou por períodos de estudo em Paris, na França. Posteriormente, foi enviado a Roma, na Itália, onde cursou Filosofia e Teologia no Instituto Santo Anselmo, aprofundando-se depois no Instituto Bíblico.
Dom Roberto destacou que toda essa formação foi colocada a serviço da igreja. “Podemos dizer que foi um monge profundamente zeloso. Tudo o que produziu foi pensado para o bem da Igreja”, afirmou, sublinhando que Dom Estêvão não se limitou à vida monástica, mas atuou intensamente na formação teológica de leigos, religiosos e membros do clero.
Entre suas principais contribuições está a obra “Pergunte e Responderemos”, uma revista criada com o objetivo de tornar acessível o conhecimento teológico. “A grande preocupação dele era a formação dos leigos e das religiosas, que muitas vezes não tinham acesso à filosofia e à teologia” explicou Dom Roberto. Com o tempo, o material ganhou ampla difusão e passou a ser utilizado também em seminários e centros de formação.
O apoio do Mosteiro de São Bento
O anúncio da abertura do processo gerou entusiasmo entre os sacerdotes. Segundo Dom Roberto, há um consenso sobre a relevância da causa. Ele observou, de forma indireta, que a figura de Dom Estêvão reúne amplo reconhecimento dentro da Igreja, o que fortalece o andamento do processo.
Do ponto de vista estrutural, o trabalho contará com o apoio do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, que possui um acervo documental organizado ao longo de sua história. Esse material será fundamental para a análise histórica da vida do monge, permitindo reconstruir não apenas sua trajetória, mas também seu itinerário espiritual.
Mais do que analisar a produção intelectual, a Igreja busca identificar sinais concretos de santidade. O vigário episcopal enfatizou que Dom Estêvão viveu uma espiritualidade intensa, marcada pela oração, pela disciplina e pela humildade. “Nunca convivi com um monge tão asceta e místico”, afirmou, recordando o período em que esteve próximo ao religioso.
Identidade espiritual do Rio
A análise das virtudes heroicas será uma etapa decisiva. De acordo com Dom Roberto, há indícios consistentes de uma vida marcada pela obediência, pela retidão e pelo serviço à Igreja desde a juventude. Esses elementos serão examinados com rigor ao longo do processo canônico.
Ao lado de outras causas em andamento, a de Dom Estêvão reforça a identidade espiritual da cidade. “Ele vem somar para algo tão belo, mostrar que o Rio de Janeiro também é terra de santos”, concluiu Dom Roberto, sintetizando o sentimento que marca o início desta nova etapa na vida da Igreja local.
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