Capela histórica de São Benedito será reaberta após restauração
- 02/10/2026
Templo construído em 1761 passou por dois anos de restauração e voltará a receber celebrações e outras atividades religiosas
Julia Beck
Da Redação

Capela de São Benedito com a fachada restaurada /Foto: Arquivo Pessoal/ Padre Marcelo Chelles
Após dez anos fechada, a Capela de São Benedito, um dos patrimônios históricos e religiosos de Cabo Frio (RJ), será reaberta aos fiéis na próxima segunda-feira, 5. Localizado no tradicional bairro da Passagem, o templo passou por um processo de conservação e restauração que se estendeu por dois anos.
A reabertura acontecerá justamente na memória litúrgica de São Benedito e será marcada por uma Santa Missa, às 19h, presidida pelo arcebispo de Niterói, Dom José Francisco Rezende Dias.
Construída em 1761, a capela está ligada à história de um dos bairros mais antigos de Cabo Frio. Segundo o pároco da Paróquia Nossa Senhora da Assunção, Padre Marcelo Chelles, a retomada das atividades representa um momento de alegria para a comunidade.
“A Capela de São Benedito está fechada há 10 anos. Reabri-la é uma grande alegria, porque esta capela conta a história de uma das etapas importantes de Cabo Frio”, afirma.
O sacerdote recorda que foi na região da Passagem que se estabeleceu o primeiro polo colonizador da cidade, fundada em 1615.
Patrimônio preservado
Além de sua expressão religiosa, a Capela de São Benedito possui relevância arquitetônica, histórica e cultural. O patrimônio é protegido nas três esferas do poder público, com tombamentos federal, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); estadual, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac); e municipal, pelo Instituto Municipal do Patrimônio Cultural (Imupac).
O processo de conservação e restauração foi realizado gradualmente e acompanhado pelo Inepac. De acordo com Padre Chelles, a contratação de uma empresa especializada foi possível graças ao financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
Um dos principais problemas encontrados estava no telhado, cuja situação provocava a deterioração da parte interna do templo. Para a realização dos trabalhos, os bens integrados à capela precisaram ser retirados.
Ao longo dos dois anos de obras, foram realizados serviços de manutenção do telhado, recuperação das alvenarias e do retábulo, renovação completa das instalações elétricas e instalação de sistema de som. Também foi feita a regularização do espaço junto ao Corpo de Bombeiros.
O sacerdote ressalta que, em intervenções realizadas em patrimônios históricos, a prioridade é conservar ao máximo os elementos existentes. “O ideal é restaurar o mínimo possível, o ideal é a conservação. Mas, quando não é possível, é preciso restaurar”, explica.

Capela de São Benedito antes e depois da restauração /Foto: Arquivo Pessoal/ Padre Marcelo Chelles
São Benedito e a reabertura
A escolha de 5 de outubro para a reabertura também aproxima a retomada do templo da espiritualidade daquele a quem ele é dedicado. Neste dia, a Igreja celebra a memória litúrgica de São Benedito.
Para Padre Chelles, a vida do santo recorda valores essenciais da experiência cristã, como a humildade, a caridade e a devoção.

Padre Marcelo Chelles /Foto: Arquivo Pessoal
“Aprendemos de Nosso Senhor Jesus Cristo que a vida cristã não consiste nos primeiros lugares, que um homem não é autossuficiente e que o amor ao próximo deve ser o farol de nossa vida”, afirma.
Segundo o sacerdote, São Benedito compreendeu e viveu esses ensinamentos do Evangelho. “Sua vida como monge foi de humildade, caridade e devoção: o tripé para o céu.”
Retomada da vida religiosa
A reabertura não será apenas um evento pontual. Depois da celebração de segunda-feira, a Capela de São Benedito voltará a receber atividades religiosas regularmente.
Às segundas-feiras, às 19h, haverá Celebração da Palavra. Às terças-feiras, no mesmo horário, os fiéis poderão participar da oração do Terço. O templo também voltará a acolher batizados e casamentos.
A intenção é manter a capela aberta à visitação em horários determinados, que ainda serão divulgados pela paróquia.
Para Padre Chelles, devolver o espaço à população significa também preservar a memória e fortalecer os vínculos da comunidade com a própria história.
“Cuidar do patrimônio histórico é cuidar do sentimento de pertença, é restabelecer a alegria, o ânimo e a história dessa cidade, que tanto se orgulha de ser a sétima cidade mais antiga do Brasil”, conclui.
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