Cardeal Farrell: Cruz, sinal de esperança para os jovens que vão à JMJ

  • 14/09/2026

Prefeito do Dicastério para os Leigos destacou a cruz como símbolo da vitória de Cristo, da esperança e da missão dos jovens no mundo

Da redação, com Vatican News

Cardeal Kevin Farrell / Foto: Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida

A cruz de Cristo, longe de ser um símbolo de derrota, é sinal de esperança e de vida para uma humanidade marcada pelo sofrimento. Essa foi uma das principais mensagens do cardeal Kevin Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, na homilia da Missa celebrada nesta segunda-feira, 14 de setembro, festa da Exaltação da Santa Cruz, no contexto da segunda reunião internacional de preparação para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Seul 2027.

A celebração abriu um encontro que reúne na Coreia do Sul cerca de 400 representantes de dioceses e organizações de aproximadamente 190 países, além de membros do Organismo Consultivo Internacional da Juventude (IYAB), responsáveis do comitê organizador e voluntários. A reunião, realizada de 14 a 17 de setembro, tem como objetivo compartilhar a visão e o andamento dos preparativos para a JMJ de 2027 e aprofundar a participação das Igrejas locais na preparação do grande encontro internacional.

A cruz que transforma o sofrimento

Ao comentar a liturgia da Exaltação da Santa Cruz, o cardeal Farrell recordou que, aos olhos humanos, a cruz poderia parecer apenas instrumento de tortura e morte. Em Cristo, porém, ela foi transformada em sinal da salvação. “A cruz de fé em Cristo nos mostra que o sofrimento não é o fim”, afirmou, segundo o texto da homilia.

O cardeal destacou que Jesus assumiu sobre si o sofrimento humano e, por meio de sua morte e ressurreição, abriu um caminho de esperança. Por isso, convidou os participantes a não permitirem que as dificuldades, as feridas ou as experiências de fracasso determinem o sentido de suas vidas. “A cruz nos mostra que Deus está conosco”, foi uma das ideias centrais de sua reflexão.

Farrell relacionou essa mensagem diretamente à realidade dos jovens. Muitos carregam, segundo ele, diferentes formas de sofrimento: solidão, tristeza, depressão, incredulidade, rejeição e as consequências de uma sociedade que pode fazer com que se sintam sem esperança. Diante disso, a Igreja é chamada a anunciar que nenhuma dessas experiências tem a última palavra.

“Levantem os olhos”

Um dos momentos mais significativos da homilia foi o convite a olhar para a cruz. Recordando a imagem da serpente de bronze erguida por Moisés no deserto, o cardeal explicou que o gesto bíblico de levantar os olhos continua tendo um significado profundo para o cristão.

“Levantem os olhos e vejam — não há nada para temer!”, afirmou Farrell, associando a imagem da serpente de bronze à cruz de Cristo. Para ele, olhar para a cruz significa reconhecer que Deus não abandona a humanidade precisamente nos momentos em que o sofrimento parece mais intenso.

A reflexão também estabeleceu uma ligação com o testemunho cristão. “Quando olhamos para a cruz, vemos Jesus oferecendo a própria vida por nós”, afirmou. Por isso, a cruz não deve levar à resignação diante do sofrimento, mas à confiança e à disposição de viver de maneira diferente, com amor, perdão e serviço.

A cruz no caminho para Seul

A mensagem ganha particular significado no contexto da preparação para a JMJ de Seul. O encontro internacional será realizado de 3 a 8 de agosto de 2027 e será a segunda Jornada Mundial da Juventude realizada na Ásia, depois de Manila, em 1995. Será também a primeira edição da JMJ em um país onde o cristianismo é uma religião minoritária.

O tema escolhido pelo Papa Francisco para a Jornada é uma passagem do Evangelho de São João: “Tende coragem: eu venci o mundo!” (Jo 16,33). A escolha está diretamente relacionada à mensagem da homilia de Farrell: a coragem cristã nasce da vitória de Cristo sobre o pecado, o sofrimento e a morte.

Assim, a preparação para Seul não pretende ser apenas uma organização logística de um grande evento internacional. O próprio comitê organizador apresenta a preparação espiritual como uma dimensão fundamental da Jornada. Entre as iniciativas está uma oração pelos jovens, rezada nas comunidades, além do movimento dos “200 milhões de terços”, promovido na Igreja coreana como parte do caminho rumo à JMJ.

Uma Jornada em uma Igreja marcada pelo martírio

A cruz também possui uma importância particular para a Igreja na Coreia do Sul. O cristianismo chegou ao país de maneira singular, inicialmente por meio de leigos coreanos que tiveram contato com a fé católica e posteriormente buscaram o contato com a Igreja universal. A comunidade cristã cresceu em meio a períodos de perseguição e deu origem a numerosos mártires.

A preparação para a JMJ procura justamente apresentar essa história às novas gerações. Em 2024, durante a apresentação da JMJ de Seul no Vaticano, o cardeal Farrell destacou a vitalidade da Igreja coreana e o testemunho heroico de seus mártires. Na mesma ocasião, afirmou que a Jornada poderá ajudar os jovens a redescobrir a beleza da vida cristã e a levar para a vida cotidiana um renovado desejo de seguir Jesus e ser fiel ao Evangelho.

A própria escolha de Seul carrega ainda uma dimensão de unidade e paz. A península coreana permanece dividida, e a Igreja local tem procurado promover reconciliação, diálogo e coexistência pacífica. A preparação da Jornada, portanto, pretende fazer da presença de milhões de jovens na Coreia também um testemunho de fraternidade e esperança.

“A salvação começa quando confiamos”

Na parte final da homilia, o cardeal Farrell retomou o convite a confiar em Deus. A fé, explicou, não significa ausência de dificuldades, mas a certeza de que Deus permanece presente também no meio delas.

Para os jovens que se preparam para Seul, essa mensagem se torna um verdadeiro programa espiritual: olhar para Cristo crucificado, reconhecer nele o amor de Deus e, a partir dessa experiência, tornar-se testemunha desse amor no mundo. A cruz, assim, deixa de ser apenas uma imagem do sofrimento e se torna uma convocação à esperança.

“A cruz é o sinal da vitória”, afirmou Farrell em sua reflexão. E é precisamente essa vitória que o tema da JMJ de Seul deseja colocar no coração dos jovens: “Tende coragem: eu venci o mundo!”. Não se trata, portanto, de uma coragem baseada na força humana, mas daquela que nasce da certeza de que Cristo venceu e continua caminhando com seus discípulos.

A segunda reunião internacional de preparação, que prossegue até 17 de setembro, procura transformar essa visão em ações concretas, reunindo representantes da Igreja de 190 países para compartilhar experiências e preparar a acolhida dos peregrinos. A expectativa é que Seul seja não apenas um grande encontro de jovens, mas uma experiência de fé capaz de renovar a Igreja na Ásia e em todo o mundo.

O post Cardeal Farrell: Cruz, sinal de esperança para os jovens que vão à JMJ apareceu primeiro em Notícias.

FONTE: https://noticias.cancaonova.com/jmj-especial/cardeal-farrell-cruz-sinal-de-esperanca-para-os-jovens-que-vao-a-jmj/


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes