Cardeal Koovakad: o conceito de fraternidade não é uma ideia utópica
- 23/06/2026
O cardeal George Koovakad destaca o papel das diferentes tradições religiosas na promoção da paz em um mundo cada vez mais fragmentado e polarizado
Da redação, com Vatican News

O Cardeal Koovakad ao lado do Papa Francico / Foto: Reprodução Youtube
Discussão e diálogo, troca de experiências e o caminho rumo a um objetivo comum: ser irmãos e irmãs comprometidos em construir e fortalecer laços de fraternidade.
Esse é o sentido da conferência intitulada “Budistas, cristãos, hindus, jainistas e sikhs na Europa: Construindo a fraternidade por meio do diálogo e da colaboração”, realizada nesta terça-feira, 23, e segue até quarta-feira, 24, na Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino, em Roma.
Em sua saudação, o cardeal George Jacob Koovakad, Prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso e um dos organizadores da iniciativa, ressaltou que “o conceito de fraternidade é frequentemente considerado uma ideia utópica”, especialmente em um momento em que é “gravemente minado por crimes contra a humanidade, guerras, violência, conflitos, divisões, discriminação e ódio em várias partes do mundo”.
O Cardeal recordou o “Espírito de Assis”, em vista do 40º aniversário do Dia Mundial de Oração pela Paz, convocado por São João Paulo II em 1986, e do 800º aniversário da morte de São Francisco, “o apóstolo da fraternidade universal”, que inspirou a encíclica do Papa Francisco sobre a fraternidade humana, *Fratelli tutti*.
Construindo pontes
O Cardeal Koovakad também refletiu sobre as palavras do Papa sobre a necessidade de construir pontes entre crentes e pessoas de boa vontade “por meio do diálogo e da colaboração”.
Para o Papa, acrescentou o Prefeito, a fraternidade é “uma realidade vivida, mais forte do que conflitos, diferenças e tensões”, capaz de transformar “culturas, sensibilidades e tradições em uma oportunidade de enriquecimento mútuo”.
Um continente rico em diversidade
Referindo-se à Europa, o Prefeito observou que ela preserva “um patrimônio cultural e religioso que testemunha com orgulho o florescimento de diversos grupos e sua integração ao longo da história” — uma história marcada, segundo ele, pela migração, pela globalização, por mudanças demográficas e pela redução da força de trabalho.
Disso, observou, surgiu a transformação do continente em um “rico caldeirão” de etnias, línguas e tradições religiosas.
Esse patrimônio, continuou o Cardeal Koovakad, deve ser valorizado para criar “uma sociedade inclusiva, coesa e harmoniosa”, promovendo a fraternidade e a amizade com pleno respeito à dignidade de cada ser humano e aos seus direitos, “incluindo o direito de professar e praticar a própria religião”. Trabalhando pelo bem comum
O Cardeal exortou aqueles que vivem na Europa e aqueles que fizeram dela o seu lar a trabalharem juntos pelo bem comum, “com a convicção de que a diversidade cultural, religiosa e social é uma riqueza humana e não uma ameaça”.
“Quanto mais nós, pessoas de diferentes tradições religiosas”, disse o Cardeal Koovakad, “nos encontrarmos e trocarmos pontos de vista, respeitando a singularidade dos contextos, tradições e religiões uns dos outros, mais cresceremos não apenas no amor fraterno e na estima mútua, mas também no nosso compromisso de trabalhar e contribuir juntos para o bem de todos na sociedade”.
Promovendo a paz
Ao concluir, fazendo eco às palavras do Papa Leão XIV, o Cardeal Koovakad apelou à união de esforços “para defender e promover a paz, a justiça e a fraternidade humana por meio do diálogo, da colaboração e da amizade social”.
Ele ressaltou que esses elementos são os “componentes fundamentais para construir a fraternidade humana em nosso tempo, quando o mundo está mais fragmentado e polarizado do que nunca”.
O Cardeal Prefeito expressou a esperança de que estes dias de reflexão e intercâmbio ajudem os participantes a “encontrar caminhos e meios para fortalecer as relações mútuas baseadas no respeito, na fraternidade, na solidariedade e na confiança”.
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