Cardeal Parolin: o diálogo hoje está sendo substituído pela força

  • 04/08/2026

O secretário de Estado prossegue a visita na Guatemala pelos 90 anos de relações diplomáticas com a Santa Sé e critica a “diplomacia da força”

Da redação, com Vatican News

O Cardeal Parolin / Foto de arquivo: Daniel Xavier

Diálogo, não força. Compreensão, não opressão. Diplomacia, não ideologia. Da Guatemala, onde se encontra em visita desde 1º de agosto para celebrar os 90 anos de relações diplomáticas com a Santa Sé (selo de “uma trajetória histórica construída com base na confiança mútua, no respeito recíproco e na colaboração constante”, afirmou), o secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, analisa o cenário mundial. E lança um apelo à comunidade internacional para que utilize os instrumentos da diplomacia a fim de proteger aqueles direitos fundamentais que parecem estar perdendo “vitalidade”, dando lugar, em vez disso, à “ideologia”, à “força” e à “opressão”.

O cardeal se dirigiu ao Corpo Diplomático reunido na tarde de segunda-feira, 3 de agosto, na sede da Nunciatura Apostólica na Cidade da Guatemala. Foi o último compromisso do dia, no qual o cardeal se reuniu com o presidente da República, Bernardo Arévalo; depois com o ministro das Relações Exteriores, Carlos Ramiro Martínez; e com um grupo de representantes dos povos indígenas. Eles já estavam presentes no domingo, 2, na Catedral Metropolitana para a solene missa de ação de graças celebrada pelo cardeal, que, na homilia, exortou as autoridades civis e eclesiásticas a construir “uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, rompendo com as dinâmicas de desprezo, indiferença e injustiça causadas pelas desigualdades e pela corrupção”.

Os direitos humanos estão perdendo força

Aos diplomatas guatemaltecos, o cardeal pediu, por sua vez, uma reflexão profunda “sobre o quanto seja precioso o caminho escolhido do diálogo e da compreensão”, especialmente – ressaltou ele – “quando observamos uma comunidade internacional em que a diplomacia que promove o diálogo e busca o consenso entre todas as partes é substituída por uma diplomacia baseada na força, tanto por parte de indivíduos quanto de grupos de aliados”.

“O direito à liberdade de expressão, à liberdade de consciência, à liberdade religiosa e até mesmo o direito à vida estão sendo limitados em nome de outros supostos novos direitos, com o resultado de que o próprio quadro dos direitos humanos está perdendo a sua vitalidade e abrindo espaço para a ideologia, a força e a opressão”, afirmou o secretário de Estado.

A missão diplomática da Santa Sé

Nesse sentido, ele lembrou a missão diplomática da Santa Sé e a sua “característica singular”, ou seja, o fato de não perseguir interesses econômicos ou estratégicos, mas de sempre procurar “colocar a pessoa humana no centro, promovendo o encontro entre os povos e oferecendo a contribuição moral e espiritual que brota do Evangelho e da rica Doutrina Social da Igreja, contribuindo para a construção do bem comum”. Essa missão, “diante das res novae do nosso tempo”, explicou Parolin, se concretiza “evitando entusiasmos ingênuos ou medos infundados, ao propor, com a linguagem do Evangelho, critérios de discernimento”. Critérios como “a dignidade da pessoa, a destinação universal dos bens, a atenção aos pobres, o cuidado com a criação e a paz”. Critérios que podem se traduzir em práticas concretas, como “o planejamento responsável, as avaliações de impacto humano e social, a inclusão dos mais frágeis, a alfabetização digital, a pesquisa e a indústria voltadas para a justiça e a paz, entre outras”.

A Guatemala, um interlocutor aberto ao diálogo

Tudo isso já se concretizou na Guatemala, “terra de profundas raízes cristãs” que São João Paulo II visitou três vezes, em 1983, 1996 e 2002, e que possui “um patrimônio humano e espiritual extraordinário”, fruto também da riqueza das populações indígenas. Essas populações, com suas culturas e tradições, contribuem para construir “uma sociedade cada vez mais inclusiva, reconciliada e solidária”.

“A Santa Sé encontrou na Guatemala um interlocutor aberto ao diálogo e sensível aos grandes valores que sustentam a convivência humana: a dignidade inviolável de cada pessoa, a promoção do bem comum, a atenção às pessoas em situação de vulnerabilidade e a busca perseverante pela paz”, afirmou ainda o cardeal Parolin. E lembrou também a cooperação, ao longo dessas nove décadas, entre o país centro-americano e a Santa Sé, concretizada em áreas como “o acompanhamento pastoral do povo guatemalteco, o serviço educacional e de saúde de tantas instituições eclesiais, o fortalecimento da liberdade religiosa e a defesa da dignidade humana”.

Agradecimentos à Igreja e às instituições

O secretário de Estado concluiu, então, com um agradecimento às autoridades guatemaltecas pelo “espírito de colaboração” nas relações bilaterais, aos diversos representantes diplomáticos acreditados junto à Santa Sé e aos núncios apostólicos que, ao longo dos últimos 90 anos, “contribuíram com dedicação e sabedoria para o fortalecimento dessa amizade institucional”, e à Igreja local, que colabora humildemente na promoção de “uma sociedade em que prevaleçam a justiça, o respeito pela vida, a liberdade, a educação das novas gerações e o cuidado com a criação”.

O post Cardeal Parolin: o diálogo hoje está sendo substituído pela força apareceu primeiro em Notícias.

FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/cardeal-parolin-o-dialogo-hoje-esta-sendo-substituido-pela-forca/


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes