Cardeal Parolin reza pelos cristãos perseguidos em todo o mundo

  • 18/08/2026

Durante a homilia da missa pelo centenário da trasladação das relíquias de Santa Ágata, o cardeal convidou os fiéis a rezar pelos cristãos perseguidos ao redor do mundo

O cardeal Pietro Parolin / Foto: Daniel Xavier

Da redação, com Vatican News

O Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado da Santa Sé, presidiu a Missa na noite de 17 de agosto, encerrando o Jubileu dedicado a Santa Ágata. A celebração eucarística na catedral dedicada à Santa marcou o nono centenário da trasladação de suas relíquias de Constantinopla para Catânia.

O cardeal levou “a esta amada terra da Sicília” a bênção e o afeto do Papa, que se uniu espiritualmente à alegria dos cidadãos reunidos em torno de uma antiga devoção à sua padroeira.

“Celebrar este aniversário”, ressaltou o Cardeal, “significa reconhecer que o Senhor tem sido fiel à sua Igreja ao longo dos séculos, sustentando-a nos tempos de provação, purificando-a nas dificuldades e fazendo-a florescer continuamente de novo por meio do testemunho dos santos.”

Em sua homilia, o Secretário de Estado da Santa Sé fez um forte apelo para que se rezasse pelos muitos “nossos irmãos e irmãs espalhados pelas várias partes do mundo que sofrem perseguição pelo nome do Senhor e pelo seu Evangelho”.

Após a celebração, realizou-se uma procissão com as relíquias da santa pelas principais ruas do centro histórico da cidade.

Uma santidade que não pertence aos museus da memória

“Santa Ágata não pertence simplesmente à história de Catânia: ela pertence ao hoje de Deus e continua a caminhar com o seu povo”, prosseguiu o Cardeal Parolin.

Citando Santo Agostinho e Tertuliano, ele recordou a importância dos mártires, que devem ser louvados não tanto pelo seu sofrimento, mas pela sua perseverança, como ensinou o Santo de Hipona. “O sangue dos mártires”, explicou o apologista cristão de Cartago, “não é sinal de derrota, mas a semente da qual a Igreja continuamente floresce de novo”.

Daí o convite do legado papal para olhar para Ágata como uma mulher capaz de inspirar a fé hoje, pois ela encarna “uma santidade que não pertence aos museus da memória, mas continua a gerar fé, esperança e caridade”.

Deus permanece fiel mesmo quando tudo parece perdido

Ao comentar as leituras bíblicas da liturgia do dia — o relato do martírio dos sete irmãos macabeus e de sua mãe, e a Carta do Apóstolo Paulo —, o Cardeal Parolin enfatizou que pertencer a Cristo vai além de qualquer tentação de compromisso com o erro.

Isso ficou evidente em Ágata, cujo martírio “não é, antes de tudo, o relato de uma violência sofrida, mas a manifestação de um amor que nenhuma violência foi capaz de extinguir”. Também ficou evidente em Paulo, que vivenciou incompreensão, perseguição e fragilidade, mas continuou a “proclamar Cristo com uma serenidade surpreendente”.

O poder pertence a Deus, não aos seres humanos

A reflexão do Cardeal Parolin voltou-se para a própria Igreja, a qual, explicou ele, “não vive de sua própria eficiência, mas da graça de Deus; não se fundamenta nas capacidades de seus membros, mas na fidelidade do Senhor, que continua a agir através da fraqueza humana”.

Em seguida, ele retomou o chamado que perpassa toda a Escritura: “Não tenhais medo”. “Não se trata apenas de um encorajamento psicológico, mas do próprio fundamento da nossa vida cristã. Jesus não promete uma existência livre de provações e tribulações; Ele promete algo muito maior.”

O Cardeal Parolin concentrou-se então nos cristãos perseguidos em muitas partes do mundo: “Lembremos e rezemos, neste momento, por todos esses nossos irmãos e irmãs espalhados pelas várias partes do mundo, que sofrem perseguição pelo nome do Senhor e pelo seu Evangelho. Mas não esqueçamos que existe também, por assim dizer, um martírio sem derramamento de sangue para o qual nós também somos chamados”, acrescentou.

A santidade cotidiana, o martírio da fidelidade

Há, portanto, duas maneiras de manifestar o amor incondicional a Cristo: o martírio de sangue e a forma, talvez menos visível, que cada pessoa pode vivenciar no dia a dia: “o martírio cotidiano da fidelidade”, como o descreveu o Cardeal.

Ele citou, como exemplos, os cônjuges que preservam o amor em meio às dificuldades; os pais que educam os filhos na fé cristã; os jovens que se recusam a ceder à cultura das aparências; os sacerdotes e as pessoas consagradas que dedicam generosamente as suas vidas; os idosos que oferecem os seus sofrimentos com confiança; e todos aqueles que, em silêncio, escolhem a justiça em vez do compromisso fácil, a verdade em vez da conveniência e o perdão em vez da vingança, a cada dia.

Essa, insistiu o Secretário de Estado da Santa Sé, é a santidade cotidiana de que falou o Concílio Vaticano II.

O mal não se vence com mais mal

Para concluir, o Cardeal Parolin observou que Catânia possui um imenso patrimônio de fé, cultura, piedade popular e caridade, afirmando que esse patrimônio não deve ser desperdiçado nem tornar-se estéril, mas sim preservado para que possa dar frutos. Assim, tendo sempre presente o ensinamento dos santos — a saber, que o mal não se vence com mais mal, mas com a caridade nascida da Cruz, que transforma a história a partir de dentro —, será possível enfrentar os muitos desafios do território: a pobreza, a desigualdade, a situação de tantos jovens forçados a buscar seu futuro em outros lugares, as dificuldades enfrentadas pelas famílias e o fenômeno de novas formas de pobreza material e espiritual.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/cardeal-parolin-reza-pelos-cristaos-perseguidos-em-todo-o-mundo/


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