Cardiopatia congênita atinge cerca de 1% dos bebês

  • 12/06/2026

Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita chama atenção para esta que é a malformação congênita mais frequente; diagnóstico precoce pode mudar o curso da doença  

Jéssica Marçal
Da Redação

Grande maioria das cardiopatias congênitas, quando tratadas, permitem uma vida normal ou próximo disso / Foto: takasuu de Getty Images via Canva

Nesta sexta-feira, 12, recorda-se o Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita, ou seja, aquelas anomalias do coração que se apresentam já ao nascimento. Uma problemática que atinge 1 a cada 100 crianças nascidas no país, representando cerca de 30 mil novos casos anuais.

Essas anomalias acontecem, na maioria das vezes, por falhas na formação do coração, processo que ocorre entre 4 e 8 semanas de gestação, quando, muitas vezes, a mulher ainda nem sabe da gravidez. É a malformação congênita mais frequente.

A cardiologista pediátrica e chefe da Seção Médica de Cardiologia Pediátrica e Cardiopatias Congênitas do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Dra. Simone Fontes Pedra, explica que essas malformações podem acontecer em virtude de algumas condições maternas, como diabetes ou uso de algumas substâncias e medicamentos. O fator genético também pode ser uma causa. “Muitas síndromes genéticas cursam com cardiopatia associada. Mas, na grande maioria dos casos, não se encontra nenhum fator de risco evidente.”

Quais os tipos de cardiopatia?

Dra. Simone Fontes Pedra / Foto: Arquivo Pessoal

Existem inúmeras cardiopatias congênitas, que são divididas, principalmente, entre com cianose (quando há baixa saturação de oxigênio) ou sem cianose. A mais frequente é a comunicação interventricular, “um buraquinho” que comunica os dois ventrículos e, assim, aumenta a quantidade de fluxo no pulmão.

“Outras frequentes são a comunicação interatrial, a válvula aórtica bicúspide (que tem somente dois folhetos) e a estenose pulmonar (valva pulmonar entupida). Existem condições em que apenas 1 ventrículo funciona (hipoplasia do coração esquerdo é a mais frequente) e aquelas em que as grandes artérias estão trocadas de posição, isso é saindo do ventrículo errado – transposição das grandes artérias.”, relata dra. Simone.

Como diagnosticar?

A cardiologista explica que as cardiopatias podem e devem ser diagnosticadas ainda durante a gestação. “O exame de escolha para o diagnóstico é o ecocardiograma fetal, que nada mais é que um ultrassom do coração do feto.”, afirma.

Na maioria dos casos, como já dito, não se identifica um fator de risco para o aparecimento da doença, logo, é imperativo a realização correta do acompanhamento pré-natal. O exame de ultrassom é importante neste contexto, particularmente os ultrassons morfológicos de  1º e 2º trimestres realizados entre 11 e 13 semanas e 18 e 22 semanas respectivamente.

“No primeiro morfológico é possível identificar marcadores de cardiopatia fetal, principalmente o aumento da preguinha da nuca do feto e a presença de fluxo alterado no ducto venoso. Já no segundo morfológico, o médico deve olhar o coração fetal e ao menos identificar se há algo que não está dentro da normalidade para encaminhar para o especialista realizar o ecocardiograma fetal.”, informa dra. Simone.

Após o nascimento, um exame importante é o chamado “teste do coraçãozinho”, pois pode diagnosticar de forma precoce alguma cardiopatia congênita não identificada até então. “Ele é feito ainda na maternidade e deve fazer parte da triagem neonatal realizada em todos os bebês. A presença de teste alterado ou mesmo ausculta de sopro cardíaco ou cor arroxeada dos lábios e extremidades deve levar o neonatologista a solicitar o ecocardiograma, que é capaz de diagnosticar e definir detalhes anatômicos do coração do bebê.”

Tratamento e qualidade de vida

Uma vez diagnosticada a cardiopatia, várias são as formas de tratamento, dependendo do tipo de problema. A cardiologista cita o cateterismo terapêutico, implantação de stents ou a cirurgia cardíaca pediátrica, com técnicas específicas. “Existem também técnicas híbridas que associam a cirurgia com o cateterismo no mesmo procedimento.”

Dependendo do tipo de cardiopatia – há casos muito graves – pode ser necessário mais de um processo cirúrgico ou intervencionista durante a vida. Mas, segundo dra. Simone, a maioria permite que a criança tenha uma vida normal ou próxima disso, incluindo até mesmo a prática de atividade física. “Em geral é saudável e deve ser incentivado pelo médico após cuidadosa avaliação clínica e com exames”. 

Por fim, a especialista ressalta a importância da data de hoje, para trazer informação e conscientização. “Cuidados como avaliação da saúde e suplementação de ácido fólico 3 meses antes da gestação; seguimento rigoroso das orientações médicas durante o pré-natal, realizando os exames de ultrassom, incluindo se possível o ecocardiograma fetal, podem fazer toda a diferença no cuidado do recém-nascido e da criança com cardiopatia congênita mudando muitas vezes o curso previamente sombrio de várias doenças.”

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/brasil/cardiopatia-congenita-atinge-cerca-de-1-dos-bebes/


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