Cáritas Venezuela: prioridade são os feridos e sobreviventes

  • 27/06/2026

Presidente da Cáritas Venezuela, José Luis Azuaje Ayala, clama por uma busca incansável pelas milhares de pessoas ainda desaparecidas e união neste momento

Da redação, com Vatican News

Número de vítimas de terremoto na Venezuela ultrapassa 900; buscas se intensificam por centenas de soterrados / Foto: Reprodução Reuters

“Pedimos a todos que rezem por este país, por todos aqueles que estão sofrendo e também por aqueles que participam dos esforços de resgate.”

Em declarações ao Vatican News, o Arcebispo José Luis Azuaje Ayala, presidente da Cáritas Venezuela, instou a comunidade internacional a não perder de vista as consequências dos terremotos devastadores da última quarta-feira. Ele enfatizou, sobretudo, a necessidade de intensificar as buscas por pessoas que ainda possam estar presas sob os escombros.

O Arcebispo também pediu uma avaliação imediata das edificações e da infraestrutura que permanecem sob risco de desabamento devido às numerosas e fortes réplicas. Ele apelou por “um esforço coordenado entre órgãos governamentais e a sociedade civil para ajudar a minimizar as consequências desta tragédia”.

Quase três dias após os dois terremotos — que atingiram magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala Richter e afetaram as regiões central e nordeste da Venezuela —, os números oficiais registram pelo menos 920 mortos, mais de 3.000 feridos e mais de 50.000 desaparecidos. Segundo várias organizações não governamentais especializadas em resposta a emergências, esses números podem aumentar significativamente.

O governo venezuelano declarou estado de emergência nacional no Distrito Capital e nos estados de La Guaira, Falcón, Carabobo, Yaracuy, Aragua, Miranda, Trujillo e Lara. A devastação mais severa, no entanto, foi registrada em La Guaira, situada a poucos quilômetros da capital e onde se encontram o principal porto e o aeroporto internacional do país.

Preocupação com os desaparecidos

O Arcebispo Azuaje, Arcebispo Metropolitano de Maracaibo — região não afetada diretamente pelos terremotos —, afirmou que as autoridades ainda estão avaliando a extensão total dos danos humanos e materiais, particularmente nas residências das áreas mais atingidas, em partes de Caracas e, especialmente, ao longo da costa central da Venezuela, onde tanto a destruição quanto a atividade sísmica foram mais intensas.

“Muitas pessoas continuam desaparecidas, e acredita-se que ainda estejam soterradas sob os escombros de vários edifícios”, disse o arcebispo. Ele observou que não apenas edifícios residenciais desabaram, mas também hotéis, instalações de lazer e estabelecimentos comerciais.

“As autoridades continuam avaliando a situação, especialmente a busca por pessoas que permanecem soterradas e presas”, acrescentou.

Milhares de desalojados

O arcebispo Azuaje confirmou que “milhares de pessoas estão abrigadas em praças públicas e espaços abertos, temendo réplicas que poderiam derrubar outros edifícios e infraestruturas já gravemente danificados”.

Ele também expressou preocupação com a situação crítica da rede elétrica e dos sistemas de distribuição de água potável, que já estavam sobrecarregados e agora entraram em colapso total em algumas áreas.

Enquanto isso, dioceses de todo o país estão organizando centros de coleta por meio da rede Cáritas e de outras organizações. Também estão em andamento esforços para identificar abrigos para aqueles que perderam suas casas, pois, como observou o presidente da Cáritas Venezuela, “essa situação perdurará por muito tempo”.

Estima-se que mais de 70 mil famílias tenham ficado desabrigadas apenas no estado de La Guaira.

Hospitais sob forte pressão

O arcebispo também destacou a situação grave de vários hospitais danificados. “Médicos e profissionais de saúde estão fazendo todo o possível, especialmente para cuidar dos feridos e das muitas pessoas que chegam em estado de colapso emocional e sofrendo com as diversas consequências desses dois terremotos simultâneos.”

Ele apontou as prioridades imediatas: cuidar dos feridos, continuar a busca por possíveis sobreviventes, avaliar a infraestrutura vulnerável a réplicas e coordenar esforços entre órgãos governamentais e a sociedade civil “para trabalhar em conjunto a fim de minimizar as consequências desta tragédia”.

A Cáritas Venezuela, acrescentou ele, “está em campo desde as primeiras horas da manhã, especialmente nas áreas mais atingidas, com o objetivo principal de auxiliar no resgate de vítimas presas sob os escombros, ao mesmo tempo em que busca pessoas desaparecidas em locais indicados por familiares e amigos”.

O impacto psicológico do desastre

O impacto psicológico do desastre — incluindo a ansiedade generalizada e a incerteza causadas pelas contínuas réplicas de intensidades variadas previstas para os próximos dias — tornou-se outra grande prioridade para a Cáritas Venezuela. “Como Cáritas e como Igreja Católica”, disse o Arcebispo Azuaje, “estamos tentando ajudar a todos na medida do possível, para que possam encontrar esperança e, sobretudo, superar a crise psicológica e emocional que, infelizmente, traz incerteza e muitas outras consequências negativas para a vida das pessoas.”

Um apelo por ajuda

O presidente da Cáritas Venezuela fez um apelo a toda a comunidade nacional e internacional para que contribua com doações financeiras, bem como com alimentos não perecíveis, suprimentos médicos, equipamentos de primeiros socorros e quaisquer outros recursos que possam ajudar a responder ao desastre.

“É nisso que estamos trabalhando”, disse ele, “e, acima de tudo, estamos incentivando a sociedade civil, as empresas privadas e os órgãos governamentais a unirem forças para que todos possam contribuir para enfrentar a situação difícil que nosso país atravessa.”

Uma oração pela Venezuela

O Arcebispo Azuaje concluiu expressando gratidão pela compaixão e caridade cristãs demonstradas pelas muitas instituições e países que se solidarizaram com o povo venezuelano durante este momento difícil.

“Pedimos a todos”, disse ele, “que rezem por este país, por todos aqueles que estão sofrendo e também por aqueles que estão ajudando, para que o Senhor conceda força e ânimo — especialmente àqueles que escavam os escombros — para continuarem trabalhando pelo bem de tantas pessoas.”

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/caritas-venezuela-prioridade-sao-os-feridos-e-sobreviventes/


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