Deus jamais deve ser invocado como justificativa para a guerra, frisa Papa

  • 16/06/2026

Em resposta a leitor da Revista Praça São Pedro, Leão XIV salienta que a paz de Cristo é “desarmada e desarmante” e que a missão da Igreja é invocá-la

Da Redação, com Vatican News

Foto: Canva

Por que o homem escolhe o ódio e não o amor? Foi a esse questionamento que o Papa Leão XIV respondeu na atual edição da Revista Praça São Pedro.

A publicação mensal traz a carta de Raffaele da Catania que, frente ao horror da guerra, pergunta ao Pontífice: “Como se pode derramar sangue inocente invocando Deus? Como se pode transformar um nome que deveria unir em um instrumento de divisão e morte?”.

Em sua resposta, o Santo Padre recorda as vítimas inocentes causadas por mísseis, drones e armas na Ucrânia, assim como no Oriente Médio e em outras partes do mundo. “Desde o início do meu ministério, invoquei o dom de uma paz ‘desarmada e desarmante, humilde e perseverante’”, citou.

Leão XIV salientou que esta paz nasce de Cristo e deve ser testemunhada pela Igreja, que se empenha em pregar o diálogo. “Não pode ser de outra forma”, sublinhou.

Missão da Igreja é invocar a paz

Segundo o Papa, isso pode não agradar a alguns poderosos deste mundo, que tentarão fazer distinções e encobrir as próprias intenções com justificativas religiosas. “Mas a missão da Igreja, a missão do Sucessor de Pedro, não pode ser outra senão invocar a paz”, reiterou.

O Pontífice frisou ainda que a Igreja deve “denunciar com veemência quem ousa associar o nome de Deus a ações de guerra”. Ele assinalou que o nome do Senhor não pode ser profanado pela vontade de domínio, pela prepotência e pela discriminação e jamais deve ser invocado para justificar escolhas e ações de morte — uma tentação que, infelizmente, também atinge quem se professa cristão.

Seguindo sua orientação de desarmar as palavras, o Santo Padre exorta os fiéis a agirem para evitar que as palavras da fé sejam arrastadas para a luta política, a fim de “abençoar o nacionalismo e justificar religiosamente a violência e a luta armada”. Por fim, convida-os a “cultivar a oração, a espiritualidade, o diálogo ecumênico e inter-religioso como caminhos de paz e linguagens de encontro entre tradições e culturas”.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/leao-xiv/deus-jamais-deve-ser-invocado-como-justificativa-para-a-guerra-frisa-papa/


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