Domingo do Mar: cardeal alerta para isolamento e frisa presença humana

  • 24/06/2026

Em mensagem para o Domingo do Mar, Cardeal Michel Czerny aponta que proximidade humana tornou-se mais rara e frisa que o mar une os povos

Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Foto: Canva

O Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral divulgou uma mensagem para o Domingo do Mar, que este ano será celebrado em 12 de julho. A data, instituída em 1975, é celebrada anualmente no segundo domingo de julho.

Na mensagem, intitulada “Para além da Carga e do Comércio: O Rosto Humano do Mar”, o prefeito do Dicastério, Cardeal Michael Czerny, destaca os complexos desafios que os trabalhadores marítimos enfrentam hoje, visto que o mar está “cada vez mais marcado por tensão, insegurança, guerra e medo”.

“Muitos tripulantes não só enfrentam os perigos inerentes ao mar e às vias navegáveis, como também têm sido recentemente afetados por conflitos armados que resultaram praticamente no seu confinamento a bordo, na escassez de alimentos e até no receio pela própria vida. Esta situação tem agravado o seu sentimento de solidão, o seu isolamento em relação à sociedade em geral, a separação dos seus entes queridos e o seu desgaste emocional”, destacou.

Ele lembra que a vida no mundo continua a passar pelos mares e vias navegáveis do planeta, e por detrás de todos os negócios marítimos existem trabalhadores e comunidades, cujo trabalho sustentam nações e apoiam famílias em todos os continentes. “A crise do Estreito de Ormuz veio recordar ao mundo quão profundamente a humanidade depende do mar e daqueles que nele trabalham”.

“No Domingo do Mar, a Igreja Católica recorda esses homens e mulheres não apenas pelo trabalho que desempenham ou pelos bens que transportam, mas como pessoas humanas criadas à imagem e semelhança de Deus e dotadas de uma dignidade inviolável”, explica na mensagem.

Isolamento silencioso

O cardeal destacou o paradoxo de, numa era de maior comunicação digital, muitos marítimos vivem um isolamento cada vez mais profundo. “A proximidade humana torna-se mais rara”, sinalizou. 

“As pessoas precisam mais do que sistemas eficientes ou palavras distantes. Precisam de presença. Precisam de saber que são lembradas, acolhidas, escutadas e amadas”, enfatizou.

Como destaca a encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, os sistemas tecnológicos e econômicos jamais devem reduzir as pessoas a “um dado, uma peça de engrenagem ou uma mercadoria” (n.º 180).

Ao contrário, a dignidade e a liberdade humanas devem ser preservadas. “Um navio nunca deve, portanto, tornar-se um lugar de isolamento silencioso ou de indiferença, uma Babel moderna onde as pessoas vivem lado a lado, mas permanecem invisíveis e sem voz”.

O oceano une os povos

Por outro lado, a vida marítima pode ser um testemunho vivo do modo como pessoas de diferentes nações, culturas e crenças são capazes de viver a fraternidade, a solidariedade, o respeito mútuo e uma interdependência pacífica. “O próprio mar ensina, de muitas formas, à humanidade que pertencemos uns aos outros. Os oceanos não dividem os povos; unem-nos.”, salientou.

O cardeal lembrou que, todos os dias, aqueles que trabalham nos mares e nas vias navegáveis tornam-se pontes entre nações, e suas vidas testemunham a possibilidade duradoura de cooperação, solidariedade e convivência pacífica. Ao mesmo tempo, o mar convida a humanidade a uma reflexão mais profunda.

“Os oceanos não são apenas rotas comerciais ou fontes de riqueza econômica; fazem parte da criação de Deus, confiada à responsabilidade e ao cuidado humanos. Alimentam populações, asseguram meios de subsistência e recordam-nos tanto a beleza como a fragilidade da nossa casa comum”, ressaltou o cardeal, lembrando da poluição e degradação ambiental nos mares.

Contudo, este não é apenas um problema da vida marinha ou dos trabalhadores marítimos, pois “quando os oceanos sofrem, a humanidade sofre com eles”. “É responsabilidade de todos proteger a vida marinha, promover práticas éticas e sustentáveis, defender a dignidade e a segurança dos trabalhadores marítimos e desenvolver um espírito de responsabilidade global para cuidar dos nossos mares”.

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.: Íntegra da mensagem 

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/domingo-do-mar-cardeal-alerta-para-isolamento-e-frisa-presenca-humana/


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