Educação dos filhos exige "menos tecnologia e mais família", diz bispo

  • 21/04/2026

Na 62ª Assembleia Geral, presidente da Comissão para a Vida e Família destaca como diálogo e novos itinerários da CNBB podem auxiliar o matrimônio cristão

Thiago Coutinho
Enviado especial a Aparecida (SP)

As respostas para um bom matrimônio podem ser encontradas na Amoris Laetitia, afirma Dom Bruno Eliseu Versari / Foto: Bruno Marques

Educar filhos se tornou uma missão complexa, reconhece Dom Bruno Eliseu Versari, bispo diocesano de Ponta Grossa (PR) e Presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Participando da 62ª Assembleia Geral da CNBB, no Santuário Nacional de Aparecida, ele explicou como a exortação apostólica Amoris Laetitia, assinada pelo finado Papa Francisco, pode ser um guia para a educação parental contemporânea.

“Eu acho que um grande desafio é os pais educarem os filhos na fé que eles foram educados”, contextualiza Dom Bruno. “O documento do Santo Padre [Amoris Laetitia] fala da importância da família na vida dos filhos. A família tem a primeira experiência de Igreja doméstica. A Igreja doméstica que a criança, que o filho experimenta em casa, ali ele experimenta a dimensão do amor, ele experimenta a dimensão do servir, ali ele aprende os primeiros valores da fé, ali ele desenvolve a convivência com os demais”, completa.

Menos tecnologia e mais família

O presidente da Comissão Episcopal para a Vida também citou um empecilho às famílias no mundo moderno: a tecnologia. Para Dom Bruno, é preciso mais família e menos tecnologia — embora o prelado reconheça a importância que a modernidade traz à vida cotidiana. “A tecnologia entrou na vida de todos e atinge também a família. Às vezes, os filhos não têm tempo para encontrar com os pais e vice-versa. Os pais também não têm tempo para encontrar com os filhos. Eu digo assim que isso é fundamental, sabe?”, indaga.

É fundamental, de acordo com o religioso, que os filhos já tenham em casa a vivência de um matrimônio sadio. Só assim poderão reproduzir este comportamento na vida adulta. “Primeiro eles têm que fazer a experiência em casa da vivência do matrimônio, da vivência do amor dos pais, porque a experiência, a ideia que os filhos têm de matrimônio é aquela que eles veem dos seus pais. O Santo Padre insiste em que essa igreja doméstica, essa experiência do amor que os filhos aprendem em casa, eles levam para a vida”, pondera Dom Bruno.

A fim de facilitar este caminho aos jovens, o bispo diocesano de Ponta Grossa explica que a CNBB redigiu itinerários que dão um norte para entender como seguir neste caminho. “Esse valor deve ser cultivado, valorizado em todo o tempo. E a família é o ambiente apropriado para essa experiência do amor que une as pessoas, que se fortalece, que se ajuda e que extrapola esse ambiente de família e se torna comunidade”, diz. “Aí está o valor da Igreja, quando o amor vivido no espaço familiar projeta para o amor de comunidade com outras pessoas. E ali eles se tornam comunidade, se tornam igreja, aquilo que é doméstico agora é comunitário”, reitera.

Uma década depois

A exortação apostólica Amoris Laetitia foi publicada há uma década. Para Dom Bruno, esses dez anos não tornam o documento menos atual — muito pelo contrário. Casamentos que por razões diversas acabam não funcionando podem encontrar ali no documento ensinamentos profundos e abrangentes. “A Igreja é mãe”, assegura o prelado. “Ela acolhe, como podemos atestar no oitavo capítulo da Amoris Laetitia. Acolhe casais que, por alguma razão, não deram certo”.

Trazendo este conceito à realidade paroquial, Dom Bruno citou mais uma vez os itinerários redigidos pela Comissão Episcopal para a Vida e a Família da CNBB. “Preparamos um itinerário para o tempo de namoro, nesse período de conhecimento de um ao outro. Tendo realizado o sacramento do matrimônio, também oferecemos itinerário para aqueles recém-casados, porque é uma nova experiência. Antes viviam só, ou viviam com uma experiência de família, agora se propõem a construir uma experiência em que vão dividir a vida, que é o casamento”.

Para o bispo, é necessário que o matrimônio seja permeado pelo diálogo, pela espiritualidade e pela vida de oração. “A Amoris Laetitia se volta à família, em todas as situações, em todas as circunstâncias para dizer: vale a pena cultivar neste ambiente a dimensão da fé, a dimensão da esperança, o amor que une as pessoas, viver na Igreja, viver na comunidade. Então é um despertar para aqueles que querem viver a fé católica, que querem viver a fé em Jesus, fazer o itinerário com a família e a família cristã”, finaliza.

Para acompanhar a cobertura, acesse todas as notícais da 62ª Assembleia Geral da CNBB.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/brasil/assembleia-cnbb/educacao-dos-filhos-exige-menos-tecnologia-e-mais-familia-diz-bispo/


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