Enviado do Papa leva carinho e ajuda aos ucranianos
- 30/10/2026
Bispo encarregado da caridade do Papa, Dom Luis Marín cumpre seu último dia de visita à Ucrânia, onde levou conforto e a ajuda de Leão XIV à população
Da Redação, com Vatican News

Registro de destruição após ataque russo em dormitório estudantil em Dnipro com drone / Foto: Mykola Miakshykov/Ukrinform ZUMA Press Wire via Reuters
Rostos e histórias marcados pela dor, mas também tocados pela caridade. Este é o cenário que o prefeito do Dicastério para o Serviço da Caridade, Dom Luis Marín de San Martín, encontrou na Ucrânia nestes dias de sua viagem ao país, que termina nesta sexta-feira, 30. Ele foi enviado pelo Papa Leão XIV ao país que sofre com a guerra.
A pequena comitiva foi recebida pelo bispo auxiliar da Diocese latina de Kharkiv-Zaporizhzhia, Dom Jan Sobilo, na quarta-feira, 28. A cidade vive sob bombardeio constante, com alarmes que soam sem parar, barulho de drones, explosões e disparos de artilharia. Em muitas residências, os sinais da guerra são visíveis nos vidros quebrados pelas explosões, enquanto a população sofre com a fome.
Distribuição de alimentos
Na manhã de ontem, foi celebrada a Missa na Catedral de Deus Pai Misericordioso, com a participação de cerca de cem fiéis. Em seguida, o esmoleiro apostólico juntou-se aos Padres Albertinos na distribuição de pão – eles já fazem isso todas as semanas. No ano passado, inclusive, o Papa doou o forno para a preparação do alimento, equipamento que também é utilizado pelos protestantes para preparar pão para as comunidades que assistem.
Após a distribuição dos alimentos para as cerca de duas mil pessoas que esperavam na fila em meio ao frio – entre elas, sobretudo, muitas crianças sozinhas – o grupo visitou a casa onde os voluntários preparam os pães. Dom Luis abençoou os religiosos, os voluntários e as aproximadamente vinte pessoas idosas e com deficiência acolhidas na casa, deixando uma ajuda concreta em nome da caridade do Papa.

Momentos da visita de Dom Luis e comitiva à Ucrânia / Foto: Reprodução Vatican News
Visita a escolas
Outro momento da viagem foi a visita ao centro humanitário do Exarcado de Donetsk da Igreja Greco-Católica Ucraniana, localizado na periferia de Zaporizhzhia. O grupo foi recebido pelo exarca, o bispo greco-católico Maksym Ryabukha.
No centro, ligado à igreja da Mãe de Deus do Perpétuo Socorro, funcionam uma creche e a escola primária Dom Bosco. Na primeira instituição – em instalações subterrâneas, protegidas dos bombardeios – são acolhidas crianças de dois a cinco anos. A escola primária também funciona no subsolo. As salas de aula não têm janelas, mas são alegradas por inúmeros desenhos. Nos andares superiores, tudo está preparado para o dia em que finalmente chegará a paz. O esmoleiro apostólico também deixou ali uma ajuda em nome do Papa.
A ajuda aos deslocados
A longa jornada terminou em Poltava, entre Kharkiv e Dnipro, cidade alcançada após três horas de viagem de carro.
O Exarcado de Donetsk da Igreja Greco-Católica Ucraniana abrange um território muito extenso, que inclui Donetsk, Zaporizhzhia, Dnipropetrovsk e Luhansk. Algumas dessas regiões estão próximas da linha de frente.
Os sacerdotes presentes relataram as necessidades de suas comunidades, especialmente das pessoas deslocadas internamente e daquelas que fogem dos vilarejos bombardeados. Muitas chegam sem absolutamente nada, trazendo apenas uma pequena bolsa com todos os seus pertences.
Entre as necessidades mais urgentes estão medicamentos, roupas quentes para o inverno, geradores para aquecimento e fraldas. O esmoleiro apostólico também levou a essas pessoas a ajuda concreta do Papa. Como afirma Leão na Exortação Apostólica Dilexi te, a caridade “é uma força que transforma a realidade, uma autêntica potência histórica de mudança”, que nasce da escuta do “grito de povos inteiros, dos povos mais pobres da terra”.
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