Exéquias de bispo assassinado em Quelimane começam nesta sexta
- 09/06/2026
Assassinato de Dom Osório Afonso no último sábado, 6, chocou toda a Igreja e a sociedade moçambicana; autoridades religiosas enviaram mensagens de pesar
Da redação, com agências

Dom Osório Citora Afonso / Foto: site Consolata
As exéquias de Dom Osório Citora Afonso, 54 anos, bispo da Diocese de Quelimane, Moçambique, serão realizadas nesta sexta-feira e sábado, 12 e 13 de junho, conforme comunicado da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM).
O bispo, também secretário-geral da Conferência Episcopal de Moçambique e administrador apostólico da arquidiocese da Beira, foi assassinado no último sábado, 6.
Dom Osório foi encontrado morto nas instalações da residência episcopal, atingido por vários tiros disparados na região do peito e do coração, conforme informações do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC). Até o momento, não houve prisões nem confirmação sobre a motivação do assassinato. As autoridades também não estabeleceram qualquer ligação entre o crime e a ação dos grupos extremistas que atuam no norte do país.
“As exéquias de Dom Osório Citora Afonso (…) serão realizadas com a observação de todas as prescrições canónico-litúrgicas para o bispo diocesano”, lê-se na nota episcopal.
Programação das exéquias
Segundo o programa, na sexta-feira, 12, às 9h (hora local), será celebrada a Missa de corpo presente na Paróquia de Nossa Senhora do Livramento – Sé Catedral de Quelimane. A celebração será presidida pelo Núncio Apostólico em Moçambique, Dom Luís-Miguel Muñoz Cárdaba. Em seguida, a urna contendo os restos mortais de Dom Osório será levada para a cidade de Nampula, onde ocorrerá o funeral familiar.
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No sábado, às 10h (hora local), o Arcebispo Metropolitano de Nampula, Dom Inácio Saúre, irá presidir a Missa de corpo presente na Catedral de Nampula. Em seguida, o corpo será sepultado no Cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula, junto ao Seminário Propedêutico Mater Apostolorum.
“Neste momento de dor, unimo-nos à Igreja universal, e à moçambicana em particular, em oração e ação de graças a Deus pela vida e missão de Dom Osório, e pela consolação das suas famílias de sangue e religiosa”, conclui a nota da CEM convidando todos os fiéis e pessoas de boa vontade a viver este tempo com espírito de fé, esperança e comunhão, e confiando a alma de Dom Osório ao Senhor da Vida, que nunca abandona os Seus servos fiéis.
Condolências
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua presidência, publicou nesta segunda-feira, 8, uma “Mensagem de Condolência e solidariedade ao Episcopado de Moçambique e à Diocese Quelimane”.
Na mensagem, a CNBB afirma ter recebido com “grande pesar a notícia deste ato de violência que ceifou a vida de um pastor dedicado ao serviço do Evangelho, da Igreja e do povo moçambicano”.
“Neste momento de dor, elevamos nossas orações ao Senhor da Vida para que acolha Dom Osório em sua paz eterna e conceda conforto, esperança e fortaleza à Diocese de Quelimane, à Arquidiocese da Beira, ao episcopado de Moçambique, aos familiares e a todos os fiéis que choram sua partida.”
Missionários da Consolata
O Superior Geral deste instituto missionário, padre James Lengarin, publicou uma mensagem, na qual afirma que a morte de Dom Osório os abalou profundamente e deixou “uma dor difícil de expressar”.
“Osório era um de nós. Um irmão simples, sorridente, capaz de caminhar entre as pessoas sem defesas, com a única força da Palavra de Deus. Um missionário que nunca deixou de acreditar na bondade das pessoas, na paz, na reconciliação. Um pastor que se deixou consumir pelo serviço, até ao último dia”.
Na mensagem, o superior da congregação pede três coisas: oração pelo bispo e por toda Igreja de Moçambique, que os missionários permaneçam unidos e que haja o desejo de que esse crime seja esclarecido.
“A morte de um pastor não pode permanecer envolta em silêncio ou incerteza. A verdade é um ato de justiça para com Osório, para com o seu povo e para com a nossa própria missão”.
Canção Nova em Moçambique
A Comunidade Canção Nova presente em Moçambique também expressou seu pesar pela morte de Dom Osório. Em nota divulgada em suas redes sociais no domingo, 7, os missionários afirmam que esse ato de violência “chocou toda a Igreja e a sociedade moçambicana”.
“Que o Senhor o acolha em Sua misericórdia e conceda conforto aos familiares, ao clero, aos religiosos e a todos os fiéis da Diocese de Quelimane. Rezemos para que a paz de Cristo vença toda forma de violência e para que a verdade sobre este triste acontecimento seja esclarecida”.
Quem foi Dom Osório
Nascido em 1972, Dom Osório Citora Afonso ingressou nos Missionários da Consolata e foi ordenado sacerdote em 2002. Realizou estudos em Roma e Jerusalém e dedicou sua vida ao serviço missionário e pastoral.
Antes de assumir a Diocese de Quelimane, foi bispo auxiliar de Maputo e colaborou com o Dicastério para a Evangelização, no Vaticano. Sua trajetória ficou marcada pelo compromisso com a evangelização, a promoção da paz e o diálogo entre os povos.
Seu último apelo público, pronunciado poucas horas antes de sua morte, permanece como um testemunho de fé e fraternidade: “Que a religião não nos divida, mas nos una.” (biografia extraída do site dos missionários da Consolata).
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