Felipe Aquino incentiva leitura da Dei Verbum: renova e fortalece a fé

  • 08/07/2026

Ao comentar catequeses do Papa Leão XIV sobre a Dei Verbum, professor de História da Igreja explica como a Constituição Dogmática revela o amor de Deus

Julia Beck
Da Redação

Mãos entrelaçadas em oração sobre uma Bíblia aberta, simbolizando um momento de fé, meditação e leitura da Palavra de Deus.

Oração e leitura da Bíblia /Foto: Canva

Após concluir as reflexões do Ano Jubilar da Esperança (2025–2026), dedicadas aos mistérios da vida de Jesus e iniciadas pelo Papa Francisco, o Papa Leão XIV inaugurou um novo ciclo de catequeses sobre o Concílio Vaticano II. A proposta é redescobrir os principais documentos conciliares por meio de sua leitura atenta, deixando de lado interpretações superficiais e “boatos”, como afirmou o próprio Pontífice.

Para abrir esse percurso, Leão XIV escolheu a Constituição Dogmática Dei Verbum, dedicada à Revelação Divina. Durante a pausa de verão do Papa, iniciada nesta semana, o noticias.cancaonova.com publica uma série especial sobre os documentos já aprofundados pelo Santo Padre nas catequeses. Nesta primeira reportagem, relembre os principais ensinamentos da Dei Verbum e sua importância para a vida da Igreja e dos fiéis.

“Primavera da Igreja”

O Concílio Vaticano II (1962–1965) foi o mais importante acontecimento da Igreja no século XX. O professor de História da Igreja Felipe Aquino explica que dele resultaram 16 documentos — quatro Constituições, nove Decretos e três Declarações — que, segundo ele, ainda não foram plenamente assimilados pelos católicos.

“Todos os Papas desde o Concílio (S. Paulo VI, Beato João Paulo I, São João Paulo II, Bento XVI, Francisco) o valorizaram muito, e o aplicaram em seus pontificados, inclusive agora Leão XIV”, frisa.

São João Paulo II definiu o Concílio como “a Primavera da Igreja”. Para Aquino, essa expressão traduz os frutos deixados pelo evento, que renovou a Liturgia, a Catequese, a leitura da Bíblia e impulsionou movimentos e iniciativas eclesiais, como o Cursilho, os Encontros de Jovens, os Encontros de Casais, os Focolares, a Renovação Carismática, os cursos de preparação para os Sacramentos, as inúmeras comunidades de leigos consagrados e uma participação mais ativa dos fiéis na missão evangelizadora.

“Eu, que vivi antes do Concílio, posso testemunhar isso, os leigos foram chamados a evangelizar, o que pouco acontecia antes do Concílio”, comenta o professor.

Para Aquino, o fato de Leão XIV retomar os documentos conciliares confirma a atualidade do Vaticano II e reforça um apelo feito por São João Paulo II: “ainda estamos em dívida com o Concílio Vaticano II”. “Ainda não absorvemos e aplicamos os seus ensinamentos. Infelizmente os tais ‘progressistas’ na Igreja desprezaram os seus ensinamentos e os ‘tradicionalistas’ o rejeitaram; agora o Papa o retoma, graças a Deus”, frisa.

Revelação Divina

Professor Felipe Aquino /Foto: Bruno Marques

Para Felipe Aquino, a escolha da Dei Verbum para abrir o novo ciclo de catequeses evidencia a centralidade da Revelação Divina na vida da Igreja. Segundo o professor, o documento apresenta a forma como Deus continua se comunicando com a humanidade por amor.

“É uma Constituição Dogmática que apresenta a Revelação divina, onde Deus se revela ao homem pelo amor que tem por nós. É como Deus fala conosco pela Sua Palavra, pela Tradição Apostólica e pelo Sagrado Magistério que conduz o Seu povo para ‘a verdade que salva’ (cf. Cat. n. 851). A Dei Verbum mostra o carinho de Deus para com a humanidade”, ressalta.

Ao refletir sobre as catequeses do Papa, Aquino destaca que a oração ocupa lugar central nesse processo. Segundo ele, Leão XIV recorda que é por meio do diálogo íntimo com Deus, sustentado pela Palavra, pela Tradição e pelo Magistério, que os fiéis experimentam o amor divino e respondem a esse amor. “Pelo estudo da Dei Verbum e pela oração, nossa fé é renovada e fortalecida”.

Fé nasce da Revelação

Em outra catequese dedicada à Dei Verbum, Leão XIV afirmou que “ao seguir Jesus até o fim, o cristão chega à certeza de que nada pode separá-lo do amor de Deus”. Para Aquino, essa convicção nasce justamente do aprofundamento da Revelação Divina.

“Estudando com profundidade a Dei Verbum, a nossa fé se torna robusta, porque conhecemos a Sua fonte, a força vivificante da Palavra de Deus, os ensinamentos profundos que chegaram até nos pelo Magistério da Igreja e pela Sagrada Tradição, guiados infalivelmente na doutrina (fé e moral). Isso nos dá a certeza de que Deus nos ama e não nos abandona nunca e que nada poderá nos separar do amor de Cristo, ‘nem a tribulação, nem a angústia, nem a perseguição, nem a fome, nem a nudez, nem o perigo, nem a espada’ (Rm 8,35). A Dei Verbum fortalece a nossa vida cristã e nos anima a amar Deus com mais devoção e amar os irmãos com mais caridade”, sublinha.

Tripé da Revelação

Outro aspecto recorrente nas catequeses do Santo Padre é a estreita relação entre a Sagrada Escritura, a Tradição e o Magistério da Igreja. Para Felipe Aquino, esse é um dos ensinamentos centrais da Dei Verbum.

“A Dei Verbum mostra que este é o tripé sobre o qual Jesus instituiu a Sua Igreja, e que, se um deles for desprezado, os outros não se sustentam. É o Sagrado Magistério, instituído sobre Pedro e os Apóstolos, quem interpreta, sem erro, a Bíblia e a Tradição. O nosso Catecismo diz que: ‘Cristo dotou os Pastores do carisma da infalibilidade em matéria de fé e costumes’ (n. 890), para ‘proteger o povo dos desvios e das quedas e garantir-lhes a possibilidade objetiva de professar, sem erro, a fé autêntica’ (idem)”, destaca.

Palavra que ilumina a vida

Ao incentivar os fiéis a retomar a leitura da Bíblia, Leão XIV também evidencia outro tema fundamental da Dei Verbum: a centralidade da Palavra de Deus na vida cristã. Para Aquino, a Constituição oferece os critérios necessários para compreender corretamente a Sagrada Escritura e aprofundar a experiência de fé.

“A Dei Verbum nos ensina a conhecer a Bíblia, o que é a inspiração divina com que os hagiógrafos (autores sagrados) escreveram; os gêneros literários que eles usaram (poemas, parábolas, contos, midraxe, apocalipse, genealogias, etc.); como interpretar a Sagrada Escritura, a história da salvação no Antigo Testamento, a sua importância, a unidade dos dois Testamentos, a origem apostólica e a índole história do Novo Testamento, a traduções corretas e adequadas da Bíblia, o empenho dos estudiosos e especialistas para entender melhor a Revelação de Deus, a importância das ciências para isso (paleontologia, arqueologia, línguas antigas, química, etc.) e a importância de tudo isso para a Teologia”.

Ao escolher a Dei Verbum para inaugurar seu novo ciclo de catequeses sobre o Concílio Vaticano II, o Papa Leão XIV convida toda a Igreja a redescobrir a riqueza da Revelação Divina. Para Felipe Aquino, revisitar esse documento significa fortalecer a fé, renovar a experiência de encontro com Deus e compreender, com maior profundidade, como a Palavra continua iluminando a vida da Igreja e dos fiéis.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/felipe-aquino-incentiva-leitura-da-dei-verbum-renova-e-fortalece-a-fe/


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