Férias de julho: veja como equilibrar uso de telas e convivência em família

  • 02/07/2026

Especialista indica férias escolares como oportunidade para fortalecer vínculos afetivos com os filhos, mesmo com a rotina de trabalho, e orienta sobre uso das telas 

Kelen Galvan
Da redação

“É possível que esse momento das férias seja uma base para os pais criarem um laço afetivo muito maior com as crianças”, indica psicóloga / Foto: Canva

Julho marca o período de férias escolares no Brasil. Enquanto as crianças aproveitam o recesso, a maioria dos pais continua trabalhando e enfrenta o desafio de conciliar a rotina profissional com momentos de convivência em família, evitando o excesso de telas e fortalecendo os vínculos com os filhos.

Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Luana Fiuza da Silva Henrique, estudos científicos na área de neuropsicologia comprovam que, quanto mais tempo de qualidade as crianças têm com os pais — principalmente na primeira infância —, maior tende a ser sua base emocional, favorecendo que se tornem adultos mais seguros e com menos ansiedade.  

“Geralmente os pais não entram de férias junto com as crianças, mas é importante que o pai e a mãe se determinem todos os dias a ter um momento específico com os filhos. Seja na hora do almoço, quando chegar do trabalho, ao amanhecer ou antes de dormir. É possível que esse momento das férias seja uma base para os pais criarem um laço afetivo muito maior com as crianças”, indica.

Desafio diário

Gabrielle Capucho com sua família / Foto: Arquivo Pessoal

A analista contábil Gabrielle Rosa Bueno Capucho, mãe de duas crianças, de 6 e 2 anos, afirma que, durante as férias, conta com o apoio da família. A filha passa o dia com a avó paterna, enquanto o filho mais novo participa da colônia de férias da escola.

Contudo, ela confessa que reservar um tempo diário com as crianças é um de seus maiores desafios. “Durante a noite, nem sempre consigo estar tão presente quanto eles gostariam para brincar ou dar toda a atenção que merecem, porque ainda temos a ‘segunda jornada’ em casa: preparar as marmitas, organizar as mochilas e deixar tudo pronto para o dia seguinte”.

Mesmo assim, Gabrielle procura priorizar a qualidade do tempo que passa com as crianças. “Não é sobre a quantidade de horas, mas sobre fazer esses momentos valerem a pena. Fazemos questão de jantar todos juntos, participo da rotina de colocá-los para dormir e, nos fins de semana, buscamos aproveitar ainda mais a companhia um do outro. Ir à Missa em família e passar um tempo na casa da avó são momentos simples, mas que fortalecem nossos laços e criam lembranças especiais”, destaca.

Na avaliação da psicóloga, essa presença e responsabilidade materna e paterna é insubstituível, pois mesmo com o suporte de outras pessoas é importante estar “presente ativamente” na vida dos filhos.

Tempo de qualidade

A dica é transformar momentos simples em oportunidades de conexão com os filhos, explica Luana. Com essas iniciativas, esses momentos de convivência formarão memórias afetivas na vida da criança e, com isso, ela terá essa base emocional bem estruturada.

“Independente de quanto tempo os pais tenham, o mais importante é a qualidade do tempo que ele dá para o seu filho. Você pode ficar 15 minutos por dia, mas precisa ser inteiro nesse tempo. Quem tiver aptidão para brincar, brinque de jogos de tabuleiro, de quebra-cabeça, de faz de conta, de esconde-esconde. Quem só tem um tempo para estar na cozinha, chame seu filho para fazer a comida junto com ele, e transformar em um momento prazeroso”, sugere a psicóloga.

Orientação para o uso das telas

Luana Fiuza / Foto: Arquivo Pessoal

Durante as férias escolares o uso de telas tende a aumentar. No entanto, Luana esclarece: não é a tela o problema, mas como ela é usada, a quantidade de tempo em que ela é utilizada. Ela sugere que a criança não faça uso desse recurso por horas seguidas, mas que sejam estabelecidos horários e limites.

“Por exemplo, duas horas após ela acordar pela manhã. Espera ela despertar, tomar um bom café, inclua alguma atividade para a criança (um exercício, uma pintura ou leitura). Depois pode deixar ela usar a tela por meia hora ou uma hora. Terminou esse tempo, desliga. Faça esse compromisso com você mesmo ou com quem está cuidando da criança”.

Depois desse período, levar essa criança para tomar um banho (que é um momento de relaxamento) ou para brincar ao ar livre ou ainda para a cozinha, para contribuir no almoço, sugere a psicóloga.   

Ela indica ainda que, após o almoço, haja um período de descanso, com duas ou três horas sem tela. Se os responsáveis quiserem incluir a tela mais uma vez no dia, podem colocar mais uma hora após esse momento.  “Depois disso já será umas 16h/17h, leve a criança ao ar livre, para andar de bicicleta, para ter contato com outras crianças, porque já vai dando o tempo para ela entrar no ciclo natural do dia, no relógio biológico do dia. No entardecer do dia, ela vai ‘entardecendo’ junto e vai se acalmando, para se estruturar e ter uma boa higiene de sono”, afirma a psicóloga.

Nesse aspecto, ela enfatiza que não é indicado assistir tela depois das 18h. “Se sua criança vai dormir entre 20h e 20h30, o ideal é que essa criança tenha contato com telas até 17h30 no máximo, para que ela possa fazer uma boa higiene mental e consiga ter um sono de qualidade”. 

Por fim, a neuropsicóloga lembra que esse período de férias também é desafiante para a criança, pois ela também está fora de sua rotina. Sendo assim, destaca que o mais importante nesses dias é que os pais gerem segurança e paz para que os filhos vivam este tempo de forma positiva. 

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/brasil/ferias-de-julho-veja-como-equilibrar-uso-de-telas-e-convivencia-em-familia/


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