Igreja de Nossa Senhora da Candelária celebra 215 anos de sua sagração

  • 15/09/2026

Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária, responsável pela manutenção e preservação da igreja, promove programação especial para comemorar

Gabriel Fontana
Da Redação, com colaboração de Julia Beck

Igreja de Nossa Senhora da Candelária / Foto: Luis Alvaz via Wikimedia Commons

A Igreja de Nossa Senhora da Candelária, localizada no Rio de Janeiro (RJ), celebra os 215 anos de sua sagração neste mês de setembro.

Para comemorar este marco de um dos mais importantes pontos históricos, religiosos e culturais da capital fluminense, a Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária, responsável pela manutenção e preservação do templo, promove uma programação especial que reúne liturgia, seminário e música.

As comemorações tiveram início no domingo, 13, com procissão e Missa solene presidida pelo bispo emérito de Guanhães (MG), Dom Jeremias Antônio de Jesus. Nesta terça-feira, 15, a Sala de Cumprimentos recebe, às 9h, um seminário que reúne especialistas para abordar diferentes momentos e a trajetória da instituição.

A programação termina na quarta-feira, 16, com um concerto do Projeto Candelária, apresentado pela Orquestrando a Vida, de Campos dos Goytacazes, às 18h.

Missão de preservar

Segundo o provedor da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária, Antonio Soares da Silva, celebrar os 215 anos da Sagração da Candelária é olhar para uma história que permanece viva. “A data nos permite recordar nossas raízes, mas também reafirmar um compromisso que atravessa gerações: preservar esse patrimônio e manter a igreja como um espaço de fé, cultura, acolhimento e serviço à sociedade”, afirma.

A Irmandade é responsável pelos projetos de preservação do templo, a restauração dos vitrais históricos e a manutenção de imóveis pertencentes, como o antigo Hospital Frei Antônio. Outro patrimônio de grande relevância é o Arquivo Histórico da Candelária, que reúne documentos e outros registros que ajudam a contar não apenas a trajetória da instituição, mas também diferentes capítulos da história do Rio de Janeiro.

“Preservar um patrimônio como a Candelária significa preservar a memória de uma cidade e de várias gerações que ajudaram a construir sua história. Por isso, nosso trabalho não se limita à conservação física do templo. Temos também a responsabilidade de proteger documentos, obras de arte e conhecimentos que permitem às futuras gerações compreender esse legado”, destaca Antonio.

O início da construção da igreja remete ao século XVIII. Desde então, o tempo acompanhou todas as reformas promovidas pela Igreja ao longo das últimas décadas, observa o provedor. “Uma construção que teve início em 1775 exige muitos desafios para ser preservada. A Igreja da Candelária é tombada pelo IPHAN e mantemos diálogo constante com o órgão de preservação”, reconhece.

História ligada à do Rio de Janeiro

Dom Jeremias Antônio sublinha que, para a Igreja, é motivo de júbilo e de grande exaltação celebrar o aniversário de 215 anos do templo. “É valorizar a memória e o legado que homens e mulheres do passado confiaram às gerações vindouras, como, por exemplo, louvar e adorar o Santíssimo Sacramento e celebrar a presença materna da Mãe de Jesus entre nós”, manifesta.

O bispo sublinha que a história da Igreja da Candelária está diretamente ligada à do Rio de Janeiro. “A história da Candelária se mistura com a evolução da identidade carioca, revelando que a Igreja sempre foi um pilar muito importante na sociedade”, afirma, “nos mostrando que a Igreja nunca esteve ou quis ficar isolada, mas sim no meio dos acontecimentos sociais, econômicos e culturais”.

Mais do que as visitas dos turistas, Dom Jeremias salienta que uma igreja histórica permanece viva quando é habitada pela oração e pela celebração dos sacramentos. Há desafios a serem enfrentados, como as mudanças no fluxo de pessoas dentro da cidade e a própria preservação do templo, mas a missão evangelizadora não pode parar.

Presença mariana no centro da cidade

Professora de História da Arte na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Márcia Valéria Rosa sempre inclui a visita à Igreja da Candelária no conteúdo programático de sua disciplina.

Ela reconhece a atuação da igreja na história religiosa da capital fluminense, representando uma emblemática presença cristã mariana no centro da cidade. “Posicionada para o sol nascente, seguindo a tradição construtiva, sua localização geográfica estabelece uma convergência de duas grandes vias, favorecendo a propagação de sua luz mariana para todos os pontos da cidade”, observa.

Após o doutorado em que versou sobre o acervo da Candelária, Márcia Valéria foi indicada pela diretoria da Irmandade para fazer parte dela. “Isso muito me orgulha, por possibilitar contribuir com a valorização do acervo artístico, histórico e arquivístico”, conclui.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/igreja-de-nossa-senhora-da-candelaria-celebra-215-anos-de-sua-sagracao/


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