Igreja debate ética na IA: "Rosto e voz humanos são sagrados"

  • 16/05/2026

Dom Valdir José de Castro destaca a missão da Igreja em proteger as vozes das periferias e incentivar o discernimento crítico diante das novas tecnologias

Thiago Coutinho
Da redação

Dia Mundial das Comunicações reforça a importância do discernimento humano e religioso no uso da Inteligência Artificial / Foto: Headway por Unsplash

Neste domingo, 17, data que antecede a solenidade de Pentecostes, a Igreja Católica recorda o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais. “Preservar vozes e rostos humanos” foi o tema escolhido, focado na tão propagada Inteligência Artificial e seus desdobramentos no comportamento e nas atividades da sociedade contemporânea.

Para conversar sobre o tema, o presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, Dom Valdir José de Castro, bispo de Campo Limpo (SP), conversou com o Canção Nova Notícias sobre o impacto da IA, o avanço das notícias falsas, as conhecidas deepfakes, e o impacto do uso das novas tecnologias midiáticas no mundo católico. Como a Igreja pode contribuir neste debate? Como ajudar a distinguir entre o que é uma ‘imagem construída’ e o que é a “verdade da pessoa humana”?

“O Papa Leão XIV enfatiza, na sua mensagem, que o rosto e a voz têm a ver com a identidade de uma pessoa, que foi criada à imagem e semelhança de Deus. Portanto, são sagrados. Não podem ser manipulados, como muitas vezes acontece com o auxílio da Inteligência Artificial”, afirma o religioso. “Nesse contexto, a Igreja deve insistir no valor da ‘humanidade’. Ela precisa estar no ambiente digital, utilizando de modo ético e responsável a Inteligência Artificial e, à luz da fé cristã, denunciar quando a Inteligência Artificial, de alguma maneira, é usada para deturpar identidades de pessoas e a própria realidade na qual vivemos”.

Um algoritmo mais justo

Os algoritmos, o raciocínio lógico por trás dos conteúdos regulados pelas redes sociais, muitas vezes, ignoram vozes que não são consideradas ‘rentáveis’ ou populares. Neste contexto, como a Igreja poderia contribuir para o debate público sobre uma regulação desses algoritmos e a maneira como são aplicados, de maneira que proteja as vozes das periferias e impeça que o rosto do próximo seja reduzido a meros dados estatísticos?

O prelado e presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB responde. “Infelizmente, os algoritmos entraram na lógica do mercado, transformando pessoas em meros consumidores passivos”, lamenta. “Fundamentam-se nos critérios da venda e do lucro, no que é rentável, e que dependem dos ‘likes’ e do engajamento, muitas vezes, distantes de critérios éticos. A Igreja tem a missão não só de proteger, mas de incentivar as vozes da periferia a não ficarem caladas e passivas diante desse cenário, mas de mostrarem seu rosto e sua voz, defendendo seus direitos”, acrescenta Dom Valdir.

Outro problema muito comum nesses tempos de informações em excesso é a qualidade do que é publicado. Nos piores casos, não só a qualidade é ruim, mas a veracidade do que se lê é, no mínimo, questionável. As paróquias, neste sentido, poderiam mostrar um discernimento espiritual para identificar a dignidade humana por trás de cada conteúdo consumido

“Já tivemos, anos atrás, uma mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais que tratou das fake News“, recorda Dom Valdir. “A Igreja deve, sim, incentivar grupos de reflexão crítica nas comunidades, abrindo espaços, especialmente para os jovens, para discutirem assuntos ligados ao mundo digital e à Inteligência Artificial. Os próprios temas para o Dia Mundial das Comunicações Sociais dos últimos anos têm ajudado nesse sentido”, reforça.

O Verbo que se faz carne e rosto

A fé cristã é pautada pelo princípio básico da Encarnação — o Verbo que se fez carne e rosto. Por outro lado, em um tempo de presença digital constantemente mediada por IA, é um desafio à Igreja garantir que a “cultura do encontro” real não seja substituída por uma interação puramente sintética e desprovida de empatia humana.

“De fato, a referência de comunicador para o cristão é Jesus: o Verbo Encarnado”, concorda o prelado. “Ele nos ensina, por meio de suas palavras e gestos, que o amor é comunicação. O desafio da Igreja é ajudar as pessoas a acolherem esse amor e a colocá-lo em prática, seja nas relações interpessoais diretas, seja no ambiente digital”, afirma.

Não é uma questão de abominar as novas tecnologias, mas saber usá-las com parcimônia e sem prejuízos à humanidade. “Além disso, há também o desafio de ajudar as pessoas a buscarem o equilíbrio entre o uso das tecnologias digitais e os contatos presenciais físicos, que são fundamentais para uma profunda experiência de Deus e para a cultura do encontro”, finaliza.

O post Igreja debate ética na IA: "Rosto e voz humanos são sagrados" apareceu primeiro em Notícias.

FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/igreja-debate-etica-na-ia-rosto-e-voz-humanos-sao-sagrados/


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes