Inverno começa com frio intenso, mas terá calor atípico no final

  • 22/06/2026

Enquanto o centro-sul do país deve registrar frentes frias e volumes de chuva atípicos, o Nordeste e o extremo Norte enfrentarão seca prolongada

Thiago Coutinho
Da redação

Centro de Gramado (RS) durante um dia de inverno / Foto: Canva

Às 5h24 deste domingo, 21, teve início, no Brasil, a estação mais fria do ano, o inverno. Até 22 de setembro, quando abre portas para a chegada da primavera, o país viverá com temperaturas mais baixas, pouca chuva e clima mais seco.

“O inverno de 2026 deve apresentar um comportamento bastante contrastante”, explica Lívia Caetano, meteorologista da Climatempo. “A estação começa com incursões de ar polar fortes e capazes de provocar frio intenso no centro-sul do Brasil, especialmente entre o fim de junho e o mês de julho. Há previsão de temperaturas abaixo de 0°C em áreas da Região Sul e em pontos mais elevados do Sudeste, além de ocorrência de geadas amplas e até episódios de neve no Sul ainda esta semana”, detalha a especialista.

A meteorologista, por outro lado, assegura que a estação não será caracterizada por temperaturas mais baixas e intensas. “O rápido fortalecimento do fenômeno El Niño deve favorecer um aumento gradual das temperaturas ao longo dos meses, principalmente na segunda metade do inverno. As temperaturas médias devem ficar próximas da normalidade no Sul e em boa parte do Sudeste, mas acima da média em grande parte do Centro-Oeste, Nordeste e Norte”, explica.

Ainda que as primeiras semanas de julho tragam algum desconforto com ondas de frio mais intensas, a expectativa, de acordo com a meteorologista, é a de que o inverno deste ano será marcado por “períodos de calor mais frequentes no fim da estação, inclusive com risco de ondas de calor em setembro em áreas do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e parte do Sudeste”.

Massas polares e frentes frias

Ainda que a expectativa geral seja de um inverno menos intenso, haverá mais frentes frias que o normal. “Especialmente na região Sul”, salienta Lívia. E isso por conta dos efeitos causados pelo El Niño sobre a circulação atmosférica na América do Sul. “A previsão indica maior número de sistemas frontais, mais ciclones extratropicais e mais episódios de chuva associados a essas frentes. As massas de ar polar continuarão chegando ao Brasil ao longo do inverno, com destaque para a primeira onda de frio da estação nesta semana e para duas incursões mais intensas previstas para julho”, afirma a meteorologista.

Rondônia, Acre e sul do Amazonas também podem sofrer com esse início do inverno. “Algumas dessas massas de ar frio poderão avançar até o Centro-Oeste, alcançar áreas do Norte de Minas Gerais, o extremo sul da Bahia e provocar novos episódios de friagem em Rondônia, Acre e sul do Amazonas”.

No entanto, o frio não permanecerá por tempo prolongado. A meteorologista da Climatempo explica que a maior ocorrência de chuva e nebulosidade tende a interromper a persistência das massas polares, fazendo com que os episódios de frio sejam mais intercalados por períodos amenos ou até quentes. “Assim, a tendência é de eventos de frio relevantes, mas com menor duração quando comparados aos registrados em maio e junho deste ano”.

Estiagem

Questionada sobre o volume de chuvas ou longos períodos de estiagem, a especialista afirmou que este inverno terá um comportamento distinto em grande parte do Brasil, especialmente por causa dos primeiros impactos do El Niño.

“A expectativa é de mais chuva do que o normal no Sul, em áreas do Sudeste, do Centro-Oeste e também em parte da Região Norte, especialmente no Acre, Rondônia e sul do Amazonas. No Sul, a chuva deve ser mais frequente ao longo da estação, com maior ocorrência de frentes frias, temporais e volumes acima da média. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, regiões que normalmente passam por um período bastante seco no inverno, são esperados vários episódios de chuva atípica, o que deve elevar os acumulados da estação para valores ligeiramente acima da média”.

A estiagem, porém, trará preocupação para as regiões Nordeste e extremo Norte do país. “A costa leste nordestina deve ter menos chuva do que o normal, enquanto Roraima, norte e noroeste do Amazonas, Amapá e norte do Pará também devem registrar precipitações abaixo da média”, aponta Lívia. “Além disso, áreas do interior do Nordeste, do Tocantins e do leste do Pará devem manter o padrão típico de tempo seco durante o inverno. Portanto, a preocupação com estiagem prolongada é maior no Nordeste e em parte da Região Norte, enquanto o centro-sul do país deve ter um inverno mais úmido do que o habitual”, finaliza.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/brasil/inverno-comeca-com-frio-intenso-mas-tera-calor-atipico-no-final/


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