Irmã na Ucrânia: Bombas não podem quebrar a fé ou a liberdade

  • 23/08/2026

Às vésperas do Dia da Independência da Ucrânia, a Irmã Liji Payyapilly lamenta, no século XXI, ver cenas que remetem à Segunda Guerra Mundial

Da redação, com Vatican News

Irmã Liji (Lidia) Payyapilly, da Congregação das Irmãs de São José de Saint-Marc / Foto: Reprodução Youtube

“Vamos dormir todos os dias com medo, pois não sabemos quando mísseis ou drones chegarão. Todas as manhãs agradecemos a Deus por termos acordado e, todas as noites, damos graças por ainda estarmos vivos. Os ucranianos vivem um momento muito perigoso. Mas temos o direito de viver em segurança, sem medo, assim como qualquer país.”

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A Irmã Liji (Lidia) Payyapilly, da Congregação das Irmãs de São José de Saint-Marc, é natural da Índia, mas veio para a Ucrânia em missão há quase 25 anos. Quando ela diz “nós”, apesar do sotaque, percebe-se sua profunda identificação com o povo ucraniano.

Na Transcarpátia, no vilarejo de Pavshyno — próximo a Mukachevo, no sudoeste do país —, a religiosa acolhe pessoas no mosteiro de sua congregação para conversas espirituais e oração de intercessão.

Graças ao seu dom especial para a oração, a Irmã Liji é conhecida por muitos fiéis, tanto católicos quanto não católicos, em toda a Ucrânia. De tempos em tempos, ela visita outras paróquias, na Ucrânia e no exterior, onde é convidada a conduzir dias de retiro espiritual.

Em entrevista ao Vatican News, a Irmã Liji relata suas viagens recentes a cidades e localidades na linha de frente, no leste e no sul da Ucrânia. Ela reflete sobre a importância da oração na defesa da pátria contra a agressão e oferece uma perspectiva sobre o significado da verdadeira independência em um país marcado pela guerra.

O carisma da adoração e o compromisso com as pessoas

Ao explicar a natureza de seu ministério, a Irmã Liji enfatiza a expressão concreta do carisma de sua congregação: a adoração eucarística e a evangelização.

“Quando passo tempo em adoração”, diz a religiosa, “expresso meu amor pela Eucaristia e desejo que outros também possam amá-la e acolhê-la.”

Sua missão está enraizada em seu testemunho pessoal da presença viva de Deus: “Evangelizo por meio da minha experiência: o Senhor tocou minha vida e, para mim, Ele está vivo. A Eucaristia é Deus presente entre nós, e procuro transmitir essa verdade aos outros.”

Embora o mosteiro em Pavshyno, na Transcarpátia, continue sendo o principal ponto de referência para seu ministério, o trabalho da irmã estende-se muito além do convento.

A impossibilidade de acolher os milhares de fiéis que buscam aconselhamento espiritual levou a Irmã Liji a viajar pela Ucrânia e pelo exterior, atendendo a convites de paróquias.

“Nem todos podem vir até aqui”, explica ela, “por isso decidi ir aonde as pessoas estão.”

Antes da pandemia, o mosteiro recebia até 700 pessoas em um único dia. Hoje, para gerir melhor o fluxo de visitantes, foi implementado um sistema de agendamento, permitindo que a religiosa dedique tempo e atenção aos fiéis três dias por semana.

Durante a guerra, o perfil das pessoas que batem à porta do mosteiro mudou: “Ultimamente, as pessoas que nos procuram têm familiares desaparecidos; são mães que perderam seus filhos, mulheres que ficaram viúvas”, conta a Irmã Liji.

“Para nós, é um aspecto precioso do nosso serviço: ter a oportunidade de consolar, apoiar e rezar por aqueles que sofrem.”

Na linha de frente e a tragédia da fome

O desejo de compreender o sacrifício daqueles que vivem na linha de frente levou a Irmã Liji a deixar a relativa segurança da Transcarpátia e a viajar pessoalmente a algumas das áreas mais atingidas pela guerra.

No passado, em 2016, sua missão a levara a Mariupol e Donetsk. Desde o início da invasão em larga escala pela Rússia, em 2022, no entanto, ela sentiu uma necessidade urgente de ver de perto as feridas de uma população que sofre. As imagens da televisão já não bastavam para encurtar a distância entre aqueles que viviam sob as bombas e aqueles que só podiam rezar à distância.

Em Sumy, no norte do país, e mais tarde em Zaporizhzhia, no sudeste — a convite do bispo Jan Sobilo —, a religiosa testemunhou o que muitas vezes escapava à cobertura da mídia.

“Vi pessoas formando filas desde as quatro da manhã por um pedaço de pão”, recorda ela. “Quando cheguei à Ucrânia, em 2004, os idosos me falavam sobre a fome durante a Segunda Guerra Mundial. Nunca imaginei que, no século XXI, veria a mesma cena com meus próprios olhos: milhares de pessoas em filas para receber um pedaço de pão e uma lata de comida.”

O relato da Irmã Liji torna-se doloroso ao recordar os testemunhos de pessoas que perderam tudo: “Tínhamos terra, tínhamos casa; nunca pensamos que a vida nos reduziria a mendigar pão”.

Em meio a essa desolação, no entanto, a religiosa também encontrou sinais de extraordinária caridade, como o trabalho dos Frades Albertinos em Zaporizhzhia, que, incansavelmente, preparam pão e distribuem itens essenciais a famílias e crianças.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/irma-na-ucrania-bombas-nao-podem-quebrar-a-fe-ou-a-liberdade/


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