Jovem agnóstico conhece São Carlo Acutis e decide se converter
- 13/10/2026
Com apenas 16 anos, o estudante Miguel Burci conheceu a história do primeiro santo da geração “millennial” e decidiu se converter ao catolicismo
Aline Imercio
De São Paulo (SP)

O estudante Miguel Burci, que decidiu se converter após conhecer a história de São Carlos Acutis / Foto: Gilberto Pereira
Para muitos a conversão chega cedo, para outros já na fase jovem ou adulta. Foi assim com o estudante Miguel Burci. Hoje com 16 anos, ele se diz convertido há 6 meses, tudo depois que conheceu a história de São Carlo Acutis. O colégio em que estuda, Liceo, fica nas dependências do Centro Universitário Ítalo Brasileiro, que abriga a primeira paróquia dedicada a São Carlo no mundo.
Miguel explica que foi durante a exibição de um documentário na escola que ele conheceu a história de Acutis, canonizado em setembro de 2025. Veja o testemunho de Miguel na entrevista:
Canção Nova — Como você conheceu São Carlo Acutis?
Miguel Burci — Conheci o Carlo Acutis aqui no Liceo (colégio). Quando eu cheguei, não era católico. Olhava aqui esse menino nem imaginava, né? Foi mais próximo da canonização do Carlo, quando passaram um documentário, quando me emocionei com a história dele. Antes eu não conhecia a fé nenhuma, e com o tempo, quando eu fui realmente conhecendo a história dele, eu pensei “Nossa, ele é um menino muito abençoado”.
Canção Nova — Você percebeu que era um Santo do seu tempo?
Miguel Burci — Sim, é o que mais me intriga, né! Normalmente a gente vê a geração hoje em dia e pensa que não tem mais santos como antigamente. Mas agora, quando a gente olha o testemunho do Carlo, a gente vê que a santidade é para todos.
Canção Nova — Como era a sua fé antes de conhecer São Carlo Acutis?
Miguel Burci — Eu não tinha fé, eu era o que é chamado de agnóstico. Não importava com fé nenhuma, zombava. Mas quando eu conheci o Carlo, tive o primeiro contato, mudou, né? Despertou algo no meu coração que eu entendi no início só como uma inspiração, mas depois de alguns meses, se tornou algo muito maior, deu frutos muito maiores.
Canção Nova — Como foi para você quando você chegou aqui na Paróquia de São Carlo Acutis?
Miguel Burci — Primeira vez que eu vim aqui na paróquia, eu tinha acabado de entrar no Liceo, eu vim para matar aula e eu não entendia muito, escutava um sino, não sabia se tinha que levantar, ficar de joelho. Só que aí eu larguei, né? Aí, com o tempo para o fim do ano passado também, pouco depois da canonização do Carlo Acutis, eu comecei a pensar: “Por que tem muita gente que entrega a vida a isso? Por que o Carlo Acutis amou tanto a Eucaristia? Ele tanto amou a Jesus, viveu a vida para Jesus”. Carlo Acutis dizia que Nossa Senhora era a única mulher da vida dele, eu achava curioso. Então eu comecei a estudar e foi no início desse ano que, inspirado também pelo Carlo Acutis, eu vim realmente numa missa, pela liturgia, por Deus, realmente.
Canção Nova — Como está seu caminho na Igreja hoje?
Miguel Burci — Eu venho crescendo na fé desde então, ainda muito novo, tenho seis meses de conversão, mas ainda assim muito feliz, está dando frutos maravilhosos.
Canção Nova — Você hoje também serve no altar, correto?
Miguel Burci — Isso, eu comecei a frequentar a igreja desde Domingo de Ramos e servir é uma vocação também, um chamado. E desde a primeira vez que eu fui na missa seriamente no Domingo de Ramos, eu me senti chamado, atraído a servir no altar. E foi um mês depois disso, se não me engano, dia 4 de Abril, que eu servi a primeira vez aqui no altar e sirvo todos os dias na paróquia até hoje.
Canção Nova — E como é para você viver esse Dia de São Carlo Acutis depois da sua conversão?
Miguel Burci — Eu lembro do ano passado, um amigo meu comentou: “Vai ter macarronada meio dia na Paróquia de Carlo Acutis, vamos?”. Eu não fui, eu não ligava pra isso e agora estar aqui é emocionante. É diferente, é uma vida diferente, é uma vida mais difícil. Não é fácil, mas ainda assim é gratificante, eu agradeço muito a Deus porque me libertou, né? Eu achava que eu era livre, mas é como se o Carlo tivesse chamado meu nome, assim: “Chega aí, vamos vir para minha festa” e eu neguei da outra vez. E dessa vez eu não vou negar, eu tenho que realmente ir e vou servir hoje nas três missas.
Canção Nova — E depois da conversão, você sente que vive com mais esperança?
Miguel Burci — Sim. Eu brincava muito no início da minha conversão que se eu não tivesse me convertido, eu iria estar depressivo. Quando eu paro e penso sobre Deus, eu não consigo imaginar um sentido que não seja Deus para vida. Parece meio lógico, mas eu sinto que se eu fosse convencido de que Deus não existisse, eu sei lá, eu não viveria, eu só ficaria no sofá o dia inteiro. Qual é o sentido, né? Qual é o sentido da gente buscar alguma coisa? Seria tudo vaidade, não teria o porquê. Mas quando a gente percebe que Deus existe, que a gente realmente tem algo depois, a gente tenta viver a nossa vida para isso. Sim, de não entender nada. Sim, antes eu achava que a missa era só com um culto, né? A gente aqui fala de Deus cantar as músicas e é isso. Mas depois eu realmente entendi a profundidade, o santo sacrifício, a alegria da ressurreição.
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