Leão XIV: a água é um direito, não uma mercadoria; denunciar o desperdício
- 01/09/2026
A intenção de oração do Sucessor de Pedro para o mês de setembro convida a reconhecer a água como um dom de Deus e um direito “sem fronteiras”
Da redação, com Vatican News

A água é o tema central da intenção de oração do Papa neste mês de setembro / Foto: Reprodução Youtube
O Papa Leão XIV dedica a sua intenção de oração do mês de setembro ao cuidado da água, neste início do Tempo da Criação.
O Pontífice inicia sua mensagem de vídeo divulgada, nesta terça-feira, 1°, dando graças ao “Senhor da Vida” pelo “dom da água, fonte de fecundidade, frescor e esperança. Ela sacia a sede, fecunda a terra e cura as feridas”. É “símbolo da tua graça e do teu amor que nos renovam através do Batismo”, diz ainda o Papa, convidando os fiéis e as pessoas de boa vontade a rezar para que a humanidade aprenda a cuidar da água “com gratidão, justiça e responsabilidade”.
“Pedimos-te perdão porque fizemos dela mercadoria, esquecendo que é um presente universal, um direito sem fronteiras, destinado a todos os teus filhos. Com dor vemos tantos irmãos e irmãs sem acesso a água potável, que caminham quilômetros para a encontrar, e que adoecem por causa da sua escassez.”
Leão XIV pede ao Espírito Santo que “nos transforme em peregrinos do essencial, capazes de viver com sobriedade, denunciando o desperdício e a contaminação, e defendendo o direito de cada irmão e irmã a beber sem medo, sem desigualdade”.
O Papa conclui a mensagem de vídeo, dizendo: “Que o nosso cuidado com a água seja sinal de amor ao Criador e compromisso com a vida dos mais pobres, educando novas gerações que valorizem e protejam os recursos da Terra.”
A intenção do Papa surge perante uma realidade confirmada pelos dados internacionais. Segundo o relatório “Progressos em relação à água potável, saneamento e higiene domiciliares” 2000-2024, do Programa Conjunto de Monitorização (JMP) da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), apresentado em agosto de 2025, 2,1 mil milhões de pessoas continuam sem acesso seguro à água potável — por exemplo, com acesso intermitente, insuficiente, demasiado dispendioso ou a grande distância —, e 106 milhões dependem diretamente de rios, lagos ou outras águas superficiais sem tratamento. Embora, entre 2015 e 2024, a cobertura mundial de acesso seguro à água potável tenha aumentado de 68% para 74%, o mesmo relatório alerta que, para alcançar o acesso universal até 2030, os países de baixo rendimento terão de progredir a um ritmo sete vezes superior ao atual.
A falta de água potável está, além disso, intimamente ligada à ausência de saneamento e de higiene: 3,4 mil milhões de pessoas não dispõem de saneamento gerido de forma segura, 1,7 mil milhões de pessoas carecem de serviços básicos de higiene em casa e 611 milhões não têm qualquer instalação para lavar as mãos, segundo os dados da OMS/UNICEF (agosto de 2025). Além disso, estima-se que 1,4 milhões de mortes por ano estejam associadas à água insegura e à falta de saneamento.
Nesta terça-feira, 1°, o Papa inaugura o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, data que marca também o início do Tempo Ecumênico da Criação, que se concluirá em 4 de outubro, Festa de São Francisco de Assis, e tem como lema “Água Viva”.
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