Mais paz, menos ansiedade: padre revela os frutos da oração diária
- 16/06/2026
Testemunhos, aliados à reflexão de um sacerdote, evidenciam como a oração diária pode transformar a relação com Deus, consigo mesmo e com os outros
Julia Beck
Da Redação

Fiéis recorrem à oração como expressão de fé, confiança em Deus e fortalecimento da vida espiritual /Foto: Canva
Reservar um tempo no dia a dia para a oração pode ser, para muitos, um desafio em meio à correria e às exigências da rotina. Para quem já cultiva esse encontro diário com Deus, porém, o testemunho é unânime: trata-se de um momento indispensável. Isso porque a oração pode favorecer o equilíbrio emocional, o discernimento e o fortalecimento dos relacionamentos. Para além de seu principal fruto, o espiritual, essa prática repercute positivamente em todas as dimensões da vida.

A cantora e missionária, Rogerinha /Foto: Bruno Marques
A missionária da Comunidade Canção Nova e cantora católica Rogéria Moreira, popularmente conhecida como Rogerinha, testemunha essa transformação na prática. Ela conta que a oração a ajuda a lidar melhor com conflitos e emoções. Sua mãe, considerada por ela “uma mulher de oração”, foi a responsável por lhe ensinar a rezar o terço e participar da Santa Missa.
No entanto, foi quando conheceu a Renovação Carismática Católica (RCC) e entrou para a Comunidade Canção Nova que a missionária percebeu que uma vida marcada pela oração é essencial para quem deseja permanecer firme na fé. “Aliás, para alguém que quer amadurecer ainda mais na fé”, acrescenta.
Um dos reflexos da oração diária pode ser percebido por Rogerinha em seus relacionamentos. Calma, paz e perdão foram frutos que ela alcançou por meio da oração. “A oração nos faz realmente viver aquilo que Jesus nos ensinou: perdoar setenta vezes sete.”
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“Quantas vezes eu quis responder alguém à altura ou revidar uma situação, mas antes fui rezar. Depois da oração, tudo mudou. É um respirar, repensar as ideias e agir de forma diferente”, relata.
Rogerinha afirma que a oração se tornou um verdadeiro apoio para sua saúde emocional. “Nos momentos de ansiedade, preocupação ou agitação, eu busco ainda mais a presença de Deus. A oração é minha válvula de escape, meu remédio para muitas enfermidades do coração e da mente”, frisa.
Uma mudança que alcança toda a família

Sidnei Ferreira /Foto: Arquivo Pessoal
O eletricista Sidnei Ferreira Guimarães também experimenta os frutos da oração diária. Casado há 37 anos com Valéria, ele conta que a aproximação com Deus ajudou a transformar sua vida familiar. “Deus foi trabalhando meu coração. Mudou minha maneira de pensar, de agir, de falar e até de lidar com a ansiedade e o nervosismo.”
O casal participa atualmente do movimento da Pastoral Familiar de Orientação para a Vivência Sacramental (Ovisa). Para Sidinei, a oração fortalece os vínculos familiares, pois ensina a viver o perdão e o serviço. Ele frisa que a oração o ensinou a ouvir mais, pedir perdão e cuidar de quem ama. A oração, prossegue, traz harmonia para a família e para o casamento.
Sidnei acrescenta que foram muitos os momentos em que sentiu a presença de Deus em sua vida, fruto de sua perseverança na oração. Segundo o eletricista, aprender a “estar com Jesus”, e não somente buscá-Lo nos momentos difíceis, fez com que confiasse na providência divina, vencesse dificuldades financeiras e desafios relacionados à saúde de uma de suas filhas, além de construir uma família que, assim como ele, valoriza a oração e a Santa Missa.
“Não só ter a Bíblia em casa, mas ler a Bíblia, ler a Palavra de Deus, tomar gosto, degustar a Palavra de Deus” é um ensinamento que o eletricista conta ter colhido das palestras do fundador da Comunidade Canção Nova, Monsenhor Jonas Abib, e do fundador da Comunidade Bethânia, Padre Léo, e que levou para a vida.
Decisão e perseverança

Padre Diogo Albuquerque /Foto: Diocese de Bragança Paulista
Decisão e perseverança são os primeiros passos indicados pelo pároco da Igreja Nossa Senhora da Esperança, da Diocese de Bragança Paulista, padre Diogo Albuquerque, para quem deseja cultivar uma vida de oração. “A vida de oração não é fácil. Ela pressupõe muito mais do que boa vontade; pressupõe uma decisão diária”, afirma.
Segundo o sacerdote, é importante que cada pessoa conheça sua própria realidade e organize a oração de acordo com sua rotina e personalidade. “É preciso identificar como você funciona. Há pessoas que rendem mais pela manhã, outras à noite. A partir desse autoconhecimento, é possível distribuir as práticas espirituais ao longo do dia.”
O padre destaca ainda a importância de estabelecer horários e lugares fixos para rezar. De acordo com ele, é preciso planejamento e, quando possível, contar com a ajuda de um diretor espiritual que auxilie a encontrar um caminho adequado para cada realidade.
Oração como caminho para o equilíbrio emocional
A oração diária contribui diretamente para a saúde emocional porque gera disciplina e ordem interior, afirma padre Diogo. Como a vida de oração pressupõe método, disciplina e organização, o presbítero ressalta que, quanto mais ordenada for a vida espiritual, mais ordenada tende a ser a vida material e emocional das pessoas.
Entre os frutos mais evidentes da oração, o sacerdote aponta a paz interior. “Quando buscamos o Reino de Deus em primeiro lugar, as preocupações encontram o seu devido lugar. A pessoa experimenta uma paz que o mundo não é capaz de oferecer”, enfatiza.
Essa paz, explica padre Diogo, não significa ausência de problemas, mas a capacidade de enfrentá-los com confiança. Para cada desafio, afirma ele, Deus reserva um alimento espiritual específico. Desse modo, a oração ajuda a seguir adiante sem desanimar.
Os testemunhos de Rogerinha e Sidnei confirmam essa realidade. Segundo o presbítero, uma vida espiritual equilibrada favorece atitudes como paciência, diálogo e empatia.
“Quando estamos em paz conosco mesmos e em comunhão com Deus, nossa relação com os outros também é afetada positivamente. Muitas vezes, o que nos falta para conviver bem é justamente aquilo que recebemos como fruto do Espírito: paciência, capacidade de diálogo e compreensão”, salienta.
Começar pelo possível
Para quem deseja iniciar uma rotina de oração, padre Diogo recomenda respeitar o próprio ritmo e evitar metas irrealistas. Ele explica que não adianta uma pessoa que nunca rezou querer começar com longas práticas espirituais. “É preciso iniciar com aquilo que é possível e ser fiel ao que se propõe”, aconselha.
A orientação encontra eco no conselho que Rogerinha recebeu do fundador da Canção Nova, Monsenhor Jonas Abib: “Faça poucas coisas, mas as faça bem”.
Mais do que a quantidade, a constância é o que constrói uma vida espiritual sólida. “Nós não rezamos uma única vez para resolver tudo. Rezamos todos os dias, porque a vida é construída todos os dias”, conclui padre Diogo.
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