Na América do Sul, Papa levará carinho e proximidade a realidades sociais

  • 05/11/2026

Padre que atua junto à Caritas analisa a presença do Papa junto a realidades sociais diversas, o que não é mero protocolo, mas a tradução viva da Doutrina Social da Igreja

Jéssica Marçal
Da Redação

A imagem mostra uma vista aérea de Claypole, nos arredores de Buenos Aires, Argentina. Há duas torres sendo uma delas com uma pintura da face do Papa Leão XIV

Vista aérea mostra um mural retratando o Papa Leão XIV em Claypole, nos arredores de Buenos Aires, Argentina, onde fica o Cotolengo que receberá o Papa / REUTERS/Agustin Marcarian

Em sua viagem à América do Sul, de 6 a 17 de novembro, o Papa Leão XIV conhecerá de perto algumas realidades sociais presentes no Uruguai, na Argentina e no Peru. A programação inclui visitas a centros de assistência, presídio e bairros periféricos, ocasiões em que o Papa sempre leva o seu carinho de pastor e expressa a proximidade da Igreja a tantas pessoas que muitas vezes são colocadas à margem da sociedade.

“A primeira questão que eu diria é que as visitas papais a estas realidades não são meros atos de protocolo, mas é a tradução viva da Doutrina Social da Igreja”. Quem afirma é o vice-diretor da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, padre Marcelo Maróstica Quadro.  Ele lembra que a opção preferencial pelos pobres tão pregada pela Igreja está implícita à fé cristológica, como disse o Papa Bento XVI na abertura da Conferência dos Bispos da América Latina e do Caribe, em 2007, em Aparecida.

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Padre Marcelo enfatiza que essas visitas lembram que a pessoa que vive em situação de vulnerabilidade não é objeto de pena, mas sujeito de direito e de justiça social. Também mostram que a Igreja deve ir até onde a dor está. “Um Papa caminhar numa favela, numa prisão, num campo de refugiado, ele inverte a lógica do poder mundial e demonstra que também a Igreja não está voltada para os centros de poder, pelo contrário, mas na periferia, onde está o povo. E poderíamos dizer que esta visita à realidade social é lançar o olhar de Cristo.”

O valor do trabalho caritativo

Outra dimensão observada pelo sacerdote é que a presença do Papa junto a essas realidades também legitima o trabalho diário da caridade local. Ele recorda que a Igreja é a grande rede de caridade do mundo, os trabalhos são contínuos e cansativos, mas muitas vezes invisíveis. “Agora, quando o Papa visita esse território, ele está dizendo expressamente àqueles voluntários, àqueles religiosos, àqueles que estão à frente do trabalho, que aquele trabalho importa para toda a Igreja.”

O impacto disso, segundo padre Marcelo, é a renovação das forças institucionais e pastorais, conferindo novo ânimo e “combustível” àqueles que estão na linha de frente. “Ao mesmo tempo, percebemos que a visita do Papa vai jogar refletores do mundo sobre aquela realidade. E, muitas vezes, aquela realidade não consegue dialogar com o poder público local.”

As obras sociais no roteiro do Papa

No Uruguai, Leão XIV terá um encontro com a realidade social de Casavalle, região periférica e carente, onde há uma grande presença da Igreja Católica. O encontro será na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe.

Na Argentina, o roteiro do Papa o levará até a cidade de Claypole, onde ele visitará profissionais e assistidos do “Pequeño Cottolengo Don Orione”. Os pequenos cotolengos são lares voltados ao acolhimento de pessoas com deficiências graves e sem amparo familiar, uma iniciativa que começou com São Luís Orione. A obra de Claypole acolhe, atualmente, cerca de 400 pessoas com múltiplas deficiências, oferecendo moradia e assistência contínua. Ainda na Argentina, Leão XIV visitará o complexo penitenciário federal de Buenos Aires.

Já no Peru, o Pontífice participará de um encontro sobre os desafios e esperanças para o futuro do povo peruano. Também terá a oportunidade de falar aos missionários e representantes de povos da Amazônia, além de visitar os operadores e assistidos do Centro de Acolhimento das “Hermanitas de Los Ancianos Desamparados”.

Uma caridade transformadora

Indo ao encontro dessas realidades, padre Marcelo avalia que a provocação que o Papa faz é sobre a urgência de passar de uma caridade meramente assistencial, que é importante, para uma caridade transformadora, que gere justiça. A sociedade global, muitas vezes, tem escolhas econômicas excludentes, afirma o sacerdote, de forma que a miséria não é um acidente.

“Podemos dizer que a provocação final é que os fiéis não olhem a visita de um Papa apenas como um evento bonito, religioso, mas que sejam provocados a uma fé concreta. Podemos até dizer que a visita do Papa questiona a toda a sociedade o seguinte: o que nós estamos fazendo pelas periferias que estão ao lado da nossa casa? O que nós estamos fazendo por aqueles que estão sofrendo? Então, eu acho que a grande provocação é pensar realmente numa caridade transformadora.”, conluiu.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/leao-xiv/na-america-do-sul-papa-levara-carinho-e-proximidade-a-realidades-sociais/


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