Na Espanha, Papa encoraja à reconciliação e à fidelidade ao Evangelho

  • 06/06/2026

Leão XIV reuniu-se com autoridades espanholas nesse primeiro dia de viagem; no discurso, o exemplo de três grandes santos espanhóis e a ênfase ao diálogo

Jéssica Marçal
Da Redação

A imagem mostra o Papa Leão XIV com a moseta vermelha à frente de um púlpito com dois microfones

Papa Leão XIV discursa às autoridades espanholas / Foto: Oscar Gonzalez/Sipa USA via Reuters Connect

Em seu primeiro discurso oficial na Espanha, o Papa Leão XIV dirigiu-se às autoridades, à sociedade civil e ao corpo diplomático no Palácio Real de Madri neste sábado, 6. Em sua reflexão, o Pontífice abordou a identidade do país, com referência às suas antigas raízes cristãs, e a missão de superar polarizações e demais desafios do mundo contemporâneo.

Acesse
.: Íntegra do discurso do Papa
.: Todas as notícias sobre a viagem do Papa à Espanha

Há quase dois milênios, a Espanha acolheu a Palavra do Evangelho, sobretudo a partir da pregação do apóstolo São Tiago, o Maior, observou o Papa. Essa antiga ligação com a fé cristã, acrescentou o Pontífice, não esgotou a identidade multiforme do povo, mas moldou sua cultura e representa uma fonte de esperança e de orientação frente aos desafios.

“Venho até vós para confirmar, encorajar e inspirar uma renovada fidelidade ao Evangelho de parte dos fiéis, bem como uma reconciliação e uma cooperação mais profundas entre as diferentes forças desta nação. Com efeito, a vossa própria história sugere que não é a cultura do confronto, mas a do encontro, que gera estabilidade e prosperidade.”, disse.

São João da Cruz e Santa Teresa de Ávila

O Papa também mencionou em seu discurso o exemplo de dois santos espanhóis que há cinco séculos alimentam a vida da Igreja e a busca espiritual de muitos: João da Cruz e Teresa de Ávila. Duas grandes figuras que ensinaram sobre a presença de Deus mesmo em meio à escuridão e incertezas. “A sua mística é de olhos abertos, ou seja, não alheia à história, conduzindo, pelo contrário, à raiz das questões, ao coração da realidade.”, observou.

João da Cruz abordava, em particular, o tema da noite, que, segundo o Papa, ajuda a interpretar as transformações e suportar as tensões que tornam a época atual tão sombria. Em sua sede de luz, o santo aprendeu a apreciar a escuridão, explicou o Pontífice. Assim também hoje, na vida pública, é preciso que homens e mulheres saibam intuir na escuridão a luz, no fim, um possível começo.

Já Teresa de Ávila descreveu este itinerário com a imagem do castelo interior, avançando em direção ao lugar mais íntimo. Neste processo, a mente se abre, as contradições se resolvem, as tensões se dissolvem. “Hoje, a tentação de ganhar popularidade atiçando o fogo das polarizações parece crescer, em vez de diminuir; a dignidade humana continua a ser violada. Por isso precisamos de cultura, interioridade, educação livre e de qualidade, transcendência. E, no entanto, a partir destas noites escuras, homens e mulheres fiéis à verdade viram-se impulsionados a avançar de aposento em aposento até ao ponto em que, no âmago da consciência, a justiça e a paz se abraçam.”.

Abandonar divisões e polarizações

Leão XIV lembrou que a Igreja Católica está ao serviço desta sede do coração humano. Está disposta a colocar-se ao serviço do futuro de um povo que busca a reconciliação e a paz.

“Convido todos, por amor à verdade, a abandonarem as narrativas divisórias e polarizadoras da vossa realidade social e da vossa história, a fim de que se passe das simplificações estéreis a uma apreciação fecunda da complexidade.”

O convite do Papa foi para que a Espanha saiba apreciar essa complexidade e estudá-la, aprendendo a vivê-la como uma bênção, não a negá-la. “É necessário – sobretudo por parte de quem tem responsabilidades econômicas, políticas e institucionais – dar um salto qualitativo, uma mudança de rumo nos investimentos destinados à escola, à universidade e à investigação, às comunidades locais e à sociedade civil como sementeira de participação e mediação cultural. A segurança – que pensamos, com demasiada frequência, provir das armas e dos muros – amadurece, pelo contrário, quando se aprende a avançar com o outro, a crescer juntos, ombro a ombro.”

Cultivar o diálogo e a amizade social

Outra figura presente no discurso de Leão XIV foi santo Inácio de Loyola, também espanhol, que soube repensar tudo diante das provações e fracassos. Ele preferiu a paz às armas, os santos aos poderosos.

Ao final de seu discurso, Leão XIV agradeceu aos reis da Espanha e todos os presentes pela fidelidade do país ao direito internacional e multilateralismo, que se traduz em compromisso ativo com a paz e solidariedade entre os povos.

“Ao mesmo tempo, encorajo-o a cultivar o diálogo e a amizade social também internamente, a ter em conta as perspectivas dos pobres e dos jovens ao imaginar o futuro, a harmonizar as exigências de autonomia e de unidade, e a impulsionar o processo de união europeia, não em oposição a outras potências, mas como um dom para toda a família humana.”, concluiu.

O post Na Espanha, Papa encoraja à reconciliação e à fidelidade ao Evangelho apareceu primeiro em Notícias.

FONTE: https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/leao-xiv/na-espanha-papa-encoraja-a-reconciliacao-e-a-fidelidade-ao-evangelho/


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes