Padre Nazareno Lanciotti: novo beato foi missionário no Brasil até martírio

  • 13/06/2026

Cardeal Aviz presidiu a beatificação e afirmou que a força interior de Padre Nazareno Lanciotti estava em sua profunda espiritualidade mariana e Eucarística

Kelen Galvan
Da redação

Imagem de Padre Nazareno Lanciotti exposta na cerimônia de beatificação / Foto: Reprodução TVCN

Padre Nazareno Lanciotti foi beatificado neste sábado, 13, na cidade de Jauru, Mato Grosso, na Diocese de São Luiz de Cáceres. Ele foi um missionário italiano que dedicou sua vida ao Brasil e foi martirizado em 2001.

A Missa foi presidida pelo enviado especial do Papa Leão XIV, Cardeal João Braz de Aviz. No início da celebração foi realizado o Rito de Beatificação, com a leitura de uma breve biografia do novo beato e da Carta Apostólica do Santo Padre.

Na carta, o Papa indica que atendendo aos desejos do bispo de São Luiz de Cáceres, Dom Jacy Diniz Rocha, e de muitos fiéis cristãos, concedeu que “o venerável servo de Deus, Padre Nazareno Laciotti, sacerdote diocesano, mártir, missionário infatigável do Evangelho, fundador fecundo de obras de caridade social e promotor dedicado do culto mariano, seja doravante chamado beato e seja celebrado no dia 12 de janeiro de cada ano”.

Imagem e relíquias

Em seguida foi levada ao Altar a imagem e a relíquia de primeiro grau do novo beato, que contém fragmentos de seus ossos, recolhidos após a exumação do corpo, em novembro de 2025.

Imagem e relíquia de Padre Nazareno Lanciotti / Foto: Reprodução TVCN

Otávio Piva, representante leigo nacional do Movimento Sacerdotal Mariano, foi amigo pessoal de Padre Nazareno e conviveu com ele no Mato Grosso. Ele conta que haverá uma segunda relíquia, também de primeiro grau, com o sangue derramado por ele no martírio, e serão distribuídas a todas as dioceses do país. Ele teve a graça de atender o sacerdote no hospital e guardou um tecido com o seu sangue.  

A imagem da novo beato foi conduzida por Franca Pini, 85 anos, uma das testemunhas do martírio. Ela veio para o Brasil junto com o padre Nazareno e foi sua assistente.

Missão no Brasil

Na homilia, Dom Braz de Aviz destacou que o Senhor continua a mostrar os caminhos dignos que nascem do Evangelho. “Isto acontece quando nós, discípulos de Jesus, como o nosso Beato Nazareno, tomamos a decisão de colocar em prática os ensinamentos do Evangelho, acreditando com fé no Seu imenso amor, no amor da Santíssima Trindade por nós”.

O cardeal lembrou que Deus amou muito a humanidade, na pessoa de Jesus Cristo, “que morreu por nós na Cruz e ressuscitou, e agora nos guia pela força do Espírito Santo, que habita no peito de cada um de nós”.  Ele afirmou que cada fiel é transportador desse Deus e a voz do Espírito é a voz da consciência que índica sempre o caminho da verdade.

Cardeal João Braz de Aviz / Foto: Reprodução TVCN

Dom Braz disse que, através do reconhecimento cuidadoso da Igreja, que foram esses os apelos interiores que guiaram as decisões do beato Padre Nazareno, impelindo-o a deixar a sua pátria e sua família. E com a aprovação do seu bispo, partir para as missões no Brasil, no Mato Grosso, e em Jauru desde o ano de 1972. Ali permaneceu por quase 30 anos, até seu martírio em 2001.

“A comunidade de Jauru, a Diocese de São Luiz de Cácere, aos bispos de todo esse regional, de modo especial são agora depositárias desta herança de santidade e de testemunho humano e divino, deixado pelo presbítero e mártir, Padre Nazareno Lanciotti. Ele é agora testemunha qualificada da vida cristã para toda a Igreja e para toda a humanidade partindo daqui”, destacou.

Espiritualidade de Padre Lanciotti

O cardeal enfatizou a vida missionária do novo beato como uma característica muito rica de sua espiritualidade. “Ele deixou a sua terra por causa do Evangelho e partiu para uma terra longínqua. Num tempo onde esta região estava iniciando o seu desenvolvimento.  E ele tomou essa decisão com o desejo de seguir Jesus e foi sustentado aqui pela Santa Eucaristia e pelo amor profundo à Virgem Maria. Dois fundamentos indispensáveis”.

Foi no mistério da Eucaristia e na presença amorosa de Nossa Senhora, venerada por ele, sobretudo, como “Imaculado Coração de Maria”, que residiu sua força interior, afirmou Dom Braz de Aviz.  Quando chegou à região, que faz fronteira com a Bolívia, padre Lanciotti dedicou-se ao serviço dos mais pobres e ao combate de diversas formas de injustiça e opressão, entre as quais a exploração de menores, a prostituição infantil, tráfico de drogas.

Público presente na cerimônia de beatificação / Foto: Reprodução TVCN

“Seu testemunho tinha raízes profundas, autênticas, que ele viveu profundamente, e por isso foi fiel até o fim”, afirmou o cardeal. Ele disse ainda que Padre Lanciotti é agora um testemunho eloquente para reavivar os valores do Evangelho na sociedade.

Padre Nazareno soube integrar este lado divino, que é fundamento, com a vitalidade profunda e humana, que é a promoção da humanidade, fazendo crescer sobretudo os que são mais pobres e mais abandonados. “É nesse sentido que precisamos agora descobrir caminhos novos. Não acreditemos nesse uso do dinheiro de todo nosso povo no mundo para construir armas cada vez mais sofisticadas e caras. Acreditemos no caminho do diálogo, a começar na família, o caminho da escuta e do respeito profundo pela pessoa do outro”, enfatizou.

Saudações finais

Ao final da celebração, o bispo da diocese de São Luiz de Cáceres, Dom Jacy Diniz Rocha, expressou sua gratidão pela beatificação do mártir Padre Nazareno Lanciotti, às autoridades e a todos os envolvidos nesta causa.

“Que o beato padre Nazareno Lanciotti, com seu testemunho radical pelo Evangelho e pela missão, interceda para que sejamos dignos de celebrar a sua memória. Beato Padre Nazareno, rogai por nós!”.

Bispo da Diocese de São Luiz de Cáceres, Dom Jacy Diniz Rocha / Foto: Reprodução TVCN

Em seguida, Padre Luca Pescatori, da Itália, responsável mundial pelo Movimento Sacerdotal Mariano, saudou os presentes e afirmou que todo o movimento eleva seu agradecimento ao Senhor pelo sacerdócio que o Padre Nazareno viveu e à Nossa Senhora por ter moldado seu coração sacerdotal.

Ele destacou a ligação de Padre Lanciotti com o movimento e destacou que os frutos de sua ação sacerdotal continuam ainda hoje nos filhos e netos daqueles que o conheceram. “Que agora vivam a herança de seguir a única luz de Cristo, em meio a tantas outras luzes falsas que querem confundir a fé dos pequenos”.

Breve biografia

Padre Nazareno nasceu no dia 3 de março de 1940, em Roma, no seio de uma família humilde e cristã. Ingressou muito jovem no seminário, onde estudou Filosofia e Teologia. Foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1966. Até 1971, serviu como pároco auxiliar na Paróquia de São João Crisóstomo, em Roma.

Após conhecer a Operação Mato Grosso, em 1971, com a permissão de seu bispo, viajou para o Brasil, para o estado de Mato Grosso. No ano seguinte, estabeleceu-se em Jauru – MT, no extremo noroeste do Brasil, na fronteira com a Bolívia, onde iniciou um frutífero apostolado servindo a toda população, sustentado pela Eucaristia e pela devoção à Virgem Maria.

Superando inúmeros obstáculos, despertou a fé de jovens e adultos por meio do Movimento Sacerdotal Mariano. Todos os anos, durante os festejos de Carnaval, promovia retiros espirituais com os membros do movimento.

Em 1973, fundou o Asilo Coração Imaculado de Maria. Preparou um centro de catequese, facilitando o ensino da religião para as crianças. Lutou pela construção de um hospital, pois se comovia com o número de crianças que morriam na região.

Prestativo e visionário, em 1974 iniciou a construção da Igreja Nossa Senhora do Pilar. A inauguração foi celebrada no ano seguinte. Em razão do aumento no número de fiéis, durante algumas missas e cerimônias era necessário utilizar os arredores da igreja. Contudo, para atender melhor à comunidade, Padre Nazareno decidiu criar o Santuário Imaculado Coração de Maria.

Em 1981, ajudou a fundar o Seminário Menor em Jauru, disponibilizando um centro de treinamento. Em 1988, foi nomeado responsável nacional do Movimento Sacerdotal Mariano (MSM).

Também se dedicou aos mais pobres e se engajou na luta contra várias formas de injustiça e opressão, como a prostituição e o tráfico de drogas. Seu trabalho pastoral revelou-se incômodo e na noite de 11 de fevereiro de 2001, enquanto terminava o jantar com alguns colaboradores, foi gravemente ferido por dois criminosos encapuzados que entraram em sua casa. Faleceu em 22 de fevereiro, aos 61 anos.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/padre-nazareno-lanciotti-novo-beato-foi-missionario-no-brasil-ate-martirio/


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