“Padre Pio conduzia os fiéis à conversão”, afirma missionário
- 23/09/2026
Celebrado nesta quarta-feira, 23, santo capuchinho fazia do confessionário um espaço de encontro com Deus e de transformação
Julia Beck
Da Redação, com colaboração de Lorena Araújo

Foto: Holger Uwe Schmitt via Wikimeddia Commons
Celebrado pela Igreja nesta quarta-feira, 23, São Pio de Pietrelcina deixou como uma das marcas de seu ministério a dedicação ao sacramento da Reconciliação. Durante horas no confessionário, o frade capuchinho acolhia fiéis que buscavam não apenas o perdão dos pecados, mas um caminho de conversão. Firme nas orientações e, ao mesmo tempo, marcado pela paternidade espiritual, tornou-se para muitos um sinal da misericórdia de Deus.
“Padre Pio era um pai, um verdadeiro pai”, afirma Rogério Melo, missionário e pregador católico que há nove anos atua na propagação da devoção à vida, ao legado e à espiritualidade do santo. Fundador e coordenador do Movimento Nacional dos Filhos e Filhas Espirituais de São Padre Pio de Pietrelcina no Brasil, ele destaca que a misericórdia ocupava lugar central na espiritualidade do religioso.

Rogério Melo /Foto: Arquivo Pessoal
Melo recorda uma frase atribuída a São Pio que sintetiza essa confiança: “O teu passado é a misericórdia de Deus. O teu presente, a graça de Deus. E o teu futuro, a providência de Deus”. Para o missionário, o santo ajudava aqueles que o procuravam a olhar para a própria história a partir da misericórdia divina.
Essa dimensão do ministério de Padre Pio também foi ressaltada pelo Papa Francisco. Durante o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, em 2016, o Pontífice definiu o capuchinho como um “servidor da misericórdia, a tempo inteiro” e afirmou que, por meio do ministério da Confissão, ele se tornou uma “carícia viva do Pai”, capaz de ajudar a curar as feridas provocadas pelo pecado.
Firmeza que conduzia à conversão
Ordenado sacerdote em 1910, Padre Pio dedicou grande parte de sua vida sacerdotal ao atendimento dos fiéis. A Confissão tornou-se um dos aspectos mais conhecidos de seu apostolado. Segundo Rogério, muitas pessoas procuravam o religioso porque reconheciam nele uma capacidade particular de conduzi-las a uma mudança concreta de vida.
“Ele ficava inúmeras horas no confessionário e atendia inúmeras pessoas diariamente”, relata. Segundo o missionário, Padre Pio buscava perceber se quem se aproximava do sacramento tinha um desejo verdadeiro de conversão ou se procurava apenas aliviar a consciência.
A conhecida firmeza do santo no confessionário, explica Melo, não deve ser entendida como algo contrário à misericórdia. Pelo contrário, estava ligada à sua paternidade espiritual e ao desejo de conduzir cada pessoa a Deus.
“Como um pai, ele sabia verdadeiramente chamar a atenção, levar aquele filho a uma penitência, a ter consciência e a buscar retamente o Reino dos Céus através do sacramento da Confissão”, explica.
Essa direção espiritual levou muitas pessoas a reconhecerem erros, abandonarem antigas práticas e iniciarem um caminho de conversão. Segundo Rogério, muitos daqueles que se aproximavam de Padre Pio pelo confessionário acabavam tornando-se seus filhos e filhas espirituais.
Consciência e arrependimento
Para Rogério, a experiência de São Pio também ajuda a compreender por que o exame de consciência e o arrependimento ocupam um lugar importante na preparação para a Confissão.
“O sacramento da Confissão é um sacramento de cura, de libertação. Um sacramento que salva, que faz o penitente crescer espiritualmente”, afirma. Esse crescimento, acrescenta, passa pelo reconhecimento sincero da própria vida e daquilo que precisa ser transformado.
A consciência do pecado, portanto, não tinha para Padre Pio a finalidade de aprisionar a pessoa à culpa, mas de conduzi-la novamente ao amor de Deus. “A criatura só é feliz quando está ao lado do seu Criador”, ressalta Melo.
Também em 2016, ao falar aos participantes de um curso promovido pela Penitenciaria Apostólica, Francisco apresentou São Pio de Pietrelcina, ao lado de São Leopoldo Mandic, como referência para os confessores. Na ocasião, o Papa recordou que o sacerdote deve ser instrumento da misericórdia de Deus para que cada fiel possa experimentar o amor do Pai.
“Amar, amar e amar”
Na espiritualidade de Padre Pio, a conversão não começava pelo medo, mas pela descoberta do amor de Deus. Entre as orientações do santo para uma boa Confissão, Rogério destaca justamente a necessidade de reconhecer-se amado.
“Ele falava que só há uma coisa necessária: amar, amar e amar”, conta o missionário. Segundo ele, Padre Pio procurava fazer com que o penitente tivesse claro no coração o quanto era amado por Deus.
A partir dessa experiência, explica, nascia também uma resposta: “Através desse amor, eles começavam a amar a Deus e a ter respeito por não ferir o coração de Deus pelo pecado”.
A relação entre Confissão e misericórdia tornou-se uma das marcas mais reconhecidas do legado espiritual do santo. Ao falar aos Grupos de Oração de Padre Pio em 2016, Francisco recordou que o capuchinho dedicava tempo e forças àqueles que o procuravam e, através do perdão, ajudava a levar paz aos corações.
Mais de meio século após sua morte, em 23 de setembro de 1968, o testemunho de São Pio continua apontando para uma espiritualidade na qual reconhecer o pecado não significa permanecer preso ao passado, mas abrir-se à misericórdia e recomeçar. Um caminho resumido na frase recordada por Rogério Melo: confiar o passado à misericórdia de Deus, viver o presente em sua graça e entregar o futuro à sua providência.
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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/padre-pio-conduzia-os-fieis-a-conversao-afirma-missionario/






