Papa: a fecundidade da Igreja se mede pela fidelidade ao Evangelho
- 03/09/2026
Leão XIV encorajou os bispos que atuam nas regiões árabes, exortando-os a não perderem de vista o essencial da missão da Igreja
Jéssica Marçal
Da Redação

Papa Leão XIV encoraja missão dos bispos que atuam em regiões árabes / Foto: Marco Iacobucci / SOPA Images via Reuters Connect
O Papa Leão XIV recebeu em audiência nesta quinta-feira, 3, os membros da Conferência dos Bispos Latinos nas Regiões Árabes. O organismo abraça igrejas presentes em uma realidade vasta e articulada, que atuam em contextos muitas vezes marcados por tensões políticas, sociais e religiosas. Aos bispos, o Papa deixou seu encorajamento na missão e reforçou o dom do diálogo para a construção da paz.
Leão XIV recordou o testemunho do martírio que essas igrejas conhecem de perto. São casos de religiosas mortas no Iêmen, padres, religiosos e leigos que doaram a vida no Iraque, na Síria e em tantos outros lugares marcados pela violência. “Seus nomes talvez não sejam conhecidos pelo mundo, mas são bem notáveis a Deus. A fidelidade deles ao Evangelho permanece uma luz para as vossas comunidades e um convite a não ceder nem ao medo nem à resignação”, disse o Papa.
O Pontífice também destacou que quando as comunidades são mais frágeis e obrigadas a emigrar, o ministério desses pastores da conferência se torna ainda mais necessário. A exortação é para que eles estejam sempre próximos ao povo, partilhando suas feridas, ouvindo, acolhendo e consolando, tornando visível a proximidade do próprio Deus.
A fecundidade da missão da Igreja
Nessas regiões, a comunidade cristã nem sempre é grande. O Papa, porém, exortou os presentes a não terem medo de sua pequenez. “A fecundidade da Igreja não se mede por números, por estruturas ou recursos, mas pela fidelidade ao Evangelho. Uma comunidade pequena, se enraizada em Cristo, pode ser uma presença preciosa”, observou.
Em realidades marcadas por conflitos e divisões, essas comunidades podem mostrar que é possível viver, servir e esperar em conjunto. Em especial, o Papa pediu que saibam apoiar as congregações religiosas que continuam, generosamente, a estar perto dos pobres e mais frágeis.
“Em meio às emergências, não percam de vista o essencial da missão da Igreja: o anúncio do Evangelho, a oração, os Sacramentos e a formação cristã. Uma Igreja capaz de servir deve ser, antes de tudo, uma Igreja que reza, escuta a Palavra e vive dos Sacramentos”.
Um cuidado especial foi pedido pelo Papa também para com as famílias, os jovens e os migrantes. Que as famílias possam permanecer como primeiro lugar onde a fé é recebida e transmitida. Que os jovens e os migrantes encontrem na Igreja uma casa acolhedora.
Comunhão entre as Igrejas e diversos ritos
Outro aspecto observado pelo Papa é que a variedade das tradições cristãs é uma riqueza que deve ser vivida na unidade. Desta comunhão nasce um diálogo sincero com outras comunidades cristãs, com os muçulmanos e com outras tradições religiosas.
“Dialogar não significa renunciar à própria identidade, mas vive-la sem medo do encontro. Lá onde a guerra semeou a desconfiança, todo gesto de estima, colaboração e respeito pode se tornar um passo rumo à reconciliação e à paz.”
Coragem para semear o Reino de Deus
Os bispos dessas regiões não são chamados a resolver todos os problemas, ressaltou o Papa, mas sim a serem fiéis ao Evangelho e ao povo que lhes foi confiado. “Não busquem antes de tudo o sucesso ou o reconhecimento: busquem a fidelidade. Sejam vozes da verdade, da justiça e da paz”.
Da mesma forma, não devem ter medo de semear sem que possam ver os frutos de imediato, já que o crescimento da semente pertence a Deus. “Nenhum gesto realizado em nome de Cristo é inútil: uma oração, uma palavra de consolo, uma família acompanhada, uma criança educada na fé, um pobre acolhido são sementes de um futuro novo”.
Leão XIV concluiu deixando sua bênção a todos os presentes e a suas missões. “Deus vos proteja na fé, torne-vos perseverantes na esperança e generosos na caridade e conceda às vossas comunidades e a todos os povos das vossas terras o dom precioso da paz”.
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