Papa ao clero de Angola: não cedam à prepotência nem à autorreferencialidade
- 20/04/2026
Leão XIV deixou mensagem de encorajamento à Igreja na Angola ao reunir-se com bispos, padres, consagrados e agentes pastorais
Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Leão XIV discursa aos bispos, padres, consagrados e agentes pastorais em Angola / Foto: Reprodução Vatican Media
Em sua viagem pela Angola, o Papa Leão XIV reuniu-se, nesta segunda-feira, 20, com os bispos, sacerdotes, consagrados e agentes pastorais na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, na capital Luanda. “Obrigado pelo trabalho de evangelização realizado neste país”, disse o Pontífice logo na abertura de seu discurso.
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Leão XIV lembrou aos presentes que Deus conhece a generosidade com que abraçaram suas vocações e não é indiferente a tudo o que fazem pelo Evangelho. Assim, vale a pena abrir inteiramente o coração a Cristo, considerou. “Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo. Abri de par em par as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira”. E encorajou, nesse sentido, de modo especial os jovens seminaristas: “Não tenhais medo de dizer ‘sim’ a Cristo, de configurar completamente a vossa vida com a d’Ele! Não tenhais medo do amanhã: pertenceis totalmente ao Senhor.”
Destacando a alegria de ser discípulo-missionário, o Papa mencionou o dom do Espírito Santo derramado pelo Batismo, que envia para a missão evangelizadora. “Nesta missão, como é importante o ministério dos catequistas! Exatamente em África, é uma expressão fundamental da vida da Igreja, podendo servir de inspiração para as comunidades católicas nos quatro cantos do mundo.”

Papa cumprimenta religiosa angolana / Foto: Reprodução Vatican Media
A dimensão contemplativa
A Igreja angolana vive um triênio pastoral sob o lema “Discípulos fiéis, discípulos alegres» (cf. Act 11, 23-26)”, dedicado a rezar e a refletir sobre o ministério ordenado e sobre a vida consagrada. “Que caminhos o Senhor abre à Igreja em Angola?”, questionou o Papa. “Serão certamente muitos! Procurai segui-los a todos! Contudo, o primeiro caminho é o da fidelidade a Cristo.”, indicou o próprio Pontífice, exortando os presentes a continuarem valorizando a formação permanente, inclusive em sua dimensão contemplativa.
“Conhecer Cristo passa, sem dúvida, por uma boa formação inicial, através do acompanhamento pessoal dos formadores; passa pela adesão aos programas das vossas dioceses, congregações e institutos; passa pelo estudo pessoal sério para se poder esclarecer os fiéis que vos estão confiados”, reconheceu o Papa. Mas é um processo muito mais amplo, ligado também à unidade da vida interior, ao autocuidado e ao cuidado do dom de Deus. “Sem esta dimensão contemplativa, deixamos de ser coerentes com o Evangelho e de espelhar a força do Ressuscitado.”
A fidelidade a Cristo

Clero angolano acompanha discurso do Papa / Foto: Reprodução Vatican Media
Ao clero e leigos reunidos na paróquia, Leão XIV também destacou a fidelidade a Cristo, que não pode prescindir e é facilitada pela unidade dos presbíteros com o seu bispo e com os irmãos do presbitério, dos consagrados e das consagradas com o respetivo superior e entre si.
“Queridos irmãos e irmãs, alimentai a fraternidade entre vós com franqueza e transparência, não cedais à prepotência nem à autorreferencialidade, não vos separeis do povo, especialmente dos pobres, evitai a procura dos privilégios.”
O Pontífice também os recordou sobre a importância da família onde nasceram para a missão a que foram chamados. Ele lembrou que a Igreja estima muito a instituição familiar, onde nascem muitas das vocações religiosas. “Aos vossos familiares, por isso, vai o meu sincero reconhecimento por terem cuidado, apoiado e protegido a vossa vocação. Exorto-os, ao mesmo tempo, a ajudarem-vos sempre para vos manterdes fiéis ao Evangelho e para não procurardes vantagens do vosso serviço sacerdotal.”
Anúncio da paz

Encontro foi realizado na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima em Luanda / Foto: Reprodução Vatican Media
Já encerrando seu discurso, o Papa não deixou de mencionar o trabalho em prol da paz. “Promovei, pois, uma memória reconciliada, educando todos para a concórdia e prezando, no meio de vós, o testemunho sereno daqueles irmãos e irmãs, que depois de passarem tormentos dolorosos, tudo perdoaram. Alegrai-vos com eles! Fazei festa pela paz!”.
O pedido final do Papa foi para que a Igreja em Angola não desista de denunciar injustiças, apresentando propostas segundo a caridade cristã. “Continuai a ser uma Igreja generosa, que colabora para o desenvolvimento integral do vosso país. (…) Ao vosso lado está sempre a Virgem Maria, Mamã Muxima. Deus abençoe e faça frutificar a vossa dedicação e a vossa missão!”, concluiu.
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