Papa defende formação integral para as novas gerações
- 21/04/2026
Universidade Nacional em Malabo recebeu o Papa na inauguração de um campus que leva seu nome; Pontífice alertou sobre desvios do conhecimento e pediu formação integral
Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Leão XIV discursa em universidade em Malabo, na Guiné Equatorial / Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Dando continuidade à sua agenda de compromissos em Malabo, na Guiné Equatorial, o Papa Leão XIV visitou, nesta terça-feira, 21, a Universidade Nacional para um encontro com o mundo da cultura. O Pontífice foi convidado para a inauguração de um novo campus, que leva seu nome na sede.
Agradecendo pela honraria, o Pontífice considerou que a inauguração de uma sede universitária é um gesto de confiança no ser humano: “uma afirmação de que vale a pena continuar a apostar na formação das novas gerações”. Para o Papa, toda obra educativa verdadeira é chamada a crescer não só como estrutura, mas como organismo vivo.
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A árvore do conhecimento
Em seu discurso aos presentes, o Papa utilizou a imagem da árvore, especialmente da ceiba – árvore nacional – para falar sobre a missão universitária. Uma árvore cria raízes profundas; da mesma forma, uma instituição universitária é chamada a ser uma realidade enraizada na seriedade do estudo, na memória viva de um povo e na busca perseverante da verdade.
Citando o Livro do Genêsis, Leão XIV mencionou que, junto à árvore da vida, ergue-se a árvore do conhecimento do bem e do mal. Ele comentou que o ser humano recebeu a capacidade de conhecer, discernir e de se maravilhar perante o mundo, interrogando-se sobre o seu sentido.
“O problema não reside, portanto, no conhecimento, mas no seu desvio para uma inteligência que já não procura corresponder à realidade, mas sim moldá-la à sua própria medida, avaliando-a de acordo com a conveniência daquele que pretende conhecê-la. Aí, o conhecimento deixa de ser abertura e torna-se posse”, observou.
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Mas se no Gênesis surge a tentação de um conhecimento separado da verdade e do bem, na cruz, lembrou o Papa, revela-se o contrário: uma verdade que se oferece por amor. “Ali, o ser humano é convidado a deixar que o seu desejo de conhecer seja curado: a redescobrir que a verdade não se fabrica, não se manipula nem se possui como um troféu, mas se acolhe, se busca com humildade e se serve com responsabilidade”.
Formação integral, para além da aparência de sucesso
Leão XIV frisou aos presentes que conhecer significa abrir-se à realidade, acolhendo seu sentido e guardando seu mistério. Voltando à imagem da árvore, lembrou que não basta que ela dê frutos, mas que estes sejam de qualidade. Assim também é para as instituições universitárias: elas se medem pela qualidade dos estudantes que oferecem à comunidade, mais do que pelo número de licenciados ou por suas estruturas.
“Este é o desejo sincero que a Igreja Católica expressa no seu empenho plurisecular no âmbito da educação: que as novas gerações sejam formadas de maneira integral, para além da mera aparência do sucesso. Os frutos não tardarão a surgir.”, enfatizou.
O Pontífice concluiu seu discurso exortando esta sede universitária da Guiné Equatorial a dar frutos de progresso solidário, com um conhecimento que desenvolva o ser humano de forma integral. “Se aqui se formarem gerações de homens e mulheres profundamente moldados pela verdade e capazes de transformar a sua própria existência numa dádiva para os outros, então a ceiba continuará a erguer-se como um símbolo eloquente: radicada no melhor desta terra, elevada pela nobreza do saber e fecunda em frutos capazes de honrar a Guiné Equatorial e de enriquecer toda a família humana.”
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