Povo ucraniano se une ao Papa pela paz, afirma Arcebispo Shevchuk
- 11/04/2026
O Arcebispo Shevchuk, da Igreja Greco-Católica Ucraniana, afirmou que os ucranianos participarão da vigília de oração pela paz liderada pelo Papa Leão XIV
Da redação, com Vatican News

O Arcebispo Sviatoslav Shevchuk, da Igreja Greco-Católica Ucraniana / Foto: Reprodução Youtube CNBB Regional Sul 2
“A fragilidade humana no contexto da guerra tornou-se a fragilidade do próprio Cristo”. Mas os depoimentos das crianças ucranianas sequestradas e depois libertadas “mostram que essa fragilidade está revelando a força do Senhor presente entre nós”. O arcebispo maior de Kyiv-Halyč e chefe da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Sviatoslav Shevchuk, em entrevista à mídia vaticana, reflete sobre a quinta Páscoa em estado de guerra que a Ucrânia se prepara para viver no domingo, 12 de abril. E retoma a mensagem do Papa Leão XIV, que na noite deste sábado, 11 de abril, presidirá na Basílica de São Pedro, a vigília de oração pela paz: “a guerra não prevalecerá. As crianças têm direito a uma paz autêntica, justa e duradoura”.
Vatican News — Sua Beatitude, que reflexões gostaria de compartilhar por ocasião da celebração da Páscoa Oriental no contexto da guerra em grande escala na Ucrânia, que já dura mais de 4 anos?
Arcebispo Shevchuk — Sim, de fato, esta já é a quinta celebração pascal em meio a uma guerra em grande escala. Nosso pensamento, nossa oração central, é a invocação pela paz na Ucrânia. Durante a Semana Santa, nestes momentos espiritualmente mais intensos do ano litúrgico, contemplamos Cristo: Cristo condenado, Cristo torturado, Cristo crucificado, Cristo sepultado, mas também Cristo ressuscitado. Esses momentos da paixão de Cristo ressoam de maneira muito especial no coração dos ucranianos, pois sabemos que estamos percorrendo a mesma Via Sacra junto com nosso Senhor Jesus Cristo. Quando contemplamos Jesus Cristo condenado, sabemos que esta é a nossa terra, o nosso povo que foi condenado à morte. Quando ouvimos o testemunho dos nossos prisioneiros libertados: sobre esse silêncio do prisioneiro diante daqueles que o condenam e o torturam. Muitos deles perceberam isso como o silêncio de Cristo diante do sinédrio. Quando ouvimos o testemunho das crianças ucranianas sequestradas e depois libertadas, essas crianças compartilharam conosco sua sensação de impossibilidade de se defender, de estarem indefesas diante do agressor armado. E essa fragilidade humana no contexto da guerra tornou-se a fragilidade do próprio Cristo. Mas essas crianças dizem que a fragilidade está revelando uma força do Senhor presente entre nós. E quando ouvimos o testemunho de nossos voluntários que perderam a casa, perderam tudo e se tornaram deslocados de guerra, mas não perderam a capacidade de compadecer-se, a capacidade de ser sensíveis aos necessitados. Então, eles se tornaram voluntários que salvam vidas e são uma representação viva de Simão Cireneu, capazes de ajudar aqueles que caem sem forças sob sua cruz.
Vatican News — O Papa Leão XIV convidou todos a se unirem a ele na vigília pela paz neste sábado, 11 de abril, às 18h. Como essa iniciativa está sendo recebida na Ucrânia?
Arcebispo Shevchuk — Obviamente, os ucranianos rezarão junto com o Santo Padre e velarão pela paz. É uma oração que não é imposta, mas vem do nosso coração. Na Ucrânia, velaremos junto ao túmulo de Jesus na esperança da Ressurreição, pois este sábado na Ucrânia será o sábado que antecede o Domingo de Páscoa. Por isso, somos gratos ao Santo Padre por esta iniciativa, pois as consciências humanas precisam ser sensibilizadas, convidadas e, às vezes, sacudidas para rezar pela paz. E esperamos que, assim como Cristo ressuscitou e foi mais forte que a morte, a paz de Cristo vença a guerra no mundo de hoje.
Vatican News — Que mensagem o senhor gostaria de deixar aos cristãos em diferentes países do mundo?
Arcebispo Shevchuk — Que a guerra termine, que as crianças voltem para casa, que nossos militares, nossos defensores, meninas e meninos, possam regressar sãos e salvos às suas famílias. Que os prisioneiros de guerra torturados possam finalmente ser libertados. Que a Páscoa seja verdadeiramente um novo começo para um mundo sem guerras.
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