Religiosa sobre Papa em Angola: visita pode gerar frutos duradouros

  • 09/04/2026

País receberá Leão XIV de 18 a 21 de abril; missionária brasileira que já morou em Angola destaca que presença do Papa favorecerá o diálogo entre Igreja e Estado

Julia Beck
Da Redação

Imagem dividida mostra o Papa sorrindo com vestes brancas e, ao lado, a bandeira de Angola hasteada ao vento contra o céu azul.

Papa e bandeira de Angola (um de seus próximos destinos) /Fotos: ALESSIA GIULIANIIPA/Sipa USA via Reuters/ aboodi vesakaran na Unsplash

A terceira etapa da viagem apostólica do Papa Leão XIV ao continente africano tem como destino Angola — um país de maioria cristã que se prepara para acolher o Pontífice entre os dias 18 e 21 de abril. Mais do que a programação oficial, a visita desperta expectativas profundas na Igreja local, que enxerga na presença do Papa uma oportunidade de renovação espiritual e impulso missionário.

Em um país onde a fé é vivida com intensidade, mas também marcada por desafios sociais e espirituais, a visita do Papa Leão XIV se apresenta como um sinal de unidade e esperança. Sob o lema “peregrino da esperança, reconciliação e paz”, a expectativa é de que sua presença ajude a fortalecer a Igreja e a inspirar caminhos de transformação para toda a sociedade angolana.

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“Uma fé intensa, marcada pela alegria e pela hospitalidade”

Irmã Neide Lamperti /Foto: Arquivo Pessoal

Com mais de uma década de missão em Angola, a religiosa scalabriniana natural do Rio Grande do Sul, Ir. Neide Lamperti, oferece um olhar próximo e equilibrado da realidade vivida no país. Segundo ela, apesar das dificuldades, o que mais marca é a força do povo angolano.

“O que mais me tocou foi a alegria que brota mesmo em meio às dificuldades. É um povo muito acolhedor, com forte espírito de partilha e um senso profundo de comunidade”, relata. A missionária destaca ainda valores como o respeito pelos mais velhos, a vivência da fé de forma intensa e o sentido de “família alargada”, em que todos se reconhecem como irmãos.

Essa dimensão positiva se expressa também na vida eclesial: celebrações longas e participativas, criatividade diante das limitações do cotidiano e uma espiritualidade que mobiliza multidões. “É uma fé viva, que se expressa com entusiasmo, mesmo em contextos desafiadores”, resume.

Fé numerosa, desafios no aprofundamento

Ao mesmo tempo, a missionária observa que a vivência da fé ainda enfrenta desafios importantes. “Há muita participação nas celebrações, grande devoção, mas nem sempre uma fé profundamente transformadora no dia a dia”, explica.

Segundo ela, em muitos contextos, práticas culturais e tradições locais se misturam à vivência cristã, o que exige um trabalho contínuo de formação e amadurecimento da fé. Entre os principais desafios pastorais estão a formação de lideranças, a catequese de adultos e o incentivo a uma fé mais consciente e comprometida com a transformação social.

Outro ponto de atenção é o crescimento de igrejas neopentecostais, além de questões como o sincretismo religioso e práticas culturais que entram em tensão com a doutrina católica.

Feridas sociais e apelo à reconciliação

A experiência missionária também revelou profundas feridas ainda presentes na sociedade angolana. As consequências da guerra civil, encerrada em 2002, continuam impactando a vida da população, especialmente nas desigualdades sociais, no desemprego e na falta de acesso a serviços básicos.

“São muitas as feridas: famílias desestruturadas, jovens sem perspectivas, pobreza estrutural e uma grande distância entre ricos e pobres”, afirma. A isso se somam desafios como a falta de infraestrutura e a realidade de migrantes e refugiados em situação de vulnerabilidade.

No campo espiritual, Ir. Neide observa que a fé, por vezes, permanece em um nível mais cultural do que pessoal. Por isso, a visita do Papa pode ser um convite a uma fé mais madura: “Uma fé que não foge da dor, mas que a transforma em caminho de esperança”.

Imagens mostram Irmã Neide em Angola com comunidades locais: grupo reunido em frente a prédio, encontro de partilha com moradores, mulheres reunidas com alimentos e missionária cercada por crianças sorridentes.

Irmã Neide durante ação evangelizadora e social em comunidades de Angola, em encontros com moradores e crianças /Fotos: Arquivo Pessoal

Visita que pode gerar frutos duradouros

Para a missionária, a passagem do Papa Leão XIV tem potencial para ir além de um grande evento. “Há um impacto imediato, com grande mobilização, mas o mais importante é o que permanece: a mensagem, os desafios e as mudanças que podem nascer a partir dela”, destaca.

Ela acredita que os frutos esperados incluem o fortalecimento da Igreja local, um novo impulso missionário e até mesmo reflexos sociais mais amplos. “A visita pode renovar o compromisso com a justiça social, fortalecer a reconciliação e incentivar uma fé mais ativa e concreta”, afirma.

Além disso, a presença do Pontífice pode contribuir para o diálogo entre Igreja e Estado, sensibilizando lideranças e promovendo maior atenção às necessidades do povo.

Programação

A chegada do Papa está prevista para o dia 18 de abril, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda. Ainda no primeiro dia, ele terá encontros com autoridades, incluindo o presidente João Lourenço, além de representantes da sociedade civil. À noite, reúne-se com os bispos angolanos na Nunciatura Apostólica.

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No dia 19, o Pontífice preside a Santa Missa na centralidade do Kilamba. À tarde, segue para o Santuário da Muxima, importante centro de peregrinação da África subsaariana, onde rezará o terço com os fiéis e encontrará peregrinos.

A programação inclui ainda uma visita à cidade de Saurimo, no dia 20. Ali, além da celebração da Missa, o Papa visitará um centro de acolhimento de idosos. No retorno a Luanda, encontra-se com bispos, sacerdotes, religiosos e agentes pastorais, encerrando os compromissos no país.

A despedida acontece no dia 21 de abril, com partida para Malabo, na Guiné Equatorial, última etapa de sua viagem ao continente africano. 

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/leao-xiv/religiosa-sobre-papa-em-angola-visita-pode-gerar-frutos-duradouros/


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