Reumatologista explica sinais e mitos sobre o lúpus
- 10/05/2026
Com o aumento de 30% na procura por atendimento, avanços tecnológicos e maior acesso à informação facilitam a identificação de doenças reumatológicas
Thiago Coutinho
Da Redação, com colaboração de Julia Beck

Foto ilustrativa / Canva
Estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) apontam que entre 150 e 300 mil pessoas no Brasil sofrem com o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), ou simplesmente Lúpus. A doença atinge especialmente mulheres jovens. Trata-se de uma patologia autoimune, inflamatória e crônica, que pode se manifestar de diversas formas.
“É uma doença multifatorial que envolve tanto fatores genéticos quanto externos, como infecções, estresse e exposição solar, entre outros”, explica o médico reumatologista João Lucas Rangel. “O quadro envolve inúmeros órgãos do corpo humano, incluindo pele, rins, sangue e sistema nervoso. Os principais sinais de alerta são fraqueza, febre e lesões na pele, principalmente na região malar — formando as marcas que se assemelham às asas de borboleta — e áreas fotoexpostas.”
O médico alerta que sinais mais graves da doença, como edema em membros inferiores, oligúria (diminuição na urina), elevação na pressão arterial, cefaleia de forte intensidade e até mesmo convulsões, exigem atenção imediata.
Aumento de doenças reumatológicas
Ainda de acordo com a SBR, o Brasil apresenta aumento no atendimento e diagnóstico de doenças reumatológicas e autoimunes. O Lúpus, segundo a entidade, registrou alta de quase 30% na procura por assistência médica.
“As doenças reumatológicas sempre representaram um desafio na prática médica, tanto no diagnóstico quanto no tratamento, devido à sua complexidade, ao acometimento de múltiplos órgãos, à falta de exames específicos e ao pouco acesso a medicamentos necessários”, detalha João Lucas. “Hoje em dia, o avanço das tecnologias diagnósticas e terapêuticas, somado ao maior acesso da população e dos médicos a esse conhecimento, resultou no crescimento dos diagnósticos”, contextualiza o especialista.
Outro fato relevante sobre o Lúpus é que as mulheres ainda são as vítimas mais comuns. A ciência ainda busca uma explicação definitiva para o fenômeno. “É sabido que a doença está relacionada à atuação do estrogênio, o hormônio presente na mulher na menacme — período de vida com capacidade reprodutiva. Esse é o motivo de a incidência ser muito superior em mulheres entre 15 e 45 anos”, esclarece o reumatologista.
Os impactos da doença dependem da sua gravidade e de qual órgão foi atingido. “Todos os pacientes devem ter cuidado rigoroso com a exposição solar. O uso de roupas com proteção UV e de protetor solar em todas as áreas expostas é imprescindível para evitar a reativação da doença”, detalha o médico. “Deve-se também manter uma rotina saudável, com sono regular, atividade física, dieta adequada e cuidados com a saúde mental, além do acompanhamento médico constante.”
Mitos
É comum associar doenças reumatológicas apenas a dores nas articulações. Isso gera mitos difundidos popularmente, como a ideia de que apenas idosos sofrem com esses males. “Isso é falso”, assegura o reumatologista. “Essas doenças podem acometer pessoas de todas as idades, inclusive crianças”, reitera.
Outra crença comum é a de que mulheres com Lúpus não podem engravidar. “Devemos planejar a gravidez para o melhor momento, quando a doença já estiver controlada com as medicações adequadas, para que a gestação gere o menor risco possível para a mãe e o bebê”, explica.
Por fim, o especialista desmistifica a ideia de que pacientes reumatológicos não podem praticar exercícios. “É uma prática indispensável e ajuda até mesmo no tratamento de outras patologias, como a fibromialgia. O exercício deve ser sempre ajustado de acordo com os limites e necessidades de cada paciente”, finaliza.
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