Rimini é boa iniciativa para retomar encontros na humanidade, frisa padre

  • 21/08/2026

Padre Luiz Sleutjes reflete sobre iniciativa do Encontro de Rimini à luz dos ensinamentos do Papa Francisco na encíclica Fratelli Tutti

Gabriel Fontana
Da Redação

Foto: Helena Lopes via Unsplash

Do desejo de um grupo de amigos pela fraternidade surgiu um dos maiores eventos da Itália — e o próximo compromisso do Papa Leão XIV. Neste sábado, 22, o Pontífice participará do Encontro para a Amizade entre os Povos, mais conhecido como Encontro de Rimini.

Essa é apenas a segunda vez que um Papa participa pessoalmente do evento. A primeira aconteceu na terceira edição, em 1982, quando São João Paulo II foi até a comuna localizada na região da Emilia-Romagna, ao norte da Itália. Na ocasião, refletiu sobre a consciência humana e a questão do bem e do mal.

O Encontro de Rimini surgiu em 1980, a partir da iniciativa de leigos católicos da Comunhão Popular italiana. A proposta de estabelecer um lugar fundamentado na amizade, onde é possível construir a paz e a convivência, levou à realização de um evento anual, com duração de uma semana, que alcança sua 47ª edição.

Primeira edição do Encontro de Rimini / Foto: Reprodução Encontro de Rimini

A força do amor

Neste ano, o encontro tem como tema “O amor que move o sol e as outras estrelas”. Doutor em Teologia Moral e membro do clero da Diocese de São Carlos (SP), padre Luiz Sleutjes indica que essa frase, retirada da Divina Comédia, de Dante Alighieri, reflete uma pergunta existencial: o que nos move?

Segundo o sacerdote, algumas pessoas são movidas pelo medo, pelo interesse, pela competição ou até mesmo pelo desejo de poder. Nesse contexto, padre Luiz cita o Papa Francisco, que recorda a humanidade de uma força maior, que é amor — “não apenas o amor que fica na esfera privada, como um sentimento, mas o amor como um amor social, capaz de transformar o olhar quando nós olhamos para quem sofre, de organizar a sociedade e de pensar o futuro”.

Tal amor, prossegue o sacerdote, diz respeito à capacidade de deixar-se afetar-se pela existência do outro. “Quando a gente deixa de entendê-lo apenas como uma palavra bonita e torna um amor concreto, efetivo, que é capaz de transformar-se em proximidade, em cuidado, em responsabilidade e compromisso”, expressa.

Fraternidade entre os povos

Padre Luiz Sleutjes / Foto: Arquivo pessoal

Mencionando a encíclica Fratelli Tutti, padre Luiz relembra outros ensinamentos deixados pelo Papa Francisco sobre a fraternidade. Entre as reflexões, indica como a sociedade contemporânea atravessa um período paradoxal, no qual a tecnologia permitiu que todos estejam conectados digitalmente, mas afastou uns dos outros no mundo físico.

“Na Fratelli Tutti, o Papa Francisco coloca o paradigma do bom samaritano, que é de reconhecer no outro não um inimigo, de não estabelecer uma relação de competitividade, mas sim de fraternidade, onde eu reconheço, no outro, a dignidade da pessoa humana por si só. E aí, quando eu reconheço o outro e não sou indiferente a ele, como acontece agora, eu faço com que o outro ocupe um lugar importante na minha vida”, explica o sacerdote.

Nesse sentido, o Pontífice argentino retoma, na Fratelli Tutti, duas características humanas fundamentais — agir como irmãos e fazer amigos — e as amplia ao âmbito social, constituindo uma fraternidade que alcança povos, nações e também gerações. Por este caminho, pontua padre Luiz, que é alcançada a justiça social.

Construir a paz

Outro tópico recordado pelo sacerdote e que é sensível aos dias atuais é a guerra. O Encontro de Rimini recorda alguns ensinamentos importantes que podem ser conectados com a Fratelli Tutti, como o caminho para a construção da paz.

“A paz entre os povos não nasce de diálogos diplomáticos, de acordos, de documentos assinados. A paz é resultado de um processo muito maior que se dá na cultura, na educação, nas religiões, na política e também nas relações cotidianas entre as pessoas. Por isso, Rimini nos faz tocar justamente nesse ponto fundamental de que o outro não pode ser reconhecido como um inimigo”, afirma padre Luiz.

O sacerdote indica que a guerra “esconde o rosto do outro”, em uma afronta à dignidade humana, premissa que é fundamental. “A paz vem de Deus, não vem do ser humano, e o ser humano é um instrumento de Deus para que a paz aconteça. Assim, podemos entender o Encontro de Rimini como uma boa e excelente iniciativa para retomar os nossos encontros com nós mesmos enquanto humanidade”, conclui.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/rimini-e-boa-iniciativa-para-retomar-encontros-na-humanidade-frisa-padre/


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