Saúde mental dos jovens é emergência que exige respostas, diz Parolin

  • 29/05/2026

Secretário de Estado do Vaticano participou de conferência sobre saúde mental, tecnologias digitais e educação

Da Redação, com Vatican News

O Cardeal Parolin / Foto de arquivo: Daniel Xavier

“Mapas de Esperança por uma agenda educativa regional: saú

O Cardeal Parolin / Foto de arquivo: Daniel Xavier

de mental, tecnologias digitais e educação” é o tema de uma conferência internacional em andamento no Vaticano até este sábado, 30. O encontro reúne ministros da educação de países latino-americanos, especialistas, acadêmicos e representantes de organizações internacionais, para refletir sobre os principais desafios educacionais contemporâneos. Na manhã desta sexta-feira, 29, o secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, fez seu pronunciamento no evento.

O cardeal recordou a crescente conscientização na comunidade internacional de que a educação não é apenas mais um item na agenda política. Trata-se de um pilar do desenvolvimento humano integral, da convivência pacífica e da justiça social.

Em particular, no que diz respeito à região ibero-americana, o cardeal observou que os sistemas educacionais da região, apesar dos progressos, ainda enfrentam desafios qualitativos que exigem novas respostas: a formação integral da pessoa, o desenvolvimento de competências socioemocionais, a proteção dos mais vulneráveis ​​e a integração responsável das tecnologias digitais. Esses são desafios que a Santa Sé sempre apoiou em todo o mundo, na convicção de que “a educação é uma das mais elevadas formas de caridade e um dos instrumentos mais eficazes a serviço da dignidade humana e do bem comum”.

O Pacto Educativo Global

É evidente a referência ao Pacto Educativo Global, lançado pelo Papa Francisco em 2019. A perspectiva é aquela indicada pela Carta Apostólica “Traçar Mapas da Esperança”, assinada pelo Papa Leão XIV em 27 de outubro, por ocasião do sexagésimo aniversário da Declaração Conciliar Gravissimum Educationis.

“Nesse texto, o Santo Padre recordou que a educação não é uma atividade acessória, mas forma o próprio tecido da missão da Igreja no mundo; ele convidou à construção de uma ‘constelação educativa global’, na qual cada instituição, cada comunidade, cada provedor de educação, como uma estrela no firmamento, brilhe com sua própria luz e, ao mesmo tempo, contribua para traçar um rumo comum”.

A emergência dos jovens

O tema da saúde mental merece atenção especial, reitera Parolin, afirmando que os dados são reveladores e, em muitos aspectos, alarmantes. Em muitos contextos, acrescentou, esses transtornos permanecem sem diagnóstico e sem tratamento adequado, especialmente onde a vulnerabilidade socioeconômica é mais aguda. No cerne do problema estão os jovens, com níveis crescentes de ansiedade, depressão e sofrimento psicológico na era pós-pandemia.

Diante da tentação de reduzir o problema a uma questão clínica, o cardeal recorda que a Igreja sempre ensinou que a pessoa humana é uma entidade inseparável de corpo, mente e espírito. Ele define como “mutilada” uma visão educacional que negligencie uma dessas dimensões. Por outro lado, reiterou a necessidade de reconhecer e cultivar esta unidade: oferecer aos jovens não apenas habilidades e conhecimento, mas também as ferramentas para se compreenderem, gerirem as suas emoções, construírem relações significativas e encontrarem sentido na sua existência”. É o que a tradição cristã chama de “cuidado da alma” e o que a sabedoria pedagógica mais perspicaz traduz hoje na linguagem das competências socioemocionais e do bem-estar psicológico.

O papel das escolas e das famílias é inegável. As escolas devem aspirar a ser um lugar de proteção, reconhecimento e cuidado e devem dispor dos recursos necessários para tal. Sobre a família, se é apoiada e amparada, representa o fator de proteção mais poderoso para a saúde mental das crianças e dos adolescentes. Mas se “deixada sozinha para enfrentar as pressões econômicas, sociais e culturais, sua capacidade de proteção enfraquece e o risco de dificuldades aumenta”.

A pessoa antes do algoritmo

A isso se soma a questão da relação entre educação e tecnologias digitais. Este, lembra o cardeal, é o tema que a Carta Apostólica do Papa Leão XIV aborda com lúcida consciência. O documento apela à promoção de um “humano digital” que coloque a pessoa antes do algoritmo e harmonize as diferentes formas de inteligência: técnica, emocional, social, espiritual e ecológica.

A questão é que, embora as tecnologias digitais representem uma oportunidade extraordinária para a educação, ao mesmo tempo, a exposição intensiva a ambientes digitais, especialmente na ausência de ferramentas críticas adequadas e apoio educacional, pode gerar efeitos profundamente negativos na saúde mental dos jovens. Alguns exemplos: atenção fragmentada, vício em telas, cyberbullying, isolamento social, sobrecarga de informações e exposição a conteúdo inadequado ou prejudicial.

É precisamente a convicção de que a crise de saúde mental entre os jovens não é meramente uma crise clínica, mas uma “crise de sentido” que pode nos ajudar a compreender melhor os possíveis horizontes da esperança. “Muitos jovens se sentem desorientados não por falta de informação ou ferramentas, mas por falta de um horizonte de sentido no qual situar suas vidas, suas escolhas, suas esperanças”, afirma Parolin.

Investimentos e cooperação

Reconhecendo a responsabilidade e o privilégio da política, o secretário de Estado pede aos ministros que levem às suas capitais, parlamentos e conselhos de ministros a consciência de que a saúde mental dos jovens é uma emergência que exige respostas estruturais. É preciso investimento adequado, cooperação interministerial, integração entre as políticas de educação e saúde, formação e apoio aos professores e o envolvimento das famílias e comunidades.

“Que este encontro seja verdadeiramente o que o seu título promete: uma oportunidade para traçar novos mapas de esperança, para que os nossos jovens possam encontrar na escola, na comunidade, na sociedade, as ferramentas e os horizontes de que precisam para viver uma vida plena, livre e significativa. Como escreveu o Papa Leão XIV: ‘Sejam servidores do mundo educativo, coreógrafos da esperança’. Que este seja o nosso compromisso comum.”

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/saude-mental-dos-jovens-e-emergencia-que-exige-respostas-diz-parolin/


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