Segundo dia do Hechos 29 alerta para riscos na missão digital
- 20/08/2026
Em sua homilia, padre Melson Andrés Correa, da Colômbia, recordou que o sucesso de um missionário digital contribui com todos
Da Redação, com Hechos 29
O segundo dia do encontro Hechos 29, que reúne missionários digitais e influencers católicos e é realizado na Costa Rica, abordou um dos principais desafios da comunicação na internet: como passar da criação de conteúdos à geração de encontros, acompanhamento e comunidade.
As atividades desta quarta-feira, 19, começaram com a Missa. A celebração foi presidida pelo padre Melson Andrés Correa, da Colômbia. Em sua homilia, o sacerdote partiu do Evangelho do dia (Mt 20,1-16a) para refletir sobre uma realidade muito presente entre quem gera conteúdo para a internet: a comparação.
Segundo padre Correa, é preciso tomar cuidado para que a missão não se torne uma competição. Ele convidou os presentes a mudar essa lógica e recordar que, se o conteúdo de outro influencer ajuda alguém a recuperar a esperança, aproximar-se de Deus e reencontrar-se com uma comunidade, o resultado beneficia a todos.
Gerar encontros, comunidade e acompanhamento

Monsenhor Lucio Adrián Ruiz / Foto: Hechos 29
O encontro prosseguiu com uma reflexão do secretário do Dicastério da Comunicação, monsenhor Lucio Adrián Ruiz, que abordou os desafios enfrentados pela Igreja na missão digital. Ele enfatizou que os novos “confins” nos quais é preciso evangelizar não são somente geográficos, mas também culturais, existenciais e antropológicos.
Neste contexto, destacou que a Igreja precisa descobrir a missão digital como “uma nova página de sua história missionária”. Ele assinalou que tal missão deve ser integrada à vida ordinária eclesial, reconhecendo-a dentro da estrutura das Igrejas locais e dos movimentos e acompanhando os missionários digitais em uma formação que inclua as dimensões espiritual, teológica, técnica e sinodal.

Padre Borre / Foto: Hechos 29
Em seguida, o fundador do Hechos 29, padre José Juan Montalvo (mais conhecido como padre Borre), aprofundou a reflexão sobre a identidade dos missionários digitais. Ele afirmou que essa missão não consiste apenas em usar as redes sociais para transmitir conteúdos, mas em gerar encontros, comunidade e acompanhamento.
O sacerdote apontou que o missionário digital não pode se reduzir a um influencer comum. Além disso, frisou a diferença entre “digitalizar a pastoral” e “fazer pastoral digital”. Ao passo que a primeira atitude significa transferir atividades que já eram realizadas para o mundo digital, a segunda implica em desenvolver uma missão própria, compreendendo a linguagem digital e acompanhando as pessoas que integram esses espaços.
As “tentações” da missão digital

Agustín Podestá / Foto: Hechos 29
Na reflexão seguinte, o mestre em Teologia, Agustín Podestá, exortou os participantes a recuperar o olhar capaz de reconhecer quem precisa de ajuda e sair ao seu encontro. Ele também sublinhou que, na missão digital, é necessário recuperar a dimensão humana e atribuir um rosto para a comunicação.
Podestá ressaltou que a missão se desenvolve entre a dimensão digital e presencial: embora as plataformas possam abrir novas portas, não substituem a experiência de uma comunidade. Desta forma, a tarefa do missionário digital é ajudar a construir o Reino de Deus, conectando a experiência digital com a vida real.

Verónica Brunkow / Foto: Hechos 29
Por fim, a intervenção de Verónica Brunkow concentrou-se na divisão e polarização que podem ser geradas pela internet. Citando algumas “tentações” da missão digital, ela identificou riscos como a falta de oração, a autorreferencialidade, o desânimo provocado pelas métricas de redes sociais, o consumo passivo de conteúdo, os confrontos nas redes e uma espiritualidade desconectada das necessidades sociais, entre outros.
Segundo Verónica, a raíz de muitas dessas tentações está em colocar o próprio ego no centro da missão. Diante disso, propôs recuperar diferentes modelos do Evangelho, como São João Batista e os discípulos de Emaús, como referências para construir uma presença digital que gere encontro, comunhão e vida.
Sobre o Hechos 29
O Hechos 29 é um encontro internacional de missionários digitais e influencers católicos que está em sua sexta edição. Realizado durante essa semana, na Costa Rica, o evento reúne participantes de 20 países e aborda questões pertinentes à missão digital.
Segundo padre Borre, a ideia de criar o encontro surgiu após uma reunião convocada pela Arquidiocese de Monterrey. “Nós gostamos tanto dessa experiência, porque estávamos cansados de não ver nada além da tela e queríamos nos conhecer em pessoa, que decidimos fazer algo ainda maior”, expressou.
O nome do encontro é inspirado no livro dos Atos dos Apóstolos, que tem 28 capítulos. “A Igreja, na missão, está escrevendo o capítulo 29, e a missão digital é um versículo. E esse versículo está sendo escrito aqui, nessa experiência de ser e fazer Igreja”, concluiu.
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