“Somos fortes porque estamos unidos pelo Espírito de Cristo”, afirma Papa
- 09/06/2026
Leão XIV chegou a Barcelona nesta quarta-feira, 9; e, durante momento de oração na Catedral da Santa Cruz e Santa Eulália, frisou unidade na fé
Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Papa Leão XIV rezou a Hora Média na Catedral da Santa Cruz e Santa Eulália em Barcelona / Foto: REUTERS/Bruna Casas
O Papa Leão XIV iniciou a segunda etapa de sua viagem apostólica à Espanha nesta terça-feira, 9. Após deixar Madri, o Pontífice deslocou-se para Barcelona, onde foi acolhido no aeroporto por autoridades locais. Em seguida, dirigiu-se para a Catedral da Santa Cruz e Santa Eulália, para a oração da Hora Média.
O Santo Padre foi recebido com entusiasmo pelos fiéis reunidos do lado de fora. No interior da catedral, Leão XIV rezou brevemente diante de um altar lateral e, em seguida, adentrou no templo rumo ao altar central para o momento de oração junto aos presentes.
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Em sua homilia — pronunciada intercalando trechos em espanhol e catalão —, o Papa destacou que o Concílio Vaticano II define o Ofício Divino como “a voz da Esposa que fala com o Esposo” e “a oração que Cristo, unido ao seu Corpo, eleva ao Pai” (Sacrosanctum Concilium, n. 84). Diante disso, concentrou-se nas imagens da Esposa e do Corpo para aprofundar sua reflexão.
Esposa amada por Deus
Segundo o Pontífice, a primeira imagem recorda que a Igreja é, acima de tudo, uma Esposa amada. “A Igreja é fruto de uma ação de amor que a precede e provém de Deus, e que, antes de qualquer outra coisa, cresce unida, deixando-se amar por Ele, com coração humilde e agradecido, porque só quem se deixa amar por Deus pode construir, com os outros, as obras do amor”, observou.
O Santo Padre recordou recentes mensagens de seu predecessor, o Papa Francisco, à Igreja na Catalunha. Nelas, o Pontífice argentino aponta o clima ao qual os fiéis são chamados a propagar em todos os âmbitos da vida: “um clima de família, no qual se vive juntos, conscientes da filiação e do chamamento comum, solidários, abertos, capazes de misericórdia, sacrifício, atenção mútua e perdão”, definiu Leão XIV.
O Papa sinalizou que, neste aspecto, Barcelona tem uma grande tradição de Igreja. Recordando também as palavras de São João Paulo II ao visitar a capital catalã em 1982, o Pontífice sublinhou a doação dos fiéis para construir harmonia e comunhão. “Também hoje essas palavras são confirmadas pela vitalidade das numerosas obras de anúncio, formação e caridade das quais todos vós sois animadores e protagonistas”, pontuou.
Unidos pelo Espírito em um só Corpo
Voltando-se à imagem do Corpo, o Santo Padre indicou que, “se Cristo é o Esposo que nos amou primeiro, Ele é também a Cabeça à qual estamos unidos como membros de um único organismo, uns ao serviço dos outros”. Todos os fiéis são animados pela ação do mesmo Espírito e todos são chamados à santidade, frisou.
“Para nós, trabalhar juntos não é uma questão de ‘estilo’, mas uma necessidade fisiológica, fundada na graça concedida a cada um segundo a medida do dom de Cristo”, destacou Leão XIV. “É o Espírito que, como partes de uma única estrutura viva, nos impele não só a entregar-nos sem reservas ali onde a Providência nos chama, mas a fazê-lo segundo os desígnios de Deus, na obediência e na confiança”, acrescentou.
Assim como em um corpo, prosseguiu o Papa, também há, na Igreja, membros mais fortes e outros mais fracos; alguns visíveis, que desempenham funções reconhecidas externamente, e outros escondidos, que atuam no interior. Muitos são os exemplos, mas a mensagem é a mesma: “na riqueza dos dons recebidos, somos fortes porque estamos unidos, e estamos unidos porque somos animados pelo mesmo Espírito, o Espírito de Cristo, que é Espírito de comunhão para a salvação de todos”, salientou.
Mártires da atualidade
Citando o título de “cabeça e casa da Catalunha” que é conferido a Barcelona, o Pontífice apontou a vocação e responsabilidade conferida à comunidade catalã de ser construtora de unidade.
O Santo Padre também mencionou Santa Eulália, mártir que é copadroeira da catedral, da arquidiocese e de Barcelona. Neste contexto, afirmou que, frente a um mundo dilacerado por guerras e divisões e a uma sociedade cada vez mais fragmentada e individualista, os cristãos querem ser “mártires”, ou seja, “testemunhas e profetas de unidade, acolhimento, concórdia e paz, mesmo que isso implique sacrifícios e renúncias”.
“A exemplo da santa virgem Eulália e de tantos outros mártires, queremos dar o nosso ‘sim’, dispostos, no que for preciso, a morrer para nós mesmos, a nos perdermos para nos reencontrarmos, a renunciar ao supérfluo para construir sobre o que é essencial e perdura para sempre”, concluiu Leão XIV.
Após concluir o momento de oração, o Papa visitou brevemente o túmulo de Santa Eulália, ainda no interior da catedral. Dirigindo-se por fim ao exterior do templo, o Pontífice saudou espontaneamente os fiéis reunidos. “Que celebremos todos a fé em Cristo, que nos chamou a viver como um só corpo, reunidos em uma mesma fé”, expressou.
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