Triunfo do Imaculado Coração de Maria: uma promessa ligada a Jesus
- 13/06/2026
Capelão do Santuário de Fátima, em Portugal, e responsável da Obra Nossa Senhora de Fátima, aqui no Brasil, explicam significado do Triunfo do Imaculado Coração de Maria
Kelen Galvan
Da redação

Em Fátima, Nossa Senhora mostrou seu coração cercado de espinhos, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação / Foto: Arquivo Canção Nova
“Meu Imaculado Coração triunfará!” Essa promessa foi feita por Nossa Senhora aos três pastorinhos, em 1917, e faz parte do segredo de Fátima, que foi revelado integralmente ao mundo no ano 2000, por decisão do Papa João Paulo II.
Neste sábado, 13, celebra-se a memória Litúrgica do Imaculado Coração de Maria, uma data móvel que é celebrada no sábado seguinte à Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. A devoção ganhou impulso após as aparições em Fátima, quando Nossa Senhora mostrou seu coração cercado de espinhos, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação.
Foi na terceira aparição, em 13 de julho, que a Virgem Maria mostrou o inferno às três crianças, “para onde vão as almas dos pobres pecadores”, e indicou que, para salvá-las, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Em seguida, Nossa Senhora disse que, se fizessem o que ela pediu, muitas almas seriam salvas e teriam a paz, porém, se continuassem a ofender a Deus, Ele iria “punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre”. Para impedir isso, ela pediu, além da consagração da Rússia, a “comunhão reparadora nos primeiros sábados”. E após anunciar os males que atingiriam a humanidade, caso seus pedidos não fossem atendidos, ela afirma: “por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará”.
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Padre Francisco Pereira – capelão do Santuário de Fátima / Foto: Santuário de Fátima
O capelão do Santuário de Fátima, padre Francisco Pereira, explica que a promessa do triunfo do Imaculado Coração de Maria está intimamente ligada a Jesus. “Cristo venceu a morte e o pecado, redimiu a humanidade, e essa redenção começou com o ‘sim de Maria’ à proposta de ser a Mãe do Salvador”.
Ele destaca que a afirmação do triunfo do Coração de Maria, feita no dia 13 de julho, significa que “um coração aberto a Deus, purificado pela oração e pelas virtudes teologais da Fé, Esperança e Caridade, vence as armas, o mal e o pecado”.
Refúgio no Coração de Maria
O responsável da Obra Nossa Senhora de Fátima, aqui no Brasil, Padre Francisco Tiery Santos Andrade, icms, afirma que, a partir dessas aparições, onde Nossa Senhora manifesta o seu Coração como caminho e refúgio até Deus, “o Coração de Maria constitui, assim, um fundamento de esperança para todos nós”.
“Para a espiritualidade daqueles que vivem a mensagem de Fátima, o Coração Imaculado de Maria representa o ápice, pois é nele que encontramos a Mãe que nos conduz a Jesus. Maria é caminho, refúgio e sinal seguro; é Ela quem nos indica a direção certa. Ao mesmo tempo, o seu Coração também é sinal de combate espiritual. Ele nos protege, é escudo, preserva-nos do mal e intercede por nós”, destaca.
O sacerdote enfatiza que essa dimensão se torna muito clara quando, na aparição de 13 de julho, Nossa Senhora transmite aos pastorinhos aquilo que conhecemos como o segredo de Fátima. Ela mostrou o inferno e disse que “muitas almas se perdem porque não há quem se sacrifique por elas”, em seguida, ao apresentar o desejo de Deus de estabelecer no mundo a devoção ao Seu Imaculado Coração. “O que revela tanto uma promessa quanto um desejo divino. É justamente nesse horizonte que se compreende a frase: ‘Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará'”.
Padre Francisco Tiery afirma que, diante disso, a promessa do triunfo do Coração Imaculado de Maria torna-se uma certeza. “A vitória final é de Cristo, mas Maria, em sua missão materna, conduz o mundo a Ele. Antes que Cristo entregue todas as coisas ao Pai, Maria, por assim dizer, devolverá o mundo ao seu Filho. Há, nessa perspectiva, uma beleza profundamente espiritual: o mundo, manchado pelo pecado desde o primeiro casal, é renovado por Jesus Cristo, e para essa renovação Deus quis contar com a colaboração singular de uma mulher, Maria Santíssima”.
Converter o próprio coração
O capelão do Santuário de Fátima, em Portugal, explica que o triunfo do Imaculado Coração de Maria acontece sempre que alguém olha para ela como modelo e procura a conversão do próprio coração, “para que ele seja purificado do pecado e possa ser lugar onde Deus habita”.
Ele destaca que, na Encíclica Magnifica Humanitas, no número 243, o Papa Leão XIV aponta que o Magnificat (o cântico de Maria) “torna-nos conscientes de que à nossa volta as coisas podem estar na mesma, mas Deus muda o nosso coração e o nosso interior”.
“Na relação íntima com Deus, através da Oração do Terço (que nos coloca no meio da vida de Cristo pela meditação dos mistérios do rosário), e na fraternidade – que é tarefa de comunhão com todas as pessoas, assumindo a nossa vocação e as responsabilidades da vida -, vamos reparando e reconstruindo a cidade dos homens para que se transforme na cidade de Deus, na Jerusalém Celeste, com a qual se encerra a Bíblia”, afirmou.
Ele destaca que a pergunta feita pela Virgem Maria aos pastorinhos em sua primeira aparição: “Quereis oferecer-vos a Deus?” é um desafio que ainda hoje interpela a cada um. “Nessa oferta, em favor de Deus e dos ‘pobres pecadores’, o nosso coração, paralisado, fossilizado, morto é transformado num órgão vivo que bate ao ritmo de Deus. Deus está em nós e, reconhecendo essa presença, mudamos o nosso modo de viver. Convertemo-nos, e assim podemos reconstruir a criação, a nós próprios e aos que vivem conosco”, afirma o capelão.
Opinião compartilhada por padre Francisco Tiery. Ele destaca que o Triunfo começa com a santificação pessoal de cada um. “Maria não abandona a Igreja nem os seus filhos; Ela continua a acompanhá-los e a lutar pela nossa salvação. Assim, quem permanece unido a Ela já se coloca do lado da vitória. O triunfo do Coração Imaculado de Maria é, portanto, a certeza de que o bem prevalecerá sobre o mal, e de que a fidelidade, a consagração e o amor a Nossa Senhora conduzem-nos cada vez mais profundamente a Cristo”.
Confiar na promessa
O responsável da Obra Nossa Senhora de Fátima aqui no Brasil afirma que, diante dos desafios atuais, a confiança na promessa de Nossa Senhora nasce da certeza de que a promessa de Maria não falha. “O coração do discípulo é chamado a permanecer firme nessa esperança, sustentado por uma convicção teologal: em Maria e em Deus não há engano nem abandono”.
Ele explica que os desafios são muitos, dentro e fora da Igreja: divisões, incompreensões em relação à doutrina e ao Magistério, críticas frequentes ao Papa e aos pastores, ideologias contrárias à dignidade humana, a violência, a polarização política, as dificuldades na educação e a tentação de entregar à inteligência artificial, ou a outros recursos, o sentido da própria vida e o discernimento sobre a realidade.
Contudo, diante de tudo isso, deve permanecer a certeza de que o Coração Imaculado de Maria triunfa e de que nada escapa à providência de Deus, afirma o sacerdote.
“Maria triunfa em nós quando nossa vida se torna mais semelhante à dela; quando rejeitamos o mal; quando o coração se abre ao amor fraterno; quando rezamos, meditamos, adoramos o Santíssimo Sacramento e participamos bem da Santa Missa, renovação sacramental do sacrifício de Cristo. Maria também triunfa em nós quando cresce em nossa alma o desejo das verdades eternas e quando reafirmamos, com liberdade interior, o amor a Deus sobre todas as coisas (…) Não ofender a Deus é consequência do amor; quanto mais O conhecemos, mais desejamos não feri-Lo. Esse é o verdadeiro caminho do triunfo do Coração Imaculado de Maria em nossa vida.”, disse padre Tiery.
Reparação ao Coração de Maria
O capelão do Santuário de Fátima explica que a devoção dos primeiros sábados anunciada pela Virgem Maria na aparição de 13 de julho, e pedida diretamente pelo Menino Jesus nas aparições à Irmã Lúcia em Pontevedra, a 10 de dezembro de 1925 e 15 de fevereiro de 1926, é um “percurso de conversão pessoal”.
Na aparição de Nossa Senhora e do Menino Jesus à Irmã Lúcia em 10 de dezembro de 1925, Jesus disse: “tem pena do Coração da tua Santíssima Mãe, que está coberto de espinhos, que os homens ingratos constantemente Lhe cravam sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar”.
Em seguida, Nossa Senhora continua: (…) “tu, ao menos, vê de me consolar (…)” “Como Maria é Mãe, nunca nos abandona, vela sempre por nós, como acompanhou sempre o seu filho Jesus. Por isso promete a quem fizer este caminho dos cinco primeiros sábados “assistir-lhe, nas horas da morte, com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”, indica Padre Francisco Pereira.
A prática consiste em: “rezar o Terço, fazer companhia a Nossa Senhora durante 15 minutos meditando nos mistérios do Rosário, confessar-se e receber a Comunhão Eucarística no primeiro sábado de cada mês, durante cinco meses”.
Para o padre Tiery, essa prática revela que o triunfo do Coração Imaculado não é uma ideia abstrata, mas um caminho espiritual muito concreto. “A devoção dos cinco primeiros sábados conduz a uma vida cristã autêntica, enraizada na vida sacramental e na contemplação dos mistérios de Cristo. (…) Essa devoção fortalece a vida espiritual, repara as ofensas dirigidas a Nossa Senhora e contribui também para a conversão dos pecadores. O triunfo de Maria se realiza em nós e, por meio de nós, alcança também os outros membros do corpo místico da Igreja”.
Porque cinco sábados?
A razão para serem cinco sábados foi revelada por Jesus à Irmã Lúcia, explica o capelão, e dizem respeito à cinco ofensas cometidas contra a Virgem Maria: as blasfêmias contra Sua Imaculada Conceição; contra Sua Virgindade perpétua; contra Sua Maternidade Divina; os que procuram infundir nos corações das crianças a indiferença o desprezo e até o ódio para com a Imaculada Mãe; e, por último, os que ultrajam diretamente a Virgem Maria nas suas sagradas imagens.
“A Virgem Maria sofre com os pecados dos seus filhos porque sofre ao ver a sua família ser destruída pelo pecado, pela divisão, pelo egoísmo, sofre ao ver que a humanidade se afasta do Bem e da Verdade e por isso se perde e aniquila. E, por isso, pede-nos a reparação e consolo, que através da companhia carinhosa e amorosa removam estes espinhos do coração da Mãe Celeste”, afirma.
Além de um exercício de conversão pessoal, é também um gesto extraordinário de solidariedade, pela redenção da Humanidade, complementa Padre Francisco. “Jesus morreu na cruz por cada um de nós e cada um de nós é amado por Deus. Para Deus cada um de nós vale a vida do seu filho Jesus. A Mãe sofre por todos e com todos, como o seu filho Jesus na Cruz”.
“A devoção dos primeiros sábados transforma a Babel, que mal se consegue levantar da lama, na Jerusalém que desce do Céu para ser morada do Povo Santo de Deus, de toda a humanidade redimida por Cristo na Cruz”, concluiu.
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