Veja como foi a beatificação do arcebispo Fulton Sheen
- 25/09/2026
Arcebispo que ficou conhecido por seu trabalho nos meios de comunicação nos Estados Unidos foi beatificado nesta quinta-feira, 24
Da Redação, com Vatican News

Beatificação do arcebispo Fulton Sheen foi celebrada nesta quinta-feira, 24 / Foto: USA TODAY Network via Reuters
O arcebispo Fulton J. Sheen foi beatificado nesta quinta-feira, 24, nos Estados Unidos. A celebração no Dome at America’s Center, em Saint Louis, foi presidida pelo pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, Cardeal Luis Antonio Tagle, enviado como representante do Papa Leão XIV.
Ao transmitir a saudação do Pontífice, o cardeal recordou que Leão XIV se alegrou com a beatificação de seu “companheiro de país, companheiro de Illinois e irmão bispo”. Em sua homilia, Tagle partiu da carta apostólica do Santo Padre que autorizou a beatificação de Fulton Sheen.
O documento descreveu o arcebispo como “um incansável pregador do Evangelho por meio dos modernos meios de comunicação e um diligente pastor animado pelo zelo missionário”. Para Tagle, duas dimensões se destacaram na vida do novo beato: o evangelizador (ou proclamador do Evangelho) e o pastor missionário.
Missão e relação com Cristo
Ao refletir sobre a “bem-aventurança” de anunciar o Evangelho apesar da rejeição e perseguição, o cardeal explicou que a resposta não está na fama alcançada pelo arcebispo como comunicador e escritor ou no fato de ter viajado pelo mundo, mas na comunhão com Jesus.
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Segundo o enviado pontifício, bem-aventurado é aquele que se deixa ver, escolher e enviar pelo próprio Cristo. A missão não consiste em escolher o próprio caminho ou simplesmente anunciar a si mesmo: desta forma, o evangelizador não deve colocar sua própria sabedoria no centro da mensagem, mas anunciar sempre o Senhor. Nesse sentido, a missão de Fulton Sheen não poderia ser separada de sua relação pessoal com Jesus.
O novo beato não compreendia a evangelização como uma conquista pessoal, pontuou Tagle. Neste contexto, ele recordou uma afirmação do arcebispo que, quando perguntado por um amigo sobre o motivo que o levou a se tornar sacerdote, respondeu: “fui chamado para contar esta história, o Evangelho. Nunca me canso de contá-la. Nunca me canso de melhorar a maneira de contá-la”.

Venerável Fulton Sheen / Foto: Globe Photos/ZUMA Wire via Reuters
Uma Igreja ferida pela pobreza
Prosseguindo com sua homilia, Tagle voltou-se para um outro aspecto: a proximidade. Ele sublinhou que o missionário não é enviado para um “mundo” abstrato, mas para pessoas concretas. Por isso, a evangelização deve conduzir ao encontro com homens reais, especialmente os mais pobres e vulneráveis.
O enviado do Papa recordou que, durante o Concílio Vaticano II, o arcebispo pediu aos padres conciliares que a pobreza fosse fortemente afirmada no Concílio. Foi nesse contexto que pronunciou uma das frases mais fortes recordadas por Tagle: “Somente uma Igreja ferida pela pobreza pode converter um mundo que duvida”.
Para Sheen, a pobreza não era uma questão secundária, mas estava ligada ao seguimento de Cristo, à missão da Igreja e à própria conversão do evangelizador. Diante disso, o cardeal destacou que o novo beato destinava aos pobres os recursos recebidos por seus compromissos e estimulava o compromisso missionário da Igreja nos Estados Unidos com as Igrejas pobres do mundo.
Tocar as feridas de Cristo nos irmãos
Tagle recordou a história de uma visita de Fulton Sheen a Buluba, em Uganda, na qual o arcebispo foi ao encontro de 500 leprosos. Depois de sentir medo de um dos doentes, o novo beato recordou que Jesus, assumindo a vulnerabilidade humana, havia tocado pessoas atingidas pela lepra. Com isso, decidiu tocar e segurar a mão ferida daquele homem e, após esse episódio, passou a considerar-se “o 501º leproso” daquele lugar.
O evangelizador, observou o enviado pontifício, não é somente aquele que leva Cristo aos outros — ele também pode ser transformado pelo encontro com aqueles a quem era enviado. “Bem-aventurado o vaso de barro que encontra sua força em Jesus”, afirmou.
A imagem do “vaso de barro”, relacionada à história do Beato Fulton Sheen, reiterou que a força da missão não vem do próprio evangelizador e a fama, a capacidade de comunicação, o conhecimento ou o reconhecimento público não são a origem da fecundidade apostólica. O missionário permanece um instrumento.
“Bem-aventurado o evangelizador convertido ao contemplar e tocar as feridas de Cristo nos irmãos e irmãs feridos. Bem-aventurado o missionário que mergulha profundamente no coração dos pobres para encontrar ali Jesus. Bem-aventurado Fulton J. Sheen”, concluiu Tagle.
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